Ailton Villanova

11 de outubro de 2017

Amigos (nem sempre) sortudos

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      Amigões desde os tempos áureos do antigo (hoje bairro) distrito da Cambona, Benedito Barbosa (o Biu Bodão) e Miguel Batista (também conhecido como Nem) eram aficionados do jogo de azar, não importando a modalidade. Carteado, jogo-do-bicho… o escambau. Os jogos mais simples,  como o de damas, pingue-pongue e xadrez eles transformavam em competições de azar, nos quais as apostas eram altas.

        Desativada a fábrica de tecidos Alexandria, eles que eram operários da sobredita, se mudaram para a Ponta Grossa, onde não ficou biboca de jogatina que eles não tivessem frequentado. Certa noite, numa das quebradas do bairro, lá estava a dupla matando o tempo num carteado, quando surgiu no pedaço uma linda morena, com todas as curvas possíveis e imagináveis. Desinibida, ela aproximou-se dos dois e cumprimentou:

       – Olá meus queridos, tudo bem?

       E eles, uníssonos:

       – Tudo jóia!

       E ela, jogando mais charme e sensualidade pra cima dos caras:

       – Tô achando que hoje é o meu dia de sorte! Gostaria de jogar uma partidinha com vocês, pode ser?

      – Só se for agora! Mas tem uma coisa: a gente só aposta alto! – esclareceu Biu Bodão.

      – Duzentos paus, tá bom? – sugeriu a morena.

      – Pra começar, tá ótimo. O que vai ser?

      – Dados. Mas o único jeito de me dar sorte é jogar o dado sem a calcinha…

      – Sem a calcinha???!!! – vibrou o Nem. – Puxa, é o máximo!

      – Então, vamos lá!

      Assim dizendo, a morena tirou a calça comprida, depois a calcinha e, em seguida, jogou os dados na mesa.

      – Ganhei! – gritou ela, pegando o dinheiro e disparando porta a fora.

      E o Biu Bodão, encarando o Nem:

      – Qual o número que deu, hein, companheiro?

      E ele, frustradíssimo:

      – Como é que eu vou saber, Biu? Pensei que você estivesse olhando para os dados.

 

Viajando ao contrário

      Propagandista de remédios, o distinto Nilcláudio Barroso caminhava perdidão pelo interior agrestino, carregando uma pesada pasta cheia de “amostras grátis”, montado num par de sapatos empoeirados. Depois de caminhar léguas, cruzou com um matuto ao volante de uma caminhoneta barulhenta e saltitante. Deu com a mão, o cara parou o carro e ele perguntou:

      – Meu amigo, por favor, quanto tempo se leva pra chegar a Quebrangulo?

      E o matuto:

      – Ah, até  Quebrangulo vai mái ô meno hora e meia!

      – O senhor poderia me dar uma carona?

      – Apôis não! Possa assumbi!

      Depois de umas três horas na estrada, Barroso estranhou:

      – Mas o senhor não disse que era “mais ou menos hora e meia” até Quebrangulo? Nós estamos rodando há mais de três horas…!

      – Ah, isso é verdade! Só qui nóis tamo indo pra dereção contrára!

 

A mesma coisa!   

      O casal Libânio/Mauritânia estava completando 40 anos de matrimônio. Naquela noite, os dois pegavam uma fresca no alpendre de casa quando, de repente, Libânio saiu com essa pra cima da mulher:

      – Ô Mauritânia, o que você faria se eu morresse antes de você?

      Na hora, ela respondeu:

      – Bom, eu ia arrumar duas ou três mulheres solteiras ou viúvas para virem morar comigo. Escolheria outras quatro que fossem mais novas e bem dispostas que eu, para quebrar a monotonia. E você, Libânio, faria o quê?

      – A mesmíssima coisa que você!

 

Viu o concerto na marra!

      Oito horas da noite, um monte de gente se espremia na antiga praça Senhor do Bonfim, no Poço, para ver o concerto de violino de um certo Doutor Epifânio, maestro evangélico. Logo que o indigitado começou sua apresentação o público foi indo embora aos poucos. Quatro horas depois, o concertista olhou para a única pessoa da plateia e disse emocionado:

      – Gostaria de lhe agradecer por ter assistido meu concerto até o final…

      E o cara:

      – Tudo bem. Então, pelo amor de Deus me ajude a encontrar as minhas muletas!

 

Tudo joia com o cara!

      O malandro e pecador contumaz Antiógenes Arcânjo, o Curió, morreu num tiroteio com a polícia e, ninguém sabe explicar como!, ele foi parar no céu. Primeira coisa que fez, quando se viu lá em cima, foi procurar São Pedro, segundo consta das anotações de certo centro espírita local.

      – E aí, Pedrão, como é que vai ficar a minha situação nesta maravilha de paraíso? – perguntou, cheio de liberdade.

      E o guardião celestial:

      – O que você fazia na Terra, meu rapaz?

      – Eu era maconheiro, Pedrão!

      – Mas o que faz um maconheiro?

      – Fuma maconha, ora!

      – Espere um momentinho!

      São Pedro foi até Deus e perguntou-lhe se Ele conhecia aquela profissão e do que se tratava. Deus estava por fora do barato. Em assim sendo, orientou São Pedro no sentido de que ele enviasse à Terra um emissário de sua confiança para se informar direitinho a respeito da atividade de “maconheiro”. São Pedro mandou uma santa – cujo nome, por motivos óbvios, não pode ser revelado – para proceder a pesquisa. Só depois de três meses, ela ligou para São Pedro:

      – Oi, Pepê! Aqui é a santinha que tu mandate à Terra, tá ligado?

      E São Pedro, sem entender direito:

      – Como?

      – Olha, Pepê, diz aí pro Cabeça que o magrão tá liberado, falou?