Ailton Villanova

1 de dezembro de 2017

A puxada foi demais para o velhinho!

      O macróbio Justino Macário, mais conhecido como “Seu Donzinho”, foi o maior rezador que o Agreste alagoano e regiões próximas já conheceu. Morreu com mais de 100 anos, montado na fama de fazedor de “milagres”. Os crédulos formavam longas filas diante da porta de sua casa, para dele receber favores, rezas, bênçãos e curas. Até dos sertões de Sergipe e da Bahia pintava gente por lá.

      Perto de embarcar para a eternidade, esclerosado, quase paralítico e meio cego, Seu Donzinho ainda recebia, em casa, pessoas carentes de uma palavra de conforto ou necessitada de uma oração. Um dia, ele descansava numa cadeira de balanço, no alpendre de casa quando escutou alguém chamando no portão, isso boquinha da noite:

      – Ô de casa!

      Ele respondeu com voz trêmula e fraquinha:

      – Ô de fora? Vá entrando quem chamou!

      Entrou um molecote que exibia uma cara espantada. Seu Donzinho quis saber o motivo da visita:

      – Quê qui hai, caboquinho?

      E o garoto:

      – É que o meu vô Nezinho tá muito mal, seu Donzinho. Ele num para de tossir e de obrar…!

      O rezador acalmou o pequeno visitante:

       – Isso é bestêra, meu fío. Fáis um chá bem forte de sambacaitá cum sabuguêro e dê pra ele bebê… Sem açúca, viu?

       – Sim, senhor.

       O garoto se mandou levantando poeira. Dia seguinte estava de volta à casa do milagreiro, mais afobado que antes:

        – Vô Nezinho piorou, Seu Donzinho! Agora, tá se queimando de febre!

        – Vorta lá e coloca dois ôvo na testa dele!

        Em menos de 12 horas o garoto, aos prantos, estava chamando novamente na porta do velho conselheiro:

         – Vô Nezinho morreu!

         O rezador espantou-se:

         – Ôxi! E num butáro não, os ôvo na testa dele?

         – Nóis tentou botar! – explicou o menor – Mas quando eles chegaram na altura do umbigo, o meu vô deu um grito, estrebuchou e morreu!

Surda e ruim de sexo

      A velhota dirigia o carrinho meio derrubado por uma rodovia interestadual, quando, de repente, surgiu um policial montado numa moto, que fez sinal para ela parar o veículo.

      – A senhora está sabendo que ultrapassou o limite de velocidade? – perguntou o guarda.

      Ela se virou para o velhinho que se achava no banco do carona e indagou:

      – O que foi que ele disse?

      E o velhinho, aos berros:

      – Ele disse que você estava correndo muito!

      – Posso ver a carteira de habilitação da senhora? – insistiu o guarda.

      – O que ele está falando, meu velho? – gritou novamente a velhinha.

      E o vetusto, no mesmo diapasão:

       – Ele pediu a sua carteira!

       A velhinha passou a CNH pro guarda, que a examinou e disse, em seguida:

       – Ah, estou vendo que a senhora e o senhor são de Sergipe! Uma vez eu fui lá e fiz o pior sexo da minha vida!

       – O que ele disse? – gritou mais uma vez a velhusca pro marido.

       – Ele disse que conhece você!

Bicha desaforada

      Não é segredo pra ninguém que a Avenida da Paz, à noite, se transforma na maior “boca livre” de prostituas, gays, tarados, drogados, e outras peças do submundo. Até Agazinho, aquele fresquinho muito chegadinho a uma paróquia, deu pra baixar por lá, na maior moita.

       Madrugadinha destas, já descambando para o amanhecer, eis que o safadinho foi flagrado por uma madame que iniciava o seu cooper. Agazinho se achava debaixo da ponte do Salgadinho, ao lado das ruínas do Hotel Atlântico, de saudosíssima memória, dando uma marcha à ré muuuito incrementada.

        Escandalizada, a madame deu a bronca:

        – Mas o que é isso, seu viado escroto? Dando o rabo em plena via pública! Tem vergonha não?

        Agazinho virou-se pro cara que se achava enfiado nele e disse:

        – Com licença, Zezão! Tira aí um instantinho…

        Zezão tirou a estrovenga, Agazinho encarou a madame e desembuchou, toda cheia de atrevimento:

        – Escute aqui, sua mocréia… a ponte e sua?

        – Claro que não! – respondeu a mulher.

        – A rola é sua, por acaso?

        – Mas é lógico que não!

        – O cu é seu?

        – Cruz, credo!

        – Então, vá pra puta que pariu! Bota de novo, Zezão!

Louro bronqueado

      Padre Odulpho passou um tempão para se acostumar com a morte do Geraldo, seu papagaio de estimação. O bichinho, que era extremamente religioso, morreu de velhice.

      A tristeza do reverendo não tinha fim. Compadecida dele, irmã Maria da Glória sugeriu:

      – Por que o senhor não compra outro papagaio, padre?

      Ele topou a ideia. No sábado seguinte, estava na feira de Palmeira dos Indios à procura de um penoso falante. Numa tenda onde havia vários pássaros expostos à venda, ele viu um louro, cujo aspecto transmitia a impressão de ser ele muito comportado. Entretanto, por via das dúvidas, o reverendo perguntou ao vendedor:

        – Ele fala palavrão?

        E o feirante:

        – De modo algum, padre. Justamente este, foi criado pela minha santa e inesquecível mãezinha… que Deus a tenha!

        Chegando mais pra perto do louro, o reverendo reparou que havia uma fitinha amarrada em cada uma das suas canelinhas. O vendedor explicou o motivo:

      – Bom, reverendo, quando o senhor quiser que ele diga coisas agradáveis é só puxar na fitinha branca, essa que tá aqui na sua perninha direita, ó…

      Aí, o cara fez a demonstração e o papagaio expressou-se educadamente:

      – Olá, queridos amigos! Bom dia!

      O padre adorou! O feirante então puxou a fitinha azul que estava amarrada na canelinha esquerda e o lourinho disparou:

      – Amai a Deus sobre todas as coisas… Não matarás… Não roubarás… Não desejarás a mulher do próximo…

      E por aí foi, até recitar todos os mandamentos.

      Padre Odulpho estava emocionadíssimo. Então, ele quis saber mais:

      – E se eu puxar as duas fitinhas de uma só vez?

      O próprio papagaio respondeu:

      – Aí eu caio né, seu filho da puta?

Com Diego Villanova