Ailton Villanova

28 de outubro de 2017

Castigo divino

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      O distinto cidadão intitulado Euripledes Ernandes tem dois problemas na vida e, segundo ele próprio define, “conviver com eles é algo atroz”. O primeiro desses problemas é a dúvida cruel que tem a respeito da honestidade da esposa e, o segundo, é carregar o incrível apelido que lhe botaram quando ainda era adolescente. “Cara de Tábua” é o apelido. Fora isso, tudo bem pra ele, “graças a Deus!”

      Cara de Tábua, ou melhor Euripledes, quase nasceu na sacristia de um templo católico. Seus pais, Manuel Jacinto e Maria Efigênia eram, respectivamente, sacristão e zeladora da igreja do bairro onde residiam, no Recife antigo. Não poderia ocorrer diferente: Euripledes virou coroínha, com direito à fitinha amarela (com a cruzinha azul) da saudosa da Cruzada Eucarística, e outras benesses mais.

      Mal se tornou rapazinho, apaixonou-se pela menina-moça Gertrudes, filha de uma paroquiana. Três anos mais tarde, levou-a ao altar.

      Gertrudes chamava a atenção de todo mundo não apenas pela sua boniteza, quanto pelo corpo escultural que possuía. E o rebolado dela? Coisa de louco! Euripledes morria de ciúmes da mulher, que passava todo o seu tempo livre debruçada na janela.

       Para completar o conjunto da obra, os seios da Gertrudes, que eram belos demais, só faltavam pular pelo decote da blusa quando a criatura estava apoiada no batente da janela.

       Um dia, o marido chegou pra ela e desabafou:

        – Tudinha, não aguento mais esta dúvida…

        E ela, com a cara mais inocente do mundo:

        – Que dúvida, Pepé?

        – Por acaso você anda me traindo?

        – Mas que conversa é essa, Pepé? Olha que você me ofende! É claro que não estou lhe traindo! De onde você tirou essa ideia?

        – E por que você usa vestidos tão curtos e decotados, me diga?!

        A gostosura fez beicinho:

        – É para lhe agradar, meu amor!

        – E por que essa pintura todas na cara?

        – É também pra lhe agradar… Eu sei que você me acha bonita assim.

        Euricledes coçou a testa e continuou insistindo nas perguntas:

        – E por que você agora cismou de chegar tão tarde da ginástica?

        – Ah, meu filho, é justamente porque fico caprichando na modelação do corpo, pra lhe agradar mais ainda. Você não querer me ver feito uma mocoronga… ou vai?

         O cara não se deu por satisfeito:

          – Me responda porque é que que, quando eu passo na rua, os meus amigos ficam me apontando e rindo muito?

          – Acho que é porque estão contentes por saber que você é feliz!

          O ex-coroínha faz mais uma pausa, respirou fundo e disparou:

           – E por que o nosso filho se parece com vizinho?

           Sem paciência com aquele interrogatório todo, e na falta de melhor argumento de convencimento, a mulher respondeu, na bronca:

            – Ora, Pepé, só pode ter sido castigo de Deus!

            – Castigo de Deus?! Ôxi!

            – Sim senhor! Ele lhe castigou porque você duvida demais de mim!

 

O supersônico  

      Tremendo gozador, o  Aldrábio de tudo faz uma piada. Outro dia, ele lia um jornal estiradão no sofá da sala quando, em dado momento, chegou o filho Juninho, com um caderno na mão:

      – Paínho, me ajude aqui no dever de casa…

      – Okêy, meu filho! Diga lá!

      E o menino:

      – O que é um avião supersônico?

      Aldrábio ajeitou-se no sofá e respondeu:

      – Escreva aí: “avião supersônico é uma merda de avião que anda mais rápido do que fofoca de vizinho!” Rá, rá,rááá…

      O garoto chateou-se:

      – Ah, painho, brincadeira tem hora! Você acha que vou escrever isso no trabalho do colégio?

      – Tem razão, meu filho. Então, escreva: “avião supersônico  é um desgraçado dum aparelho voador que, quando vai se estabacar no chão, nem dá tempo do piloto gritar por socorro!”

 

Carta de louco

      O carteiro chegou ao hospital psiquiátrico e entregou uma carta destinada ao interno Tamal Lucco. Ele olhou para o envelope com indiferença e depois colocou-o em cima da mesa da recepção.

      Outro louco, que chegava na ocasião, reparou no detalhe, aproximou-se do Tamal e indagou:

      – Você não vai abrir, não?

      – Eu não…

      O curioso então perguntou:

      – Posso abrir pra você?

      – Pode.

      Ao receber a autorização do colega, o doido curioso rasgou imediatamente envelope. Quando tirou o papel de dentro, havia apenas a folha em branco. Frustrado, ele perguntou ao outro:

       – Quem pode ter mandando isso pra você?

       Tamal Lucco respondeu:

       – Ah, é do meu irmão. É que faz três anos que a gente não se fala…