Ailton Villanova

7 de outubro de 2017

Arquiteto já era! Viva o “tira”!

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      Quando a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) decidiu pelo encerramento do desinteressante e dispendioso curso de Tecnologia Açucareira, definiu, concomitantemente, que os alunos nele matriculados seriam distribuídos por outras áreas, naturalmente de acordo com a preferência de cada um deles e dentro dos limites impostos pela medida.

      Entre os universitários atingidos pela decisão encontrava-se Jorge Barbosa Almeida – ainda não conhecido como “Zé Colmeia”. Era apenas o “Caçota”. Então, esse distinto mancebo resolveu optar pela arquitetura, embora não tivesse a menor vocação para a área. E passou a ser colega de turma do meu filho Léo que, aos 16 anos, iniciava sua vida universitária.

      Para Jorge Barbosa, enfrentar uma prancheta tornou-se grande tortura na sua vida, já que a tarefa lhe exigia bastante intimidade com a régua, o lápis e o esquadro. Cadê que ele tinha?

      Suplício maior foi ter que enfrentar um certo professor Loureiro, chato pra cacete e exigente pacas. De cara, e gratuitamente, ele antipatizou com o Jorge e passou a hostilizá-lo e persegui-lo dentro e fora da sala de aula.  Naquele tempo, Jorge Barbosa era um rapaz bastante tímido, que mal abria a boca para falar. De modo que suportava, caladinho, as provocações do tal professor Loureiro. Até que, um dia, ele resolveu reagir. Mas, isso depois de ter ingressado na Polícia Civil, mediante concurso público. Aí, surgiu um novo Jorge Barbosa no cenário, inclusive já cognominado Zé Colméia, batismo esse, feito na Academia de Polícia.

      Todo mundo na Ufal estava sabendo que Jorge Barbosa havia virado tira, menos esse professor Loureiro, que tinha passado um semestre inteiro distante da turma a qual o ilustre aluno integrava. No dia em que  Loureiro voltou, foi, justo, para aplicar a prova final da matéria que lecionava.

       Mal pisou na sala de aula, Loureiro dirigiu-se ao Jorge, em tom ameaçador:

       – Olhe aqui, rapaz! Se você não se sair bem nessa prova irá se ferrar comigo! Veja lá, hein?

       O discípulo preferiu na dizer nada. Achou mais conveniente agir. De modo que, ao terminar a prova, ele sacou da cintura um pau-de-fogo do calibre .38, canela seca, colocou em cima da banca, encarou o professor (aquelas alturas mais branco do que cêra de vela) e sapecou:

       – Ô bicho, repare aí se acertei! Mas, repare direitinho, porque se não reparar como eu quero, já viu, né?

       E o professor tremendo mais do que vara verde:

       – Bê… bem… depois eu corrijo…

       – Você vai corrigir agora, seu porra!

       Loureiro passou um rabo de olho no trabuco em cima do tampo da carteira, abriu um riso amarelo e sem sequer olhar para o papel, respondeu:

        – Ora, mas você acertou tudo, meu bom rapaz! Parabéns!

        – Dá pra tirar 10?

        – Se dá? Rê, rê, rê… Dá até pra tirar mais!

        Jorge Barbosa desistiu do curso de arquitetura, ingressou na Faculdade de Direito, graduou-se numa boa, progrediu na carreira policial e hoje é um bravo delegado de polícia civil. É considerado o terror dos bandidos.

 

O “sessenta-e-nove”

      Matutão do pé de serra, Cícero Romão saiu de Dois Riachos – Sertão alagoano – e veio a Maceió visitar o primo Sebastião Romão, que aqui morava havia um tempão, na maior degeneração. Sebastião caíra na esbórnia depois que ficara viúvo.

      Mal aqui chegou, Cícero Romão foi levado pelo parente a conhecer a zona do meretrício do Jaraguá e saiu de lá escoladão. Aprendeu tudo quanto foi de sacanagem. Mas o que mais lhe impressionou foi o tal de “69”.

      Achou aquilo uma maravilha! Um negócio sensacional!

      Ao voltar pra casa, todo empolgado, semanas depois, chamou a esposa e contou:

      – Maria, tu caricia de vê uqui cunhici lá na capitá. Uma coisa maravilhosa, vixe! Chama “69”. Vâmo fazê?

      – Mai qui danado é isso, hômi?  É coisa de se cumê?

      – Bom, só posso ispricá na cama. Vamo?

      O casal foi pro quarto, deitou na cama e o marido começou a dar as coordenadas para a mulher:

       – Agora, tu tira a rôpa…

       – E carece?

       – Carece, cráro. Se num fô assim, o negóço num presta!

       Bom. Cícero colocou a mulher na posição estratégica (conforme é do conhecimento do caro leitor) e deitou-se ao contrário, por cima dela (não é assim, leitor?). Madame paradona, só na dela reparando no orifício anal do marido, subindo e descendo, abrindo e fechando, enquanto ele chamava na grande – zap, zap, zap…

        De repente, Cícero soltou um violento “pum” na cara da infeliz. Ela achou estranho, mas não disse nada.

         Entretanto, quando soltou o segundo “pum”, madame levantou-se de um pinote e esbravejou:

          – Os ôtro sessenta e sete você vai sortá na cara da veínha sua mãe, seu peidão fidapeste!