Ailton Villanova

28 de setembro de 2017

Chifrou e nem deixou recado!

 Houve um tempo em que o baixinho Rodizonato Correia foi um cracaço no bate-bola. Perninhas tortinhas, cabelinho caindo na testa, ele lembrava muito o finado Garrincha – menos no detalhe do cabelo –, o maior de todos os jogadores de futebol do seu tempo, incluindo aí o tal de nego Pelé. Em caráter, aí era que ganhava disparado!

      Nos tempos de sucesso, quando Rodizonato partia pra cima do adversário com a pelota dominada, o drible saía de todo jeito: de banda, pra frente, pra trás, pra cima, pra baixo… Ainda hoje o seu futebol é considerado um pouquinho melhor que o do garotão Neymar. Manjou no terror?

      Os anos foram se passando e Rodizonato caindo de produção dentro das quatro linhas do gramado, e no leito conjugal, que dividia com a morena Gardênia, cujo corpo era uma tentação. Quanto a esse particular, segundo as más línguas, o motivo de sua derrocada foi o mal chamado “cornagem”. A cabeça deu para ficar pesada e a cair para frente.

        Certa noite, depois de bater pernas pelo mundo à procura de um time para mostrar o que ainda lhe restava de futebol, ele voltou tristonho pra  casa. Ao entrar no ambiente doméstico, encontrou a amada Gardênia soluçando num canto da sala e o apartamento todo bagunçado. Até parecia que um terremoto havia passado por ali.

        – O que houve minha filha?! – perguntou ele à chorosa cara-metade.

        E ela, histérica, cheia de lágrimas:

        – Foi o Aurélio… Foi o Aurélio! Ele… ele…

        – O Aurélio? O meu empresário?

        – Sim, meu amor… Sim!

        – O que foi que ele fez com você, além de bagunçar a casa toda?

        – Oh, meu amor… eu lutei tanto!

        – Lutou?

        – Lutei! O Aurélio chegou aqui e casa procurando por você, dizendo que tinha um assunto importante pra lhe falar. Ao me ver sozinha… muito à vontade e indefesa, então ele… Oh, foi horrível!

        – Ele fez o que com você? Me responda!

        – Me estuprou!

        – Sim, tá certo. E não deixou nem um recado pra mim? Não disse nem se tinha arrumado um time pra eu jogar?

 

Grande solução

      No barzinho à beira-mar os amigos Gilcofredo e Rodiberto mandavam ver na cervejinha gelada, enquanto jogavam conversa fora. Em dado momento, Gilcofredo anunciou com ar triunfal:

      – Sabe, parêia, minha vida sexual melhorou consideravelmente depois que minha mulher e eu resolvemos mudar para camas de solteiro.

      – Camas separadas?

       – Isso.

       – E aí, como é ficou o barato?

       – Ela fica na cama dela, em Marechal Deodoro, e eu na minha, aqui em Maceió.

 

Morto-vivo

       O médico Nilton Jorge Melo (antigo cronista esportivo) atendia ao telefone, em seu consultório:

        – Olha, dona Hipotenusa, não é preciso que eu vá até aí. Verifiquei os arquivos e seu marido não tem problema de saúde algum! Ele apenas pensa que está doente, entende?

        – Uma semana depois, dona Hipotenusa voltou a ligar pro Nilton Jorge e ele se antecipou:

        – E aí, dona Hipotenusa, como vai o seu Arnulpho?

        – Péssimo, doutor. Agora ele pensa que está morto!

 

Remédio para dois

      Seu Orpheu de Sá, 89 anos, explicava sua situação ao médico Latércio Villanova:

       – Repare bem, doutor… Eu me casei há mais de seis meses com a Lucinha, uma garota maravilhosa de 22 aninhos, mas, todas as noites, quando a gente se deita, eu não consigo ficar acordado. Agarro no sono ligeirinho!

       E o Lalá, digo, o doutor:

       – Tenho uma excelente solução para o seu caso. Vou lhe prescrever uma receita…

       O velho animou-se:

       – Eita, doutor! Quer dizer que eu agora vou ser capaz de…

       – Não. Infelizmente não posso fazer nada quanto a isso, seu Orpheu. Mas lhe garanto que ela agora também irá dormir ligeirinho…

 

Mal intencionada

       Correinha, aquele corno ilustre que tem uma mulher pra lá de gostosa, teve de viajar para fora do estado (ele sempre viaja) e sua digníssima consorte convidou o Lourival, amigo do casal, para tomar um cafezinho com ela. Claro que ele foi!

        Estava lá o visitante saboreando o cafezinho com a atraente anfitriã, quando ela avisou, cheia de dengo e más intenções:

        – Olha, Louro, se não me engano, o Correínha ficou de voltar de viagem esta noite, lá pelas nove…

        O visitante olhou para o relógio, que marcava oito e meia, e comentou:

         – Tudo bem. A gente não está fazendo nada demais, não é mesmo?

         E a gostosura:

         – Mas ainda dá tempo, certo?

 

Os filhinhos dos papais

      Dois figurões, donos de indústrias de confecções, jantavam num restaurante chiquérrimo, tempo em que conversava a respeito dos seus respectivos filhos:

       – Meu filho é um problema, Carlos Alberto! – dizia o primeiro. – Eu lhe dou um salário de 40 mil, mas você pensa que ele se esforça? Ele passa as noites fora, só vai trabalhar depois do almoço e aí passa o resto do dia fazendo asneiras com as modelos lá no vestiário!

       E o Carlos Alberto:

       – Você acha que isso é problema, Luís? O meu filho é bem pior. Ganha o mesmo que o seu, sai todas as noites, só vai trabalhar ao meio dia e passa o resto do dia fazendo besteira com os modelos no vestiário.

       – Não vejo em que ele é pior.

       – Você se esqueceu? Eu trabalho com roupas masculinas.