Ailton Villanova

8 de novembro de 2017

Um “gato” em apuros

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O mestre-de-obras Jurandino Ventura, baixinho de metro e meio de tamanho, era casado com uma mulher enorme, de quase dois metros. Bonitona, carnuda, dona Doralice – Dora, para os mais íntimos – apreciava muuuiiito fazer generosidade. Sujeito necessitado podia pintar no seu terreiro que saía de lá aliviado, podendo voltar quando quisesse.

      Dada a constante disposição de Dora, mestre Jurandino ficava sempre devendo à dita cuja, que procurava suprir o déficit sexual mediante “ajuda externa”, conforme o caro leitor já entendeu. Acontece, que Jurandino, não  tão ingênuo quanto se pensava, começou a desconfiar que a mulher andava mijando fora do caco. Até que, um dia, teve a confirmação da chifrança de que era vitima, mediante um aviso de pé-de-ouvido, formulado pelo colega José Anízio, o Zizi:

       – Me leve a mal não, Jura, mas o doutor Tancredo Barbosa anda comendo a tua mulher!

       Mas logo o doutor Tancredo, o engenheiro-chefe da firma para qual o baixinho trabalhava! Logo o doutor Tancredo, amigão do peito do Jurandino!

        Na hora em que recebeu a cruel notícia, o mestre-de-obras não conseguiu se segurar. Pegou o seu fusquinha e se mandou pra casa, justamente onde lá se encontravam, no maior desmantelo, o doutor Tancredo e a fogosa Dora. Danado é que os amantes não esperavam o retorno inesperado do dono da casa.

       Apavorada, Doralice empurrou o amante para dentro do guardarroupa quando escutou os passos do marido dentro de casa. Na pressa, ela fechou a porta deixando os quibas do engenheiro do lado de fora.

      Jurandino entrou no quarto todo afobado, espumando pela venta e olhando para os lados, como quem procurava alguém, enquanto a mulher arquejava, em cima da cama, nua como nasceu. Ao passar uma vista d’olhos no guardarroupa, o mestre-de-obras viu a “peça” do amante da mulher dando o ar de sua graça.

      – O que diabo é aquilo pendurado na porta do guardarroupa, Dorinha? – indagou desconfiado, mas nem tanto.

      E ela, espertíssima, respondeu sem pestanejar:

       – É o rabo do gato!

       Mestre Jurandino se aproximou do “rabo” pegou-o com força e ordenou:

        – Mia, gatinho!

        E doutor Tancredo, dentro do móvel, morrendo de dor:

         – Miaaauuu…

         O baixinho segurou mais firme, deu novo puxão, outro aperto e nova ordem. O engenheiro miou. Jovelino reuniu todas as suas forças e apertou com gosto de gás, determinando mais uma vez:

          – Mia, gato!

          – Miiiiaaaauuurrrr…

          Até que lá pelo décimo aperto, doutor Tancredo não se controlou mais. Abriu a porta do guardarroupa, encarou o baixinho e berrou:

          – Miiiiaaaauuu, seu corno filho da puta!

 

Viagem sem volta

      O agricultor José Cícero Romão, morador de Água Branca, fazia um tempão que não se avistava com o compadre José Bispo. De modo que numa de suas viagens a Paulo Afonso, na Bahia, ele aproveitou para dar um pulinho na casa do velho amigo. Manobrou o carrinho e parou na porta do indigitado:

      – Ô cumade Maria, cumpade Zé Bispo tá?

      E a mulher:

      – Tá não, cumpade. Ele foi pro sumitéro…

      – Será qui ele vai demorá?

      – Pelo jeito vai, e munto, cumpade! Ele foi dento do cachão!

 

Ele não tinha mais nada!

      Fumante inveterado, o Adenaías Nicácio andava com os pulmões entupidos de nicotina. Mal respirava, o infeliz. Além disso, sentia dores da ponta dos cabelos ao dedão do pé. Estava acabadaço! Quando não suportou continuar vivendo daquele jeito, procurou o mais famoso dos médicos de tórax do país, o doutor Arthur Gomes Neto, na Santa Casa de Misericórdia de Maceió:

      – Tô lascado, doutor! Veja aí o que o senhor pode fazer pela minha pessoa!

       O grande esculápio deitou o cabra na mesa de exames e passou a auscutá-lo. Hora e meia depois, deu por concluída a tarefa:

        – Amigo velho, o senhor não tem nada…

        Adenaías nem deixou o médico terminar de falar: pulou da mesa, caiu no meio da sala e deu um berro de alegria:

        – Mas que legal, doutor! Quer dizer que eu não tenho nada?! Posso continuar fumando e bebendo?

        E o médico:

        – Calma, amigo velho! O senhor não me deixou completar a minha fala. Eu quis dizer que o senhor não tem nada mais por dentro. Não tem pulmões, não tem rins, não tem fígado, não tem baço…

 

E a pombinha não voou!

      Delegacia de Plantão da Polícia Civil da Capital. Uma e meia da madrugada, mais ou menos, de uma sexta-feira. Nessa hora, ingressa no recinto destinado à recepção, a bichinha conhecida como Paloma. A coitada estava toda desmantelada. E como gemia:

      – Ui! Ui! Ui! Aaaaiii, que dor, meu Santíssimo…!

      Todo compadecido, o agente da portaria encaminhou-a ao delegado plantonista, que era o saudoso doutor Valter Moreira da Silva, que também morreu de dó da boneca:

      – O que foi isso? Atropelamento?

      E elazinha:

      – Antes fosse, meu doutor. Antes fosse…!

      – E o que foi, então?

      – Mal-va-de-za! Pura mal-va-de-za!

      – Não me diga que lhe jogaram do alto do Edifício Breda…!

      – Não, doutor. Foi pi-ooorrr!

      – Pior?!Então conte me conte, vá!

      – Seguinte, doutor… Eu me encontrei com um rapaz lindo de morrer, fortão, lá no Bar do Joca, que fica no Ouricuri, sabe?

      – Sei. Continue…

      – Bom. Comemos, bebemos, paguei a conta e então ele me convidou para vermos o mar do alto daquela torre do Posto de Salvamento, que fica em frente ao Hotel Luxor, sabe?

      – Sei, sei. Aliás, vão transformar aquele hotel na sede da Justiça do Trabalho. Mas, continue…

       – Subimos, doutor. Lá no alto, ele me envolveu com aqueles braços musculosos e fortes, levantou-me no colo, chegou na beirada do mirante e… me disse com carinho: “Voa, pombinha!” E me jogou lá de cima. Esborrachei-me no asfalto, quebrei este braço aqui, ó, três costelas e o calcanhar. E tem mais: quase fui atropelada por um ônibus. Tô um caco, doutor!