Ailton Villanova

6 de setembro de 2017

Casal pecador

      Dissidente de notória facção evangélica, o pastor Atahualpa Gameleira criou a sua específica comunidade e a denominou “Igreja Evangélica do Amor Divino (IEAD)”. A partir daí, ele próprio se encarregou de selecionar os seus adeptos. Numa tarde de sábado, reuniu-se com três dos primeiros casais de candidatos a admissão à nova igreja. Os referidos eram assim constituídos: o primeiro de velhinhos, o segundo de meia-idade e o terceiro de recém-casados. Atahualpa então deu o recado:

      – Nós temos exigências especiais para novos seguidores de nossa doutrina…

      – Que exigências, pastor? – quis saber um dos candidatos a crente.

      E Atahualpa:

      – Pelo menos vocês terão que terão que se privar de sexo durante duas semanas.

      As duplas concordaram, foram embora e duas semanas depois voltaram à presença do pastor. Ele encarou os pretendentes e se dirigiu inicialmente aos idosos:

      – Vocês foram capazes de se privar de sexo no prazo que estabeleci?

      O velho respondeu:

      – Sem problema, pastor!

      – Parabéns! Bem-vindos à nossa igreja!

      Dito isto, o pastor virou-se para o casal de meia-idade:

      – E aí… foram capazes?

      – A primeira semana não esteve muito ruim. Na segunda, para conseguir, tive de dormir no sofá… e nós conseguimos!

      – Parabéns! Bem-vindos à igreja!

      Atahualpa encarou os recém-casados:

      – Vocês foram capazes de se privar de sexo durante duas semanas?

      O rapaz foi sincero:

      – Não, pastor. Nós não pudemos ficar sem sexo!

      – Por quê?

      – Bem, minha esposa estava tentando pegar um pacote de bolachas no alto da prateleira e as derrubou. Quando se abaixou para apanhá-las, eu fui tomado pela luxúria e não pude resistir.

       – Vocês entendem que isto significa que não podem entrar para nossa igreja. Por isso, não são bem-vindos.

       – Tudo bem, pastor. E depois disso, nós também não somos bem-vindos naquele supermercado!

 

Noivado complicado

       O distinto Dirceu Noronha chegou ao trabalho arrastando os pés, mal podendo andar. Sentou-se diante do birô, virou-se para o colega ao lado e reclamou:

      – Tô acabadão, Edmilson! Acho que preciso tomar umas vitaminas…

      – Tá doente de quê?

      – O fato é que estou me sentindo um bagaço. Minha situação complica toda vez que vou ver a minha noiva… O primeiro lance não dá trabalho; o segundo já vai me deixando bambo… O terceiro me deixa mais morto do que vivo!

      – Nesse caso, meu, vá até o segundo. – aconselhou o colega.

      – Mas como, se ela mora no terceiro andar!

 

Mas como ela gritou!

      Muquirana mais notório do bairro do Poço, seu Pedro Luís de Freitas considerou oportuno levar o filho mais velho, o Adolfo, para perder a virgindade na finada zona do meretrício do Jaraguá. Chegou lá, soltou o garotão nas mãos de uma das mais experientes quengas da área e ficou aguardando a volta do filho no boteco da esquina.

      Não demorou, eis que o rapaz chegou lá resfolegando mais do que máquina de trem de carga. O velho quis saber do resultado da estreia do filho:

      – E então, Adolfinho? Como foi? Gostou? Ela gostou? Reparou pelos gritos dela se foi bom pra ela também?

     E o Adolfo:

     – Ah, pai, não tô nem aí se a mulher gostou ou não gostou. O que eu sei é que ela gritou feito a peste quando eu me mandei sem pagar!

 

Piração total!

      No dia em que completou 21 anos de idade, o André Luiz saiu de casa e foi morar sozinho, num apartamento presenteado pelos pais. Duas semanas depois, a mãe dele, morta de saudade, telefonou para saber notícias. No meio do papo, ela perguntou:

      – E os seus vizinhos, meu filho? São gente boa?

      – Ah, mãe, são uns piradões! De um lado tem um cara que vive batendo com a cabeça na parede, e do outro, mora uma senhora estressada que chora sem parar…

      – Que horror! Olha, meu filho, não se meta com essa gente, viu?

      – Pode deixar, velha. Fico só na minha. Eu passo o dia todo no meu canto, aprendendo a tocar bateria!

 

Cirurgia moderna

      Maria Percilina, perua azuretadíssima, inventou de viajar a Belo Horizonte para fazer uma plástica no rosto, que não andava lá essas coisas, devido ao seu longo tempo de existência. Chegou lá, procurou um certo doutor Frederico Amoedo.

      – Olha, madame – começou ele –, eu posso fazer-lhe um “lift”. Vai ficar muito bom, mas a senhora terá que voltar daqui a seis meses para continuarmos com a retirada do excesso de pele.

       E ela:

       – Ah, não, doutor! Eu quero fazer tudo de uma vez só. Não quero ficar pra cima e pra baixo, indo e voltando…

       O médico pensou um pouco e disse:

        – Está bem. Existe um procedimento em experiência que consiste na colocação de um parafuso no alto da cabeça do paciente. Daí, cada vez que a pessoa notar uma ruga aparecendo, dá uma voltinha no parafuso e ela desaparece. Se a senhora quiser experimentar…

       – Quero! Quero, sim! É exatamente o que preciso!

       Bom. A cirurgia foi feita. Percilina voltou ao consultório do médico, dois meses depois, embora não tivesse havido acordo nesse sentido.

        – A senhora por aqui! – surpreendeu-se o doutor. – E o parafuso, como é que está funcionando?

       – Foi o pior erro que cometi concordar com a proposta do senhor! – respondeu a mulher, em tom crítico.

       – O que está errado?

       – Olhe só essas bolsas debaixo dos meus olhos!

       O cirurgião examinou-as atentamente e concluiu:

        – Madame, essas bolsas são os seus peitos! Se a senhora não parar de ficar torcendo esse parafuso, daqui a pouco estará usando barba!

        – Barba? Como assim?

        – Os seus pentelhos terminarão chegando até aí!