Ailton Villanova

18 de novembro de 2017

Mas, morreu sorrindo de felicidade!

ilustracao 18 11 17 rpt 07 08 12 600x300 c - Mas, morreu sorrindo de felicidade!

 Sem ou alternativa para dar gasto nos mais de três mil livros que herdou de um tio que havia falecido em Garanhus, no estado de Pernambuco, o barbeiro Laurindo Brandão abdicou da profissão e abriu um alfarrábio na periferia da cidade.

      Brandão era gente fina, entretanto pra lá de desligado. Ainda por cima,  míope. Mais míope do que uma topeira.

      Nebuloso dia, já com o pensamento na aposentadoria, ele recebeu a “visita” de uma dupla de gatunos, sem a devida malícia e com a melhor das atenções, pensando que eles eram fregueses.

       À época em que Laurindo Brandão foi vitimado pela ação desses marginais, Maceió estava começando a experimentar a onda de violência que hoje nos angustia e amedronta.

      Pois bem, no fatídico dia referido linhas acima, o boa-fé Laurindo abrira sua lojinha de livros usados mais cedo e, enquanto aguardava a freguesia, passava uma vista de olhos numa revista popular. Como era míope, conforme já disse, ele se achava com a cara enfiada na página que mais lhe chamara a atenção, porque tinha uma dona muito boa, toda nua, naquela posição que Napoleão perdeu a guerra. Sorrateiramente, os meliantes entraram na lojinha, um deles portando uma faca, que disse:

        – Ô velhinho, o dinheiro ou a vida!

        Brandão franziu a testa, tirou os olhos da revista, apertou-os para melhor enxergar o suposto freguês e perguntou:

         – Qual é o autor da obra?

         Pensando que o pequeno comerciante estava de gozação, o bandido se sentiu ofendido e aplicou-lhe um certeiro golpe de faca no coração. Um golpe só, e o Brandão caiu no chão, esvaindo-se em sangue. Dizem que ele morreu com um sorriso de felicidade, apertando no peito a revista aberta na pagina onde se achava a foto da bendita mulher nua.

A foto do português

      Estabelecido, havia um bom tempo, no Rio de Janeiro, o português Manuel José estava procurando uma foto sua para enviar à família em Lisboa. Mas, como não a achava, resolveu se pentear no banheiro para sair e tirar o retrato.

      Ao olhar-se no espelho, percebeu que sua imagem refletida estava ótima. Então, pensou:

      – Ora, pois, vou enviar esse espelho que tem a minha imagem e pronto! Não preciso nem gastar dinheiro com foto!

      Quando o pacote chegou a Portugal, seu pai foi logo abrindo, curioso, para olhar o retrato do filho querido.

       Mal olhou no espelho, o velho gritou assustado:

       – Maria! Vem cá a correr, vê como nosso filho envelheceu! Até parece um velho de 80 anos! E ainda está com cara de pinguço!

       Ao se debruçar no ombro do marido, Maria exclamou decepcionada:

       – Também pudera! Com essa velha feia, com cara de puta ao seu lado, só podia mesmo virar alcoólatra!

Camisola histórica

      Depois de 30 anos de casamento, Maria Creolínea resolveu tentar resgatar o interesse do marido, vestindo a mesma camisola que usou na noite de núpcias.

      – Amo-ooor! – sussurrou, languidamente – Você se lembra dessa camisola?

      – Claro! É a camisola que você usou na nossa lua-de-mel! Por quê?

      – E você se lembra do que me disse naquela noite, quando me viu com essa camisola?

      – Lembro! Eu disse: “Você está maravilhosa nessa camisola, Creolínea! Quero transar com você até lhe deixar ACABADA!”

      – E agora, depois desses anos todos, o que você tem a dizer?

      O marido olhou Creolinea de cima a baixo e disse:

      – Missão cumprida!

Vingança a longo prazo

      Seu José Belarmino compareceu à delegacia de polícia do 3° Distrito da Capital ( Maceió) exibindo três vistosos calombos na cabeça. Ao delegado respectivo, Carlomano de Gusmão Miranda, ele contou houvera sido vítima de uma tentativa de homicídio praticado por uma antiga vizinha chamada Esterogênia.

      Denúncia devidamente registrada, o delegado Carlomano Miranda mandou chamar a denunciada e a inquiriu:

      – Dona Esterogênia, a senhora quer me explicar por que agrediu o cidadão aqui presente?

      Ela respondeu sem trastejar:

      – O canalha me destratou, seu delegado!

      Do seu canto o agredido defendeu-se:

      – Mentira! É mentira dela, doutor!

      O delegado assumiu o controle da situação:

      – Com quem está a verdade, afinal? A senhora foi ou não foi desacatada pelo queixoso?

      – Fui! Fui, sim, doutor! Ano retrasado ele me chamou de capivara!

      E doutor Carlomano segurando a barra para não rir:

      – Ele a chamou de capivara, foi?

      – Chamou!

      – Puxa vida! Passado esse tempo todo, por que só agora a senhora resolveu reagir?

      – Pois é, doutor. Até ontem eu não conhecia uma capivara…

      – E conheceu?

      – Conheci… numa visita que eu fiz a fazenda do doutor Zé Cordeiro de Lima, que fica perto de Marechal Deodoro!

Com Diego Villanova