Ailton Villanova

25 de outubro de 2017

O inspetor atrapalhado

      Os irmãos Abdias e Abdulias Moreira ingressaram na vida bancária ainda garotões. Foram admitidos como contínuos, mediante concurso, num poderoso estabelecimento de crédito e logo progrediram dentro da instituição. Em menos de cinco anos ambos já eram gerentes – um no Nordeste e o outro no Centro-Oeste. Mas estavam sempre em contato um com o outro. Afinal, pra que serve telefone e outros instrumentos da moderna comunicação, hein?

      Um dia a fatalidade se abateu sobre os Moreira: Abdulias veio a falecer em decorrência de um infarto do miocárdio. Abdias abalou-se muito com a morte do mano querido e, como consequência, teve um acidente vascular cerebral (AVC) e quase foi também.

      Meses mais tarde, recuperado da enfermidade, mas meio esquecido das coisas, Abdias foi promovido a inspetor do banco e danou-se a viajar, a serviço, por esse Brasil afora.

      Quase vinte anos depois de ter saído de sua terra natal, eis que pintou de volta ao pedaço o Bidião velho de guerra, cumprindo missão oficial.

      Ah, esqueci de dizer que esse nosso herói, em função do AVC que sofreu, também ficou deficiente da visão. Seus óculos tinham mais grau do que luneta de astrônomo.

       Assim que bateu em Maceió, Abdias Moreira dirigiu-se ao local que julgava ser a agência do banco para o qual trabalhava. Assim que ingressou no ambiente, uma gentil funcionária apresentou-se para atendê-lo:

       – Pois não, senhor… que deseja?

       Abdias apertou os olhos e respondeu, cheio de moral:

        – Sou o inspetor. Vá chamar o gerente!

        O gerente chegou rapidinho. Bastante solícito, o rapaz convidou o inspetor a entrar em seu gabinete e sentar-se. Abriu a boca para dizer mais alguma coisa, Abdias interrompeu:

       – Disponho de pouco tempo, meu amigo. Estou de passagem para Aracaju, onde cumprirei semelhante compromisso…

       – Ah, sim…

       – Quero ver o movimento de caixa dos últimos trinta dias e a especificação de todo o numerário existente nesta agência.

       Depois de examinar um monte de papeis, passou a reclamar que tudo estava errado. Terminado o trabalho, começou a escrevinhar num bloco. Acabou, quis saber onde ficava o fax.

        – Não temos fax! – informou o gerente.

        – Não tem fax?! Então me veja aí um formulário de telegramas.

        – Também não temos, senhor…

        Aí, o inspetor Abdias não se conteve:

        – Mas isto aqui está uma verdadeira esculhambação! Não tem contabilidade de caixa, não tem fax, não tem formulário de telegrama…! Isso não me parece uma agência do Banco…

        O gerente então retrucou:

         – Mas quem foi que disse ao senhor que isto aqui é uma agencia bancária?

         – E não é não?

         – Claro que não. Isto aqui é uma joalheria, meu amigo!

 

O ceguinho do 69

      Gilberto Limoeiro é deficiente visual desde os 9 anos de idade, consequência de um sarampo brabo. O finado jornalista Valmir Calheiros o conheceu muito bem. Por sinal, foi ele, Valmir, que contou a história que vai papeada a seguir.

      Pois bem. Apesar de cego, Giba é um tremendo guerreiro e sempre viveu na boemia, rodeado de mulheres. Nos últimos tempos passou a experimentar uma fase filha da mãe de baixo astral. O mulherio escasseou no seu terreiro e ele começou a ficar apavorado.

      Um dia, no maior sufoco, ceguinho Giba pegou o telefone e ligou para um amigo, o Paulino “Galachué”, tremendo malandro e pilantra pra mais da conta:

       – Amigão! Me dá a dica de uma gata disponível. Tô afinzão, cara! Pense aí no sufoco!

       E o Galachué:

       – Conheço uma que dá na medida pra você, cara!

       – Que legal, meu!

       – Mas vá devagar com ela, certo? A pecinha é um bocado ingênua…

       – Se preocupe não, cara. Você sabe que eu sou gente fina. Me bota no pedaço dela e deixa o resto comigo…

       O pilantra levou o ceguinho Giba até o prédio de apartamentos onde reside a indigitada:

        – Agora, tu pega o elevador, desce no quarto andar, vira a direita e bate na segunda porta à esquerda. Deu pra entender?

        – Tranquilo, mano. Brigadão!

         Ceguinho Giba bateu na porta da mulher, que atendeu toda melíflua:

         – Que deseja?

         Ceguinho foi curto e grosso:

         – Trepar!

         – Entra!

         Ceguinho entrou sapecando:

          – Tá nua ou tá vestida?

          – Médio! Camisola de seda e nada por baixo.

          – Então, tira a camisola. Já tirou?

          – Tirei.

          – E como você está agora? 

          – Deitada no sofá

          – Ai, meu Deus!

          – Vem!

          Giba respirou fundo, desfez-se rapidinho das roupas e sapecou:

           – Agora, vamos degenerar! Você já fez “69”?

           A mulher respondeu algo desolada:

           – Ainda não. Só faço em dezembro…!

 

S.O.S Sogra

 

       Morador do 13º. andar de um edifício bacana da parte alta da cidade, um certo Louribaldo Moacir Marinho ligou desesperado para a oficina do mestre João Abelino:

        – Pelo amor de Deus, alguém aí me ajude!

        E o Abelino, já preocupdo:

        – O que é que tá acontecendo? Quem é que tá falando?

         – Aqui é o Louribaldo! Minha sora está querendo se tirar pela janela!

         – O senhor ligou errado, meu amigo! Aqui é da carpintaria do Abelino.

         E o Louribaldo, mais desesperado, ainda:

         – Por isso mesmo. É que a janela não quer abrir!