Ailton Villanova

27 de setembro de 2017

Não teve outro jeito

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  O DISTINTO José Ignácio Pereira (o Pereirinha) passou o final de semana inteirinho na gandaia, agarrado com um monte de quengas. Quando se lembrou de voltar pra casa já era madrugada da segunda-feira. Bateu na testa e exclamou:

       – Putaquipariu! Me lasquei! No mínimo, vou levar um esbregue da Odalícia!

      Caindo de sono, Zé Ignácio entrou em casa exatamente às três e meia da madrugada, pisando de leve, pé ante pé. Sentou-se na cama devagarinho e quando tirava os sapatos para puxar aquele ronco, dona Odalícia acordou:

       – Oh, meu filho, por que você está se arrumando para sair tão cedo?

       E ele, lascado da  vida, tornou a calçar os sapatos e respondeu:

       – Estou indo para o mercado, meu amor…

       Mal pisou na calçada, de volta à rua, caiu estatelado no chão. De sono.

 

Não é nada…

     Cada vez mais redondinha, a baixinha Tercilinha Cabral, praticamente minha vizinha, resolveu ir ao endocrinologista, porque estava se sentindo pesadinha. Doutor Dirceu Augusto, o referido, passou hora e meia examinando aquele pedacinho de gente e quando acabou a tarefa, soltou um longo suspiro e balançou a cabeça, desanimado.

      Ao reparar no gesto do médico, Tercilinha entrou em pânico:

      – O que eu tenho é grave, doutor?

      E ele:

      – Não… não. Nada grave. Mas, para os seus 90 quilos você deveria ter pelo menos um metro e noventa centímetros de altura.

       Tercilinha mede apenas 1 metro vírgula 05. Quase anã.

 

Dinheiro no rabo

      Colega meu, perito criminal no estado do Maranhão, o Rozuel Garrido querido José Sarney (tá lembrado dele, Gama?) adquiriu um pacote de turismo e se mandou de São Luiz com destino à Europa. Recém-divorciado (pela enésima vez), levava mil planos na cachola para executá-los assim que assentasse os solados dos pés em Paris, sua primeira parada naquele continente.

       Ao ingressar no Hotel Le Parisièn, localizado às margens do rio Sena, Rozuel Garrido bateu o olho numa morena sensacional, que tinha toda pinta de brasileira, e partiu pra cima dela:

       – E aí, gatinha, você fala a minha língua?

       – Mas é claro, meu rei! Sou baiana! – respondeu a criatura.

       Caíra a sopa no mel. A dona era de programa e o colega, então, agarrou-a pela cintura e subiu com ela ao apartamento. Não demorou muito, eclodiu o maior escândalo. A baiana gritava a plenos pulmões:

        – Enfia no rabo! Enfia essa merda no rabo!

       Na manhã seguinte, a turistada que se hospedara com Garrido no mesmo hotel, olhava para ele meio atravessado. Um dos hóspedes, o professor Allen Cord, cheio de curiosidade, jogou uma “verde” objetivando saber o motivo daquele escândalo todo:

       – A transa de ontem à noite foi da pesada, não foi doutor Garrido?  Escutei a mulher gritando feito uma louca, pedindo pra você botar no rabo dela! O que foi que houve? Você não estava querendo?

       E o meu colega:

       – Não foi nada disso! O que ela estava querendo era que eu enfiasse o dinheiro no cu…

        – O dinheiro?!

        – Sim. Eu tentei pagar a ela com notas de Real!

 

Espertinha até demais!

       Do tipo mignon, Maria Edite, a Ditinha, era a coisa mais fofa do mundo.

        Ingenuazinha, promovia a alegria da rapaziada do trecho de rua onde morava, no Alto Conceição, bairro Farol. Certo dia, muito descontraída, ela se achava trepada numa mangueira, plantada atrás de sua casa enquanto, embaixo, um monte de meninos fazia aquela festa!           

        Observando aquela movimentação toda no fundo do seu quintal, dona Euribalda, a genitora de Ditinha, correu para ver o que estava se passando ali. Sua presença no local provocou a debandada da turma. Foi menino espirrar pra todo lado. Por causa disso, dona Euribalda chamou sua filha à atenção:

         – Você precisa deixar de ser boba, meu amor. Aquele monte de garotos embaixo da mangueira não queria outra coisa senão reparar na sua calcinha!

          E Ditinha, com a maior cara de felicidade:

           – Ah, maínha… pensa mesmo que eu sou besta? Fui mais esperta que eles! Tirei a calcinha antes de subir! Ra… ra… ra…

 

Prontamente atendido!

 

       O finado Aílton Rosalvo, meu colega de perícias forenses, era legista do Instituto Médico Legal de Maceió e clínico do SUS.  Certa manhã, logo cedo, ao chegar para o expediente no IML, ele foi abordado por um cidadão de aspecto cadavérico:

       – Eu estrava esperando para falar com o senhor, doutor… – disse o cidadão.

       – Pois não, meu santo, pode falar. – respondeu o perito.

       – Sabe, doutor… eu gostaria que o senhor me arrumasse um atestado médico pra eu justificar minha falta ao trabalho…

       Rosalvo, que era um tremendo gozador, examinou o infeliz de cima abaixo e respondeu:

       – Por que não leva logo um atestado de óbito?

       O pobre homem levou a sério a sugestão do esculápio. Sem maiores delongas, ele esticou as canelas, ali mesmo, na frente do médico.

       Morreu infartado.