Gerônimo Vicente

5 de dezembro de 2017

Mineradora Vale Verde é vendida e ressurge a esperança sobre investimento de exploração mineral no agreste alagoano

Estou de volta às postagens neste espaço e com uma notícia que deve interessar a população do agreste alagoano, mais precisamente aos  mais de 20 mil moradores  do município de Craíbas, a 130 quilômetros de Maceió, cidade, que no início desta década passou a ser visto, junto com a de Coruripe, no litoral sul do estado,  como dois polos responsáveis pela redenção sócio econômica de  Alagoas. À época, o então governador Teotonio Vilela Filho e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Luiz Otávio Gomes anunciaram a construção na cidade agrestina da Mineradora Vale Verde que seria responsável, no futuro,  pela prospecção,  durante 18 anos,  de 160 milhões de toneladas de cobre e ferro extraídas de duas jazidas, sendo ⅔ em Craíbas  e ⅓ na vizinha Arapiraca em uma área total de 2.500 hectares. Seria a transformação da área em uma nova Serra Pelada numa referência à região do sudoeste do Pará atraída pela exploração do minério de ouro nos anos 1970, cuja estrutura geológica foi modificada pela extração do minério desenfreada e sem controle, restando hoje um grande buraco que se transformou em um lago.  

O Serrote da Laje prevê uma migração incontável de pessoas em busca de um futuro promissor para o agreste alagoano. A expectativa é da geração de 1500 empregos diretos e indiretos esse últimos sem números definidos, segundo fontes oficiais da época. No entanto, o projeto se encontra parado desde 2013 e o espaço chegou a ser ocupado por famílias sem-terra. Mas parece que com a venda, as negociações para a retomada das obras  foram reiniciadas  com o governo do Estado para que  o projeto não tome o mesmo rumo do Estaleiro Eisa que não passou de uma “ladainha” propagada de forma oficial.

Pois bem. Ao realizar consulta, na sexta-feira (1) no Google, utilizando  o nome “Alagoas” deparo-me com uma notícia no site  Market Insider, de Nova Iorque  com o seguinte título: Aura Minerals to Sell Serrote for US$ 40 million (Aura Mineral – empresa proprietária da Mineração Vale Verde – vende o projeto Serrote da Laje por US$ 40 milhões). Para entender mais o que isso significa, vale afirmar que o projeto Serrote da Laje é  uma startup que tem como finalidade extrair cobre e ouro na região a partir de 2020. A idéia foi vendida pelos gestores estaduais em 2010 como sondagens geotécnicas aplicadas em países americanos como México e Honduras, a partir da produção de minas de ouro.

A informação foi divulgada na manhã de sexta-feira (1º), a partir da distribuição de um releases da Globo Newswire, uma subsidiária da Nasdaq (administradora da Bolsa de Valores de Nova Iorque). Segundo o contrato de compra  e venda administrada pela Appian Capital Advisory LLP, subsidiária integral da Aura, a empresa venderá 100% de participação na MVV para o grupo comprador. O  pagamento será feito US$ 30 milhões em dinheiro e os US$ 10 milhões restantes através de nota não garantida.

A informação em inglês (leia aqui) traz uma declaração do presidente e CEO da Aura Minerals, Rodrigo Barbosa que diz que a venda segue os interesses da empresa ao desbloquear valor significativo para os acionistas e acelerar estratégia para desenvolver os ativos da empresa e buscar oportunidades de crescimento. “A venda de Serrote aos compradores é boa para a cidade de Arapiraca e o Estado de Alagoas e desejamos que todas as partes interessadas e o grupo de compradores aconselhados pela Appian continuem com sucesso no desenvolvimento e operação de Serrote “.declarou o executivo.

No release, o fundador-sócio da Appian Michel Scherb e o sócio-gerente da  mesma empresa Vicente Jacheet acrescentam que esperam  trabalhar com os compradores e parceiros locais para o desenvolvimento  bem-sucedido do projeto. A transação deve ser concluída antes de fevereiro de 2018 e está sujeita às condições habituais de fechamento. O BNP Paribas Securities Corp. atua como assessor financeiro da Aura Minerals no negócio.

A questão em discussão é que o projeto está parado por dois motivos cruciais: a falta de água na região, cuja esperança ainda é a segunda etapa do projeto do polêmico projeto do Canal do Sertão e a falta de financiamento público para a concretização do Serrote da Laje.  A Mineradora Vale Verde anunciou que já investiu R$ 150 milhões no projeto e a projeção para conclusão da implantação do projeto é de aproximadamente R$ 850 milhões. O objetivo da empresa com o projeto Serrote da Laje é processar 4 milhões de toneladas de minério por ano com teor médio de 0,5% de cobre e recuperar 84% desse total, produzindo 17 mil toneladas de cobre contido anualmente. Esse volume equivale a aproximadamente 85 mil toneladas de concentrado de cobre, segundo cálculos da Vale Verde.

Os minérios de ferro, ouro e vanádio (metal utilizado são utilizados fabricação de computadores, smartphones, notebook e outros aparelhos eletrônicos. No entanto, em 2015 a MVV divulgou que as obras foram suspensas por tempo indeterminado e alegou escassez de crédito e incertas econômicas. O local tornou-se um imenso deserto. No entanto, a  promessa de retomada do Serrote da Laje deve ser um assunto a dominar as rodas de conversas políticas e econômicas, assim como fora o Estaleiro de Coruripe.