Ailton Villanova

15 de setembro de 2017

Se balançar um pouco mais…

   No início de sua carreira de delegado de polícia civil, doutor Cícero Firmiano teve a honra e o prazer de ser o titular da principal delegacia de polícia de sua cidade natal: Arapiraca.

      Belo dia, eis que ele se achava no plantão domingueiro quando pintou um rolo danado na repartição policial. A bronca era acusação de estupro. A presumida vítima e o acusado, menores de idade. A mãe da vítima acusava de um lado e a genitora do suposto ofensor defendia do outro. E Firmiano metido nesse imprensado. O bate boca estava esquentando quando ele, finalmente, resolveu colocar ordem na casa:

 

      – Um momento, minhas senhoras! Fala uma de cada vez! Nessa confusão toda ninguém vai conseguir se entender. Fala primeiro a mãe do menino…

 

      A mulher ajeitou-se na cadeira e mandou:

 

      – Pois é, doutor, meu filho não é nenhum tarado. O coitadinho não fez nenhuma “severgonheza” com a filha dessa mulher. Isso é uma grande calúnia!

 

      E a outra, atropelando a ordem do delegado:

 

       – Fez! Fez severgonheza, sim! Fez, fez!

 

       E doutor Firmiano botando moral:

 

       – Eu não já pedi para a senhora calar a boca? Quando chegar a sua vez, a senhora fala! A palavra continua com a genitora do garoto…

 

       A prefalada mãe prosseguiu:

 

       – Meu filho é inocente, doutor! Ele só tem 12 anos e ainda não é capaz de fazer uma coisa feia dessas! Vou lhe mostrar a pintinha dele!

 

        Juntando ação à palavra, a mulher baixou o ziper da calça do menor, puxou a pecinha dele pra fora, segurou e balançou, dizendo:

 

         – Olhe aqui, doutor! Tá vendo só como ela é pequenininha?

 

         Outra balançada.

 

         – Repare direitinho, doutor! – insistiu a madame.

 

         Muito encabulado, o menino interferiu:

 

         – Mãe… é melhor a senhora botar esse negócio pra dentro, senão a gente vai acabar perdendo a razão…

 

A cobra era falecida!

      O Clayton Catalano sempre foi um cabra presepeiro. Outro dia, ele e uns amigos saíram para uma caçada lá pelas bandas de Murici. Entre esses amigos, encontrava-se um rapaz chamado Ezequiel, boa pinta, apreciador danado de uma “loura suada”. Bom, além de bonitoso, Ezequiel era um tremendo boa vida. Enquanto os amigos se embrenhavam na mata à procura de caça, ele permanecia espichado debaixo de uma frondosa árvore, só chamando a cervejinha pra dentro da pança.

 

      O isopor cheio de gelo e cerveja, até a tampa, que a turma tinha levado, já estava quase vazio, fato que desagradou os caçadores.

 

      – Pô, esse cara não quer saber de nada, a não ser consumir a nossa cerveja! – reclamou um dos rapazes.

 

     – Esse bonitão aí veio pra caçar ou pra beber? – censurou outro.

 

     Clayton Catalano pediu calma aos colegas e explicou que iria armar “uma boa” pra cima do folgado.

 

      E caiu a sopa no mel. Encontraram uma jiboia dando bobeira, e a assassinaram na base da porrada. Em seguida, enrodilharam a bicha no pescoço do folgado. Enquanto ele permanecia roncando, escorado na árvore, Clayton Catalano dava garra de um garfo e aplicava uma espetada na canela dele, acrescentando, na base do grito:

 

      – Olha a cobra!

 

      Ezequiel deu um pinote de olho arregalado e o Catalano completou a encenação:

 

      – Acudam, que o Ezequiel está sendo atacado por uma serpente venenosa!

 

      Horas mais tarde, continuava sendo tarefa dificílima para turma limpar o Ezequiel de todo o cocozão que ele botou pra fora… do medo medonho que teve!

 

Engravidar, nunca!

      A linda Magaly foi criada com muito esmero. Educadíssima, bastante prendada, entretanto analfabeta em matéria de sexo, casou-se zerada com o parente distante chamado Ronaldo Feliciano, sujeito bastante rodado nas estradas da vida.

 

      Recorde-se, por oportuno, que na véspera do casamento, sua zelosa mãe, dona Nivalda, chamou-a num canto e a advertiu:

 

      – Olha, minha filha, quando o seu marido pedir para você virar, não atenda nunca! Jamais!

      – Sim, maínha. Pode deixar!

 

      Mas o escolado e malandro do Ronaldo Feliciano nada de pedir para a mulherzinha virar. E a mãe volta várias vezes ao assunto, sempre aconselhando:

 

       – Não vire, hein? Se ele pedir… nunca! Jamais!

       – Sim, maínha!

 

        Os tempos passaram. Certa noite, a ingênua Magaly morta de curiosidade resolveu esclarecer a grande dúvida com o marido:

 

         – Amor… será que você nunca vai me pedir que eu vire?

 

         E ele:

 

         – Você está louca, mulher?! Está querendo engravidar?! Está muito cedo, ainda!

 

A mulher era outra!

      O Lisóstomo Urupemba está pinoteado de casa desde o último final de semana. Por nada não. Apenas porque o seu colega de trabalho Albertínio Cançado, que é um cara desligadão e metido a galanteador, achou de confundir dona Auriolândia, a esposa do referenciado colega, com outra mulher. Aí, o pau quebrou nas costas do infeliz!

      A história é a seguinte: encontrava-se o Lisóstomo saindo do supermercado acompanhado da esposa e se dirigia ao estacionamento para pegar o carro quando, para sua infelicidade, deu de cara com o Albertínio e fez, então, uma coisa que jamais deveria ter feito:

       – Albertínio, esta é a minha esposa…

       E o amigo, na maior educação:

       – Já tive o prazer de conhecê-la antes!

       – Já?! Eu não me lembro de tê-la apresentado!

       E o Albertínio, elogiativo, falando unicamente para a madame:

       – Inclusive, devo dizer que a senhora está cada vez mais linda! Na última vez que a vi, na praia do Francês, agarradinha com este safadão aqui, naquele amor todo, a senhora estava morena, ou melhor, de cabelos pretos. Mas, aqui pra nós, com o devido respeito, a senhora realça mais, fica mais linda com esses cabelos louros!

      Como nunca foi morena na vida e jamais andou se agarrando com o marido na praia do Francês, dona Auriolândia só poderia concluir que a mulher a que o Albertínio se referiu era outra. Em decorrência disso, tomou a iniciativa de aplicar um corretivo no safado do marido traidor. Lá mesmo, no estacionamento do supermercado. Com direito a plateia e tudo o mais.