Ailton Villanova

27 de outubro de 2017

Tudo uma beleza sem a vaca!

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      Na região de Tanque D’Arca existiu um babalorixá chamado Dionísio Félix, que apreciava ser chamado de “Pai” Dió. Era um velhinho bastante requisitado pelo povão.

      Um dia, baixou no seu terreiro o trabalhador braçal José Raimundo Nonato, compadre do ex-prefeito José Rubem Fonseca de Lima. Exibindo a maior cara de tristesa, ele desabafou:

      – Tô na pió, pai Dió…

      – Na pió pruquê, meu fio?

      E Raimundo Nonato, quase às lágrimas:

      – Eu moro numa casinha caindo pru riba da mulé e dos meus déis sambudinho… Lá só tem um cômudo. De manêras qui é terrive vê aquele monte de minino dormindo uns prurriba dos ôtro. Cuma tô disimpregado, a situação ainda fica mais pió. A única coisa qui sarva nóis, mái ô mêno, é qui tenho uma vaquinha qui me foi dada de presente pelo cumpáde Zé Rúbis, qui dá um leitinho inté bom. Poquinho, mais sélve. Uquié qui eu faço, pai Dió?

       O macumbeiro soltou uma baforada do cachimbo, cerrou os olhos e falou pelo canto da boca:

        – Fáis o seguinte, fio… bota a vaca dentro de casa!

        O matuto assustou-se:

        – Mai num cabe nem mais um musquito, pai Dió!

        – Fais uqui tô mandando!

        Zé Raimundo obedeceu. Quinze dias depois voltou à casa da babalorixá. Depauperado, mal podendo equilibrar-se em cima do solado dos pés, ele disse com certa dificuldade:

          – Pai Dió, as coiza piorô! Minha vida agora é um inferno totá! Os minino e a mulé Tá tudo duente! O barraco fede tanto qui num dá pra aguentá. Tem bosta de vaca pra tudo quanto é lado!

          – Tira a vaca do barraco!

          Dia seguinte, olha o Zé Raimundo novamente no terreiro do velho Dionísio! Feliz da vida, ele desabafou:

           – Dessa vêis vim lhe agradecê, pai Dió! Minha casa agora tá uma beleza sem aquela vaca!

 

Ao pé da letra

      Pavoroso incêndio consumiu um pequeno prédio na periferia da cidade de Maceió. Infelizmente, os eficientes e heroicos bombeiros não tiveram como debelar as chamas. Quando eles chegaram ao local do sinistro o fogo já havia devorado o que tinha de devorar. No primeiro andar, verificando os destroços, os peritos encontraram apenas um morto. Justamente o português Francisco Prata, antigo morador do edifício sinistrado.

      O inditoso encontrava-se numa posição inusitada: de ponta cabeça, braço estirado e o dedo indicador em riste, apontava para um dos cantos do ambiente que não havia sido consumido pelas chamas. Ao seu lado, incrivelmente intacto, um extintor de incêndio com uma plaquinha amarradas à válvula de escape. Na plaquinha, a seguinte inscrição:

       “Em caso de incêndio, vire de cabeça para baixo e aponte para a chama”.

 

Todo cuidado é pouco!

      A cerimônia fúnebre de dona Maria Esquimózia chegou ao fim e o marido Hipérides chorou desesperadamente quando viu fecharem o caixão.

      Os carregadores estavam levando o ataúde para fora do velório no quando bateram numa parede, deixando-o cair no chão. Nesse momento todos escutaram um fraco lamento vindo de dentro do esquife. Ao abrí-lo, descobriram que Esquimózia estava viva!

      Ela viveu por mais dois anos e, então, morreu.

       Mas uma vez o velório foi realizado no mesmo lugar. Ao final dele, sob choro convulsivo do marido, os carregadores – os mesmíssimos da vez passada –, começaram a levar o caixão para fora. Quando eles se aproximavam da porta,  Hipérides, o marido, deu o maior berro:

        – ÊEEPA! CUIDADO COM A PAREDE, PELO AMOR DE DEUS!!!

 

Por pouco…

      Boazuda e bonitona, Margarete foi ao médico com o marido Anfilásio (que não a largava um só minuto), tratar de um suposto probleminha de saúde. Queixava-se, ela, de uma dorzinha no coração.

       O doutor ficou doidão quando a viu. Trancou-a imediatamente na sala de exames e pediu que ela tirasse a roupa. Margarete tirou numa boa.  Ao reparar naquele monumento de mulher toda nua na sua frente, o médico quase alucinou.

        O facultativo gastou duas horas e meia manipulando aquele corpo sensacional. Nada mais tendo o que examinar, mandou que a gostosura vestisse a roupa. Na despedida, ela abriu a boquinha linda, fez aquele beicinho e perguntou toda cheia de inocência:

        – Doutor, será que eu escapo?

        Ele olhou para a porta da sala de espera, onde o babaca do marido ficara esperando, e respondeu cheio de tara:

         – Desta vez, sim, porque você veio acompanhada.

 

Olha o respeito!

      Os amigos Esdrázulas e Louribaldo biritavam num barzinho da orla marítima, enquanto apreciavam o vai-e-vem das belas garotas que costumam fazer Cooper na área. Aí, Esdrázulas desabafou, em dado momento:

      – Quanta mulher boa, cara! Imagina uma dessas na cama, hein?

      Louribaldo rebateu, cheio de moral:

      – Prefiro a minha, sabe? Transo com ela todos os dias dentro do maior respeito, no tradicional…

      – No tradicional?!

      – É. Minha mulher se deita de barriga pra cima, abre as pernas, eu deito por cima dela e… pá,  pá, pá… É isso!

      – Ah, bicho, isso aí Adão e Eva faziam! Hoje tem mil posições… “Cachorrinho”, por exemplo!

      Louribaldo ficou curioso:

      “Cachorrinho”?! Como é isso?

      – Seguinte…  a mulher fica de quatro, você vem por trás e…crau! É gostoso demais! O pau entra até o talo, meu!

       Os dois terminaram de beber, Louribaldo montou no carro e enfiou o pé no acelerador, doido pra chegar em casa e encontrar a mulher  acordada.

        Encontrou! Mal botou o solado pés dentro de casa, ele gritou para ela:

        – Amor, hoje vamos transar igual aos cachorrinhos!

        E a mulher, com ar de preocupação:

        – Tá bem, tá certo. Não precisa gritar. Mas, pelo amor de Deus, na rua não! É melhor dentro de casa!