Ailton Villanova

17 de novembro de 2017

Bem na hora!

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      Quando não está biritando, o auxiliar de garçom José Carlos Alves, mais conhecido como “Gudenaite”, é o mais comportado e o mais conveniente dos cidadãos. Basta dizer que sua vida pregressa é mais limpa do que ficha de madre superiora.

      Além de trabalhador, Gudenaite é um cara bastante esperto.

      Num domingo igual a este, largou do trabalho mais cedo e resolveu tomar uns birinaites num barzinho da Pajuçara, uma quadra distante do restaurante onde é empregado. Lá para o final da noite, deu por suspensa a biritagem, porque já estava vendo o mundo emborcado. Pagou a conta direitinho e iniciou “viagem” de volta ao lar, situado na Ponta da Terra, na base do “amor febril”. Em certo trecho do percurso, encontrou-se com a doméstica Maria Edelvita e com ela entrosou um papo legal, apesar do adiantado da hora e do seu estado de embriaguez alcoólica. Daí a pouco, estavam bem agarradinhos, na parte mais escura da Praça Lyons e trocando beijos mil.

      De tanto se beijarem e se esfregarem, Gudenaite e Edelvita perderam as estribeiras e partiram para os “finalmentes” ali mesmo, num pedaço de grama, que restava na praça.

      Edelvita deitou-se de pernas abertas, naquela tradicional posição que o leitor bem conhece, e ficou aguardando, ansiosa, a “iniciativa” do Gudenaite que, meio em pé, meio de cócoras, tentava se livrar das calças.

      Nesse momento, uma dupla de PMs que fazia a ronda na praça aproximou-se dos dois. Um dos militares, de lanterna na mão, flagrou o exato momento em que o auxiliar de garçom aprumava o “instrumento” na direção da parte genital da mulher.

      – Êêêpa! Que negócio é esse seus dois safados?! – berrou o PM.

      Gudenaite assustou-se, mas não perdeu o rebolado:

      – Puxa vida, seu guarda! Mas que sorte, hein? Se o senhor não acende essa bendita lanterna eu teria mijado em cima dessa pobre moça! Só posso lhe dizer muito obrigado!

O emprego é bom, mas a fila…

      Desempregado, e no maior sufoco, o Rodésio Pereira dirigiu-se à agência de empregos Empregal para ver se conseguia um trabalho e deparou-se com um cartaz anunciando:

      “Precisa-se de assistente de ginecologista”.

       Ele foi até o balcão de atendimento e perguntou à simpática mocinha que lá se achava:

        – A senhorita pode me dar mais detalhes?

        E a garota:

        – O trabalho consiste em aprontar as pacientes para o exame. Você deve ajudá-las a se despir e, cuidadosamente, lavar suas partes genitais. Depois, você faz a depilação dos pelos pubianos com creme de barbear  e uma gilete novinha… Em seguida, deve esfregar docilmente óleo de amêndoa na área, de forma que a paciente esteja pronta para o ginecologista.

        Rodésio escutava se babando todo.

        – O salário mensal é de R$ 5,5 mil, com carteira assinada e demais benefícios, mas o problema é que você terá de se deslocar até Santana do Ipanema.

         – Nossa! São mais de 200 quilômetros e eu moro aqui em Maceió. É lá o emprego?

         – Não! Lá é que está o fim da fila!

Nem tudo parece o que é

      Competente ginecologista, doutor Geneton Botelho aguardava a sua última paciente no final da tarde, que estava demorando a chegar.

      Depois de mais de meia hora de espera, supondo que a paciente não mais viria, o doutor resolveu tomar uma boa dose de uísque para relaxar, antes de voltar pra casa.

       Sentado confortavelmente em uma poltrona do consultório, nem bem começou a folhear uma revista, a campanhia da porta tocou e… a última paciente chegou toda esbaforida, pedindo desculpa pelo atraso.

       – Sem problema! – respondeu doutor Geneton. – Estava tomando um uisquinho enquanto a esperava. Quer uma dose também?

       – Aceito com prazer! – respondeu a paciente, aliviada.

       O médico serviu um copo, sentou-se diante da mulher e os dois começaram a conversar sobre assuntos banais.

        De repente, ouviu-se um barulho de chave abrindo a porta do consultório.

        Sobressaltado, o médico começou a ficar nervoso, se levantou bruscamente da poltrona e disse à paciente:

         – É a minha mulher! Rápido, deite-se na maca, abaixe a calcinha e abra bem as pernas pra mim!

Mas que estrago!

      José Miroslávio, o Miro, resolveu acabar com a própria vida um final de tarde sombrio, e não fez, sequer, a gentileza de deixar uma carta, ao menos um bilhete, explicando o motivo daquele gesto extremo. Deu um tiro na cabeça e pronto! Morreu na hora!

      Os vizinhos chamaram a polícia, que chamou a perícia criminal, que chegou ao local do infausto antes da viúva do infeliz. Dona Cleôncia, a referida, encontrava-se trabalhando quando recebeu a trágica notícia.

       Assim que dona Cleôncia botou o olho no finado banhado de sangue, perdeu o controle:

       – Ai, meu Deus! Não é possível, meu Deus!

       Um dos vizinhos correu para ampará-la:

       – Seja forte, Cleôncia…

       E ela, se descabelando toda:

       – Eu não posso acreditar no que estou vendo, meu Jesus!

       – Conforme-se, minha amiga! – era o bondoso vizinho, cheio de filosofia. – A morte é uma realidade da qual jamais podemos escapar…

       – Mas eu não posso me controlar, seu Amadeu! Tudo bem que esse imbecil tenha se suicidado. Mas logo com a roupa limpinha que eu lavei e passei ontem! O canalha não devia ter escolhido uma roupa suja…?

Com Diego Villanova