Ailton Villanova

16 de setembro de 2017

A cueca do Super…

a cueca do super 600x300 c - A cueca do Super...

 O distinto cidadão intitulado Moaclides Bezerra, ou simplesmente Môa, é um grande apreciador daquele líquido que pinto não bebe. Por conta disso, passou um final de semana inteirinho biritando adoidado pelas quebradas de Maceió. Saíra de casa na sexta-feira, cerca do meio-dia, e só entendeu de voltar na segunda-feira seguinte, de manhãzinha, no maior pileque.

       Dona Isaltina, a esposa, estava fazendo o café para o desjejum, quando o Môa embocou porta a dentro, mal se equilibrando em cima das canelas. Ela o olhou de cima abaixo e disparou, em tom crítico:

       – Chegando a esta hora, não é super-homem? Se acanha não, super-homem?

       Môa passou cambaleando pela mulher, abriu a geladeira, tirou um litro d’água, que bebeu todinho, voltou sobre os próprios passos, entrou no quarto e se jogou na cama. Daí a pouco, dona Isaltina estava no seu pé de ouvido:

        – Ei, super-homem, você vai dormir sem comer nada? Ou já comeu na rua, super-homem?

        Môa permaneceu calado e dona Isaltina insistindo:

        – Vai dormir com roupa e tudo, super-homem?

        Aí a paciência do Môa chegou ao limite e ele explodiu:

        – Porra, mulher! Que história é essa de ficar o tempo todo me chamando de super-homem?

        E dona Isaltina, com cara de gaiata:

        – Pôr que ele é o único babaca que conheço que usa a cueca por cima da calça. Ainda por cima, vermelha, rararaaa

 

Rapé perigoso  

      Seu Abrôncio Algaroba era um sertanejo de muitos quilômetros rodados, que negociava com raízes de paus e ervas para remédio, na feira livre de Arapiraca. Também era do seu repertório o rapé mais famoso do Agreste.

      Certa feita, encontrava-se seu Abrôncio na santa paz, expondo à venda os seus produtos quando surgiu diante de sua pessoa um matuto com um chapelão pai d’égua enfiado na cabeça:

       – Vosmicê tem rapé aí, meu véio?

       – Tenho. E do mais milhó! – respondeu o feirante.

       Atendido, o matuto deu uma fungada no pó de fumo e, na mesma hora, soltou um espirro acompanhado de um pum estrondoso. Meio sem jeito, disse pro feirante:

        – Que mal lhe obselve, e cum a devida descurpa, esse rapé tá meio fraco! Será qui vosmicê tem aí um mais fortezinho?

        E seu Abrôncio coçando a barba:

        – Hôme, mais forte inté qui tenho, num sabe? Mas do jeito qui o seu fiofó tá forgado, o amigo fique certo de qui cum esse ôtro rapé, adispois da premêra fungada a merda véia vai avuá pra todo lado!

 

Apanhou de graça

      O capoteiro Climério Raposo também conhecido  como Merinho da Lona, voltou pra casa de madrugada, mais bêbado do que gambá, e deu de cara com a mulher, dona Filárdia, espichada no sofá, assistindo televisão. Primeira coisa que ela disse quando viu o marido entrar, foi a seguinte:

      – Ôxi! O que foi que houve com o seu olho, que está estufado desse jeito? Andou brigando, ou foi atropelado?

      E Merinho da Lona, amparando o olho rôxo:

      – Tremendo dum azar, mulher! Eu estava parado na porta do bar quando dois caras começaram a discutir. De repente, um deles sapecou um soco na cara do outro. Aí, esse outro se abaixou e a porrada pegou justamente aqui no olho. O soco foi tão violento que caí estatelado no chão!

      – Quer dizer que você levou esse soco de graça…!

      – Ô mulher infeliz… é claro que foi de graça! E você queria que eu ainda pagasse depois de ter apanhado?

 

Santo ou tatu?

      O baixinho José Roberto Paixão, vulgo “Zezito Meia Grama”, tinha acabado de comprar  uma estatueta do Padre Cícero na feira de artesanato da praia de Pajuçara e passava com ela embaixo do braço, pela pracinha dos “Sete Coqueiros” (que na verdade são treze), quando escutou o chamado:

      – Ei, psiu! Ei, amigão!

      – Eu?

      – Sim, você! Faz favor…

      Meia Grama aproximou-se do estranho e perguntou:

      – O que é que você quer?

      E o estranho, mal se sustentando em  pé, devido o seu estado de embriaguez:

      – Mê dá um tiquinho dessa Coca litro aí, ó… Tô com uma sede lascada!

      Meia Grama reagiu, indignado:

      – Você tá maluco, cara? Onde é que você está vendo Coca litro por aqui?

      – Olha ela aí, debaixo do seu sovaco!

      – Mais respeito, viu? Isto aqui é uma imagem do meu Padrinho Ciço!

      – Seu padrinho? Ôxi!

      – Ô ignorante, ele é um santo homem que nasceu no Ceará, mais precisamente no Juazeiro, foi criado no Juazeiro, foi padre no Juazeiro, morreu no Juazeiro, foi enterrado no Juazeiro e três meses depois apareceu para um monte de fiéis, no Crato, também no estado do Ceará!

       E o bebaço, de olho arregalado:

       – Virge Minha Nossa Senhora! Esse seu padrinho é um santo ou é um tatu?