Ailton Villanova

5 de dezembro de 2017

Pelo menos uma virgem!

      Bem velhinho, bastante esclerosado, padre Horácio Galisteu deu para implicar com a mulherada de Poço Redondo, apêndice da paróquia que comandava no Agreste pernambucano.

      Belo domingo, ele inventou de celebrar uma missa noturna e mandou convocar o mulherio daquela distrital com urgência urgentíssima. Na hora aprazada, a igrejinha de Poço Redondo estava abarrotada de mulheres. Ao iniciar o sermão, ele aprumou os óculos na ponta da venta, temperou a goela e chamou na grande:

      – Estou sabendo que todas as mulheres deste lugar estão vivendo no mais absoluto pecado! Isto aqui virou prostíbulo e eu não vou admitir uma coisa dessas! Será que ainda existe uma mulher virgem por aqui? Eu gostaria de ter pelo menos uma esperança, um sinal de que nem tudo está perdido!

      E as mulheres cabisbaixas, todas silenciosas.

      Padre Galisteu insistiu:

       – Como é? Um sinalzinho só! Será que não tem uma virgem neste ambiente?

       Silêncio absoluto.

       – Eu lanço um desafio! – insistiu o velho sacerdote – Se houver pelo menos uma virgem nesta local, que se levante!

       E firmou a vista até o fundo do salão. Seus olhos de águia dançavam nas órbitas. Quando se preparava para prosseguir no sermão, observou lá no meio da plateia uma mulher se erguendo, com uma criancinha no colo.

        Aí, ele bronqueou:

        – Que absurdo, minha senhora! Estou falando de virgens! Se a senhora está com uma criança nos braços não pode ser virgem!

        E a mulher:

        – Ora, seu padre! O senhor não vai querer que uma criancinha de três meses fique em pé sozinha… vai?!

Bigode clorofilado

      A madame entrou numa drogaria do bairro de Ponta Verde e dirigiu-se ao gerente Erasmo Luís Oliveira, cuja cabeleira é mais preta do que asa de graúna:

      – O senhor tem desodorante íntimo, moço?

      E o Erasmo, todo cheio de finura:

      – Temos vários, minha senhora. Qual deles vai querer?

      – Clorofila! – respondeu a mulher.

      – Este, infelizmente, está em falta! Só amanhã de manhã é que o teremos em nosso estoque. Se a senhora me der o endereço, mando levar na sua casa.

      – Precisa não. Amanhã de manhã minha casa estará fechada. Eu e meu marido trabalhamos fora. A não ser que o senhor faça a entrega pra ele…

      – Sem problema, senhora…

      – … que trabalha bem pertinho daqui!

      – E como vamos reconhecê-lo?

      – Ah, é muito fácil. É um rapaz moreno, alto, que tem o bigode verde!

Nua, sem lei!

      Finalzinho de tarde de verão, temperatura alta. Uma garota para o carro à margem da rodovia asfaltada que liga o Pontal da Barra ao centro da cidade, desce saltitante, olha em redor e tira a roupa. Em seguida, repara para os lados, novamente, para se certificar de que não vem ninguém, e corre para o mar.

       Quando a gostosura se preparava para mergulhar nas ondas daquele marzão aloprado, eis que surge praticamente do nada um guarda invocadão:

        – Êêêpa! Olhaí, ó…

        – Ooohhh…! – a gostosa tomou aquele susto.

        E o guarda, comendo a pecinha com os olhos:

        – Moça, é “improibido” anadá neste local!

        – Proibido por quê?

        – A praia tá poluída!

        A garota continuou, bronqueada:

        – E por que o senhor não avisou antes de eu tirar a roupa?

        E o guarda, com a maior cara de tarado:

        -Por que num existe “leis” improibindo tirar a roupa na beira da praia!

Bem obediente

      Queixando-se de náuseas constantes dores no corpo, o português Henrique Pereira procurou o médico Nilton Jorge Melo, ilustre filho de Palmeira dos Indios que morou durante mais de 20 anos em Lisboa.

      – Acho que dessa vez estou a embarcaire, doutoire! – gemeu o lusitano.

      E o Niltão:

      – Fique calmo! Vamos ver isso!

      Doutor Nilton Jorge examinou o gajo de cabo a rabo e, ao final, receitou-lhe três remédios, recomendando:

      – Siga direitinho as recomendações da bula, ouviu bem?

      – Pode deixar, doutoire.

      Uma semana depois Nilton Jorge foi chamado às pressas ao hospital onde Henrique se achava internado. Ele tinha piorado consideravelmente.

      – O senhor comprou os remédios que lhe prescrevi? – indagou o médico, inconformado.

       – Mas é claro que comprei, doutoire!

       – E tomou todos direitinho?

       – Tomar de que jeito, se nos frascos estava escrito: “Mantenha bem fechado”?

Mas que grande afeição!

      Seu Emerivaldo sempre foi um cidadão reconhecido pela sua sinceridade. Ele era do tipo que dizia o que estava sentindo sem sofismas e nem “arrodeios”. Sua filha Lucinha, a única, por sinal, era motivo de seu orgulho. Era uma morena de fechar comércio.

       Certa noite, encontrava-se Lucinha atracada com o namorado Alceu, no sofá da sala, crentes que o velho e dona Astrogilda estavam dormindo. Por conta disso, namorados chamavam mesmo na grande.

      Daí a pouco, seu Emerivaldo se levantou da cama a pretexto de beber água na cozinha e resolveu conferir a origem de uns gemidos que partiam da sala. Aí, o que ele viu?  A filha e o namorado no maior desmantelo.

      – Posso saber o que estão fazendo? – perguntou sem a menor necessidade.

      O namorado respondeu, todo escabreado:

      – Na… nada… nã… não, seu Emerivaldo. Eu só estava demonstrando a minha grande afeição pela sua filha!

      E o velho, sutil que nem um trator:

      – É, estou vendo que a sua “afeição” é grande mesmo, seu safado! E me faça o favor de não continuar insistindo em enfiá-la dentro da menina!

Com Diego Villanova