Ailton Villanova

21 de setembro de 2017

Problema era o médico!

Nascido e criado no Mutange, contemporâneo de Paranhos, Jorginho Siri, Mané Carangueijo (irmão de Jorginho), Neu, Gernand e outros craques azulinos do passado, o popular Alcidônio Ferreira (Cidão) não passou do time reserva do CSA. Atuava na posição de zagueiro direito, substituindo o titular da posição, um “caboco” parrudo intitulado Tonhão, que morava no Bom Parto.

      Enquanto os atletas acima citados eram glorificados, o Cidão cumpria horários no Mercado Público Municipal, bairro Levada, na função de auxiliar de escritório, com direito apenas a uma folga quinzenal, porque seu chefe, Antônio Pedrosa, era caxias demais, só lhe permitindo duas horas por semana para correr atrás de uma bola, no campo do CSA.

      Alcidônio aposentou-se anos mais tarde como apontador, sem direito a adicionais. Com a graninha que economizou, instalou uma banca de verduras no mercado e viveu tranquilo até que começou a sentir umas dores estranhas no estomago e nas costas. Ele fez tudo para não cair nas mãos do médico, mas caiu. O facultativo pediu uns exames em “edição extraordinária” e quando os teve nas mãos, encaminhou o paciente ao hospital com a recomendação de “cirurgia urgente”. Cidão ainda passou por uns exames complementares e, no fim destes, olha ele estirado num leito hospitalar!

       Alcidônio Ferreira aguardava a hora de entrar na sala de cirurgia quando sua mulher chegou para lhe dar uma força. Observando que ele estava muito tenso, madame indagou:

      – O que está acontecendo com você, meu velho? Está preocupado?

      – Demais, minha nega! Demais!

      – Tudo vai dar certo. Mas por que tanta preocupação, me diga!

      – É que o médico que vai me operar e a enfermeira estiveram aqui há pouco. Durante todo o tempo a enfermeira dizia coisas como “Não fique assim”, “O que aconteceu de ruim das outras vezes não vai se repetir hoje”, “Foi o destino que quis assim”, “Essa cirurgia vai ser diferente”, “Dessa vez tudo vai dar certo”, “Pensamento positivo”, etc, etc…

       E a mulher:

       – Ora meu velho, você devia agradecer à enfermeira por ter lhe dado tanto incentivo!

        – É, mas ela estava falando essas coisas era para o médico, não pra mim!

 

Nova opção  

       Naquele dia 12 de setembro, Vilmomar e Astralina estavam completando 15 anos de casados. Acabaram de deitar e ela, toda esperançosa, segurava o sono, aguardando alguma iniciativa do marido. Ele, indiferente, lia um livro.

        De repente, a mão do Vildomar – a que estava livre, naturalmente –, começou a deslizar pelo corpo da esposa até chegar a sua parte íntima, quer dizer, a genitália dela. O marido acariciou a região por alguns segundos e finalmente parou.

       Astralina se virou para o Vildonar e perguntou:

       – Só isso, amor?!

       – “Só isso” o quê?

       E ela:

       – Você me acaricia por 5 segundos e depois para! Não acha isso muito pouco?

       O cara se justificou:

        – Não acho. Eu só queria molhar a ponta do dedo para virar a página do livro.

 

“Carreteiro”, nunca!

      Para motoristas de carretas, caminhões e afins, que cruzam este Brasilzão de Norte a Sul e de Leste a Oeste, transportando o progresso, não tem prato melhor, além de prático, que o “carreteiro”, mistura de arroz temperado, com linguiça picada, tomate, coentro, farofa, ovo cozido… e algo mais a gosto do freguês. É uma delícia! O cara come até cair!

       Caminhoneiro que se preza nunca deixa de ter na sua bagagem ingredientes para um bom “arroz carreteiro”. Pois um dia, o profissional do volante Aristarco Olintho, motorista de carreta e exímio preparador da citada iguaria, viajava de volta a Maceió ao volante do seu possante Mercedes-Benz quando no meio do caminho, ali pelas imediações de Propriá, bateu-lhe uma fome danada. O que fez, então? Ao invés de procurar uma churrascaria, ele encostou o auto-carga na sombra de uma árvore frondosa a beira da rodovia, desceu do sobredito e preparou um “carreteiro” no capricho. Comeu demais e ainda sobrou um bocadão. “Mas jogar esse resto de comida fora, não está direito!” – pensou Aristarco com seus botões. Então, decidiu que ofereceria a gostosura ao primeiro necessitado que encontrasse na estrada. E mandou o pé no acelerador.

      Em território alagoano, já próximo de São Miguel dos Campos, Aristarco avistou à beira da estrada um matuto com cara de faminto, encostado numa porteira. Parou a carreta, pegou a panela com a comida, desceu da boleia e falou para o pobre coitado:

      – Boa tarde, amigo…

      – Bá tarde, sinhô…

      – Tudo bom com o senhor?

      – Tudo bom, grazadeus!

      Aí, o caminhoneiro exibiu a panela com o arroz e perguntou:

      – O amigo tá a fim de comer um “carreteiro”?

      O matuto olhou para o caminhoneiro com desdém e respondeu:

       – Quero não. Brigadinho. Cu de carretêro num tá cum nada. Só tem morróida!