Ailton Villanova

6 de outubro de 2017

UMA LIÇÃO DE SUBORNO

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      O suborno, irmão gêmeo da corrupção, não é coisa de hoje, meus amigos. Ele existe desde o começo da civilização. Essa prática, foi incrementada nos tempos atuais pelos políticos, que ficaram mais safados, mais sacanas, mais ladrões e mais ambiciosos. A História Universal registra milhares, centenas de milhares, de subornos famosos em tudo quanto é canto do mundo. A ilicitude desse ato voltou a ser encarada mais a sério, graças a coragem de jovens procuradores e juízes, os quais que têm mandado pra cadeia, delinquentes graúdos que se achavam intocáveis.

      A propósito disso, recordo que existiu no interior de Alagoas um fazendeiro iletrado chamado Eufrásio Ferreira, que era chegado a um subornozinho. Possuidor de uma bela grana folgada no bolso, ele achava que podia comprar tudo – como os caras da Odebrecht, por exemplo –, mormente a consciência de políticos corruptos. Em alguns casos até que se deu bem, como esse que vai abaixo contado.

      Eufrásio andava em litígio com outro latifundiário, o “major” Olindino Tancredo, por causa de uma fatia de terra poeirenta e acidentada, encravada no alto Sertão. Tancredo acusava Eufrásio de haver invadido sua propriedade e o caso foi parar na Justiça. Para se defender, o fazendeiro corrupto contratou um advogado famoso, o doutor Astrogildo Novais. A época era natalina e o indefectível Eufrásio chegou pro causídico e se abriu:

      – Dotô, eu tava aqui assuntando… Cuma o Natár é adispois de amenhã, uqui vosmicê acha de nóis mandá um leitãozinho pro dotô juiz?

       Honestíssimo, doutor Novais reagiu indignado:

       – Pelo amor de Deus, seu Eufrásio, não faça isso de jeito nenhum! Esse juiz é o cidadão mais decente, correto e honesto que pode existir neste mundo. Se o senhor mandar o leitão de presente pra ele, aí é que nós perderemos a causa. Tire já essa ideia da cabeça!

      Passou-se o período natalino, acabaram-se as férias forenses e, finalmente, chegou o dia de o magistrado prolatar a sentença. E ele deu ganho de causa ao velho corrupto.

      Dia seguinte ao do anúncio da sentença, Eufrásio correu lépido e fagueiro para o escritório do advogado e desabafou:

      – Eu bem qui aduvinhei qui o negóço do leitãozinho ia dá certo!

      O advogado quase desmaiou quando ouviu esse papo. Segundos depois, refeito do susto, rebateu cheio de aflição:

      – Ah, meu Jesus! O senhor não venha me dizer que mandou o leitão para o juiz…!

      – Mandei-lo! Mandei-lo, doutor! – confirmou Eufrásio com ar inteligente. – Mas mandei-lo em nome do adivelsáro!

 

Ladrão infeliz

      Boêmio notório, o Geltrúdio Otelo reparou no relógio, levantou-se da cadeira que ocupava no Bar do Duda e discursou para os seus companheiros de farra, que se achavam em volta:

      – Meus chapas, por hoje chega!

      Todos reagiram:

       – O quêêê? Você já parou de beber?!

       – Por hoje basta! Vou correndo pra casa!

       – Você está doente, meu irmão? – preocupou-se um dos farristas.

       E o Geltrúdio:

       – Não é nada disso. É que eu não quero levar uma porrada. Vocês não sabem o que aconteceu ontem, quando eu estava aqui biritando.

       – O que foi? – indagou o mesmo parceiro.

       – Entrou um ladrão lá em casa!

       – Putamerda! Coitada da tua mulher! Deve ter passado pelo maior sufoco, hein?

       – Aí é que está. Coitado do bandido! O cara levou a maior porrada no pau da venta, que ficou toda esbagaçada. Minha mulher pensou que era eu chegando. Sacaram agora o meu drama?

 

Velhinho danado!

      Seu Godofredo Barroso morreu com quase 100 anos de idade – mais precisamente 99. Mas não foi de doença, se querem saber. Esse negócio de enfermidade não era com seu Godô. Ele morreu na trombada de um ônibus com um trem. Deixou viúva, a belíssima Maria Aparecida, quando esta se achava no auge de sua forma, aos 25 aninhos. E como sofreu a criatura!

       O velho Godô foi um caso raro. Quando ele tinha 84 anos, procurou o médico Latércio Villanova, todo cheio de preocupação:

      – Meu filho, acho que tô ficando impotente!

      E Latércio, que conhecia o velho muito bem, começou a ficar assustado:

       – Não é possível, seu Godô!

       – Estou falando sério, meu rapaz!

       – Quando foi que o senhor percebeu isso?

       E o vetusto:

       – Ontem de tarde, depois de duas trepadas. De noite, uma falhada na terceira… E hoje cedo também.

 

Uma boca e tanto!

      Cidadão modesto, morador dos confins do Tabuleiro do Pinto, seu Getúlio Pitombeira procurou o saudoso odontólogo Leopoldo Fragoso, para encomendar uma prótese dentária. Doutor Léo mandou chamar o protético Juvemar Omena e pediu que ele caprichasse na “perereca” do velhusco.

       A prótese ficou pronta depressinha. Um dia depois de inaugurá-la, seu Getúlio voltou ao gabinete dentário do grande Leopoldo:

       – Doutor, a dentadura tá muito grande! Não serve!

       E Léo Fragoso:

       – É impressão sua, seu Getúlio. É que o senhor não está acostumado… é natural. Com o tempo, a sua boca vai se adaptar a esse corpo estranho e o senhor não vai mais achar que a prótese está grande. Ela foi feita sob medida.

       E seu Getúlio:

       – Mas eu não tô falando que a dentadura tá grande pra boca, doutor. Ela tá grande demais é pro copo!