Ailton Villanova

30 de novembro de 2017

Um papagaio que era folgado demais!

        Um amigo meu, o Valdiney Alves, conhecido como Ney Mandarino, adquiriu um papagaio danado de falador, e safado demais. O nome dele é “Joel”.

      Na casa pegada à do Ney mora uma garota que é uma lindeza, e muito boa corporalmente! Nisso não vai nenhum desrespeito à sua pessoa. Muito pelo contrário…

      Pois bem, essa garota tinha um namorado PM, cuja paciência esgotou-se por causa das sacanagens do louro. Joel vivia tirando o maior quarto-de-hora com o casal de namorados.

      A última vez que o militar chegou para falar com a amada, exibiu um revólver e prometeu:

      – Se hoje esse papagaio cretino voltar a tirar onda com a gente, vai levar bala no rabo!

       E a graciosa namorada:

       – Pra que tanta violência, meu amor? Deixa o bichinho pra lá! É só um inofensivo papagaio!

       – Inofensivo?! Ele é um grande safado, isso sim!

       E mal o casal de namorados começou a trocar beijos de amor, o louro Joel atacou de lá:

      – Ei! Tira a mão do material! Larga o peito da menina, tarado! Segura a saia, Joana!

      O PM desgarrou-se da amada, sacou o revólver da cintura e passou fogo no louro – tebei!

       O projetil passou arrancando penas do papagaio, que desequilibrou-se do poleiro e estabacou-se no chão, de rabo pra cima.

       Debaixo do poleiro do Joel, o gato da casa dormia a sono solto. Acordou-se assustado com o barulho provocado pela queda do louro. Ao reparar naquela coisa toda despinguelada, caída na sua frente, o bichano pensou tratar-se de uma assombração. Arrepiou-se todo, arqueou a coluna vertebral, abriu os dentes e produziu aquele ruído típico de gato ouriçado:

       – Pfffsssss…

       O papagaio se levantou, ajeitou as penas e encarou o bichano:

        – Tá se abrindo com o quê, ô viadão?

Eita matuto de bom gosto!

      O trabalhador braçal Sebastião da Silva, morador da fazenda do doutor Carlos Umberto Sobral, estava saindo da propriedade montado num cavalo, quando foi abordado por outro morador, o veterano José Juvêncio, mais conhecido como Zé de Antero:

       – Pra donde tu tá indo, Sebasto?

       E o indagado:

       – Tô into inté as Arapiraca…

       – Tu passa na fêra?

       – É bem capáis de passá, seu Zé…

       – Intonce me faça um favô, se num fô incômudo…

       – Faço, sim sinhô! Uquié?

       – Compre umas pilha pro meu raidinho. Ispere aí, qui vô busca o dinheiro lá dentro.

       – Carece não, seu Zé. Eu compro c’um meu dinheiro e adispôis o sinhô me paga. O sinhô tem arguma preferênça de máica de pilha?

        – Bem, carqué uma, derne qui têje carregada de Chitãozinho e Xororó!

Comeram a mulher do primo!

      O matuto Orozimbo de Jesus morava com a mulher num ranchinho que ficava nos cafundós de São José da Tapera. O resto da família, que era grande demais, vivia em Pão de Açucar.

      Bom. Época natalina bastante chuvosa, Orozimbo recebeu a visita de dois primos e danaram o pau prosear. Lá pelas tantas da noite, resolveram suspender o papo e o anfitrião foi logo avisando:

      – Astanoite vosmicêis vão drumi aqui!

      – Cacere não, primo Orozimbo! Nóis vai tangendo a chuva puraí, inté chega in casa… – ponderou um dos visitantes.

      – De manêras arguma! A casinha é piquinininha, mas dá pra famía drumí!

      Então, os visitantes ficaram para dormir.

      De madrugada, a casa escura e silenciosa, em dado momento, ouviu-se a voz da mulher do Orozimbo:

      – Ô Zimbo, tu tá me ocupando?

      O marido respondeu com voz sonolenta:

       – Tô não!

       E a mulher:

       – Intonce, tão!

Inimigos já eram!

      Ex-secretário de Segurança Pública e ex-comandante-geral da Polícia Militar, o coronel Fernando Theodomiro Lima também foi delegado de polícia. Nessa área, ele começou pelo interior do estado. À época era capitão PM. Quando promovido a major, veio servir na capital, ocasião em que assumiu a titularidade do Primeiro Distrito de Polícia. Formou-se, então, em Direito.

        No interregno entre o interior e a Capital, Theodomiro passou pelo comando da regional de polícia baseada em Santana do Ipanema e foi nessa ocasião que se deparou com um caso de homicídio cabeludo. Montado na autoridade de delegado regional, ele instaurou o competente inquérito e começou a ouvir testemunhas. Ele mesmo fez às vezes de escrivão. Entre as testemunhas, perfilava-se um notório matador chamado Ludugero Xavier, tremenda cara de santo:

      – Pronto, meu majó… tô aqui às suas órde!

      Theodomiro qualificou o cara e deu início a inquirição:

      – O senhor conhecia a vítima?

      – Cunhicia não, incelença.

      – E o acusado, conhece?

      – Tomém num cunheço, não, incelênça. Dessa raça eu corro as légua, num sabe?

      – Me conte como o senhor tomou conhecimento desse assassinato.

      – Sei de nada não, incelênça. Imagine qui já guerriei munto nesta vida. Hoje tô cum cáje oitenta ano e num tenho um só inimigo…!

      Theodomiro ficou curioso, pois sabia da fama de Ludugero. Aí, foi irônico:

      – É mesmo? E como o senhor conseguiu essa façanha?

      – Matei tudinho, incelênça!

Com Diego Villanova