Ailton Villanova

25 de novembro de 2017

A garrafa era dele!

Diz o amigo velho Adoniran Monteiro que só bebe socialmente. Mas, quando bebe, a preferência é pelo champanhe. O cara é doido por champanhe.

– É a melhor bebida do mundo, meu irmão! – define cheio de convicção.

Dia desses, ele e o primo Cleósthenes Monteiro viajaram de Maceió até Maruim, interior sergipano, só para beber champanhe. Isso é que é beber socialmente. A desculpa ou o motivo, tanto faz, foi o casamento do Mireval Moreira, antigo colega de seminário, que largara a batina para contrair núpcias com a ex-noviça Lucinha Batista. Adoniran desistira de ser padre muito antes.

Mireval organizou uma festa requintadíssima para comemorar o matrimônio com a donzela. Mil convidados abarrotaram a fazenda do pai  do noivo e entre esses, naturalmente, os sobreditos Adoniran e Cleósthenes.

Cerveja e uísque davam no meio da canela. Mas cadê que tinha champanhe?! Quer dizer, tinha, mas só para as mulheres.

– Isso é descriminação, meu irmão! Vamos embora desta merda de casamento! – protestou Adoniran.

E o primo:

– Calma aí, rapaz! Fique frio! Eu vou ver se descolo pelo menos uma garrafa de champanhe pra você, tá legal?

– Tá legal. – conformou-se o champanhista.

Não deu três minutos, Cleósthenes encostou no primo abraçando três garrafas da bebida:

– Olha, só consegui estas. Vê se economiza, tá?

– Pode deixar…

Para beber sossegado, Adoniran procurou ficar distanciado dos demais. Rodeou a casa, subiu por uma escada escura e logo se viu na varanda do primeiro andar. Sentou-se no chão e lascou o pau a beber. Num instantinho consumiu o conteúdo de duas garrafas e ficou embriagado. Em seguida, acometeu-lhe um irresistível sono.

Mal podendo manter os olhos abertos e com a cabeça rodando mais do que estrevolim, Adoniran resolveu botar o velho corpo para descansar. De modo que entrou num quarto de casal todo cheiroso e bem arrumado, cuja porta encontrava-se escancarada. A garrafa que estava intacta, ele a escondeu sob o travesseiro e deitou-se debaixo da cama instalada no centro aposento.

Lá pelas tantas, o amigão acordou baratinado com a conversa babada que era travada em cima da cama. Eram os recém-casados, nas preliminares para os “finalmentes”.

Dizia o marido, alisando a cintura da mulher:

– De quem é essa curvinha tentadora?

E a nubente, toda lânguida:

– É… é… sua, meu amor…

O recém-marido acariciou os seios da amada:

– E essas montanhas lindas, meu anjo?

– São… são… ooohhh…

Aí, ele chegou àquela parte íntima:

– E essa moitinha…?

Debaixo da cama, Adoniran rebateu com veemência:

– A moitinha pode ser sua, porra, mas a garrafa que está escondida aí é minha!

Marido fraco

Filha única, Marineide (Neidinha), amor de garota, arrumou um namorado que tinha toda pinta de frade à paisana. José Roberto, o indigitado, era um cara todo certinho. Contrastava em gênero, número e grau com Nildinha, aqui pra nós, autêntico “boeing”.

Neidinha sempre foi alegre, descontraída, sem frescura nenhuma.

Com pouco tempo de namoro, noivou e casou com o Zé Roberto. A festa do casamento foi porreta. Os pais da noiva fizeram questão de caprichar na recepção. Na hora da despedida para a viagem de lua-de-mel, a mãe da nubente chamou-a num canto  pediu:

– Vê se me telefona, viu filha? Olha, eu quero que você me conte tudo sobre a primeira noite. Ah… diga o Robertinho que vá devagar, pra não lhe estrompar,viu?

– Tá certo, maínha. Pode ficar sossegada. Quando eu tiver de lhe contar as coisas, eu vou falar em código, certo? É que pode ocorrer alguma linha cruzada…

– Bem pensado, filhinha! Muito bem!

Neidinha e o esposo viajaram. Foram curtir a lua-de-mel na bela e ensolarada Olinda. Dia seguinte, olha a filha ligando para a mãe:

– Alô, maínha…!

– Oi, meu amor! E então, como foi?

– Tudo bem. Ele só comeu um bife! – revelou a noivinha, um tanto desolada.

A genitora foi compreensiva e confortou a filha:

– Ah, queridinha, é assim mesmo. Ele devia estar cansado em razão daquela agitação toda do casamento, recepção, mais de 4 horas na estrada… Amanhã vai ser diferente!

– Tem razão, maínha! – conformou-se Neidinha.

No outro dia…

– Ontem ele também só comeu um bife, maínha!

E a mãe:

– Fique calma, meu anjo. O Robertinho sempre foi um rapaz muito tímido. Além disso, vocês ainda estão no período de adaptação…

Uma semana depois, mãe e filha voltaram a papear pelo telefone:

– Então, filhinha, as coisas melhoraram?

Decepcionadíssima, a filha retrucou:

– Ah, maínha, não dá! O Robertinho não tem muito apetite e nem gosta de variar o prato. Continua só comendo um bife por dia. Pode?

Dessa vez, a mãe reagiu diferente:

– Vôte! Esse seu marido deve ter algum problema! Mesmo depois de 30 anos, ontem à noite o seu pai comeu três bifes, uma rabada e ainda lambeu a frigideira!

Com Diego Villanova