Ailton Villanova

1 de setembro de 2017

Sobrou para o cachorro!

  O gráfico Benedito Aparecido Rigoberi, amigão do nosso colega Álvaro Cleto, finalmente conseguiu realizar o sonho da sua vida: comprou um carrinho. Uma Brasília de trigésima mão, derrubadona, mas que, segundo o novel adquirente, “dava pro gasto”.

      Para adquirir a infeliz da Brasília, Rigoberi fez um acordo com o patrão: saiu do emprego e pegou a grana do FGTS. Estava feliz da vida e ainda com um dinheirinho sobrando no bolso para dar “um banho de loja” no carango.

      Mas, aí, Rigoberi enfrentou o primeiro problema pós-aquisição da Brasília: sua casa não tinha garagem e o carro teria que “dormir” na rua. Onde ele morava (hoje não mora mais, por motivos óbvios), os ladrões não davam (como ainda hoje não dão) a menor colher-de-chá. Deitam e rolam na maior… Aí, o Álvaro Cleto encontrou a solução para o problema do amigo:

      – Compra um cachorro, bicho! Mas não um cachorro qualquer! Tem que ser um cachorrão, desses que matam bandidos… no dente!

      Rigoberi comprou um cachorrão. Um pastor alemão que, aliás, custou mais caro que a Brasília. E o que ele fez, assim que tomou posse do cão? Atou uma longa corrente no pescoço do animal e, de noite, amarrou-a no para-choque do veículo, com direito a cadeado e tudo o mais. Foi dormir sossegado. Qual o ladrão ousaria furtar-lhe o bem precioso com uma fera daquelas tomando conta?

      De manhã, quando acordou, o gráfico quase teve um infarto. O cão havia sumido misteriosamente e o carro continuava no mesmo lugarzinho, intocado; a corrente do cachorro tinha ido com ele. Pregado no para-brisa havia um bilhete, vasado nos seguintes termos:

      “Obrigado pelo cachorro. Quanto ao carro, pode jogá-lo no lixo. – Ass.  O ladrão”.

      Revoltadíssimo, Rigoberi derramou gasolina na Brasília e acendeu um fósforo. Tremendo fogaréu!

 

O vilão era o jeans

      Olhos esbugalhados, boca espumando, desesperadão, o distinto Oseórbio Leitão embocou na clínica do doutor Misael Leônidas, instalada na área mais nobre do Recife.

      – Cadê o doutor? Cadê o doutor? – bradava o sujeito.

      E a assistente do médico, tranquilíssima:

      – Ele está atendendo a um paciente, senhor. Sente-se e aguarde um pouco.

      O cara sentou numa poltrona da sala de espera e ficou roendo as unhas. Daí a pouco, a secretária avisou:

      – Pode entrar, senhor.

      Oseórbio entrou no gabinete do médico e já foi desabafando:

       – Me salve, doutor! Um dos meus testículos está gangrenado!

       Muito calmamente o esculápio pediu:

       – Deite-se naquela maca, abaixe as calças e vamos ver esse negócio.

       O desesperado agiu conforme o doutor mandou, este examinou detidamente o seu saco e concluiu, sem mais delongas:

      – Olha, meu amigo, tenho que cortar urgentemente esse seu testículo. Se eu não fizer isso, você morre!

       Nesse mesmo dia o Oseórbio foi operado em “edição extraordinária”. Quinze dias depois da alta, ele voltou ao médico, mais desesperado ainda:

      – Doutor, esta manhã notei que o outro testículo também está azulado! A doença passou para o outro!

      Preocupadíssimo, o esculápio deteve-se em novo exame de local. Acabou, falou:

      – Você tem razão! A doença passou para o outro testículo! Vou operá-lo agorinha mesmo!

      E chamou o bisturi pra frente! Cortou o ovo do infeliz pela cêpa. Duas semanas depois, o paciente voltou ao doutor Misael Leônidas, a beira de um ataque de nervos:

      – Agora é o pênis, doutor! Dessa vez me fodi todo! Repare só como ele está todo azul!

      O médico reparou e, dessa vez, quem quase enloqueceu foi ele.

       – Infelizmente gangrenou tudo! Vamos tirar também o pênis!

       – E como é que eu vou poder trepar e mijar, doutor?

       – Nisso a gente pensa depois! Agora, vamos ter que tirar o pênis!

        E o coitado do Oseórbio foi submetido a uma complicadíssima operação cirúrgica. Amputado o pênis, colocaram uma mangueirinha no seu lugar, para possibilitar a saída da urina. Transar, nunca mais! A não ser que… De marcha à ré???!!!

         Três semanas depois da terceira radical cirurgia, eis que Oseórbio voltou ao médico, mais uma vez:

         – O senhor sabe o que é que está azul agora, doutor? A mangueirinha de plástico!

         Depois de aplicar um calmante no Oseórbio, o médico reuniu em caráter emergencial uma equipe de cirurgiões e outros especialistas, que se debruçaram sobre aquele caso tão misterioso e cruel. Os doutores examinaram a mangueirinha, aplicaram vários testes nela e no paciente e, ao final, doutor Misael anunciou aliviado, na cabeceira da cama do operado:

         – Boas notícias, meu amigo! Você terá vida longa! Desta vez, exames laboratoriais minuciosos concluíram, sem sombra de dúvida, que o jeans que você usa “desbota” demais!

 

A simpatia furada da camisinha

      Originária de uma família humílima, a jovem senhora Endorfínia Maria, beirando os 25 anos de idade, moradora de Santa Luzia do Norte, estava casada havia um pouco mais de quatro anos. Mas já havia parido 10 filhos, todos vivos e vivendo com a graça de Deus. E estava grávida de novo!

      Quatro anos de casamento… dez filhos! A preocupação de familiares e amigos era saber se dessa vez Endorfínia poria no mundo cinco bebês de uma só barrigada, caso se repetisse o que ocorrera em partos passados, desde que contraíra matrimônio com o José Maria de Jesus.

      No primeiro ano de casamento Endorfínia teve parto normal: um filho. O nenenzinho nem tinha começado a engatinhar, quando ela engravidou pela segunda vez e deu a luz a dois gêmeos No terceiro ano de casamento, mais um trio de bebês.

      Quarto ano: quadrigêmeos!

      Endorfínia precisava dar um basta naquele parimento desenfreado. A mãe dela, dona Anquilina, manifestou sua preocupação:

       – Tá demais, minha filha! Você precisa parar de ter filhos. Pra onde é que você vai, desse jeito?

       Endorfínia pensou muito e, por fim, manifestou: 

       – Bem, maínha, a única solução que eu vejo é só uma…

       – E qual  é?

       – Só vai cortando a bilunga do Zé Maria!

      O caso de Endorfínia havia chamado a atenção da doutora Maria do Carmo de Oliveira, delegada de polícia da cidade, não porque estivesse merecendo a intervenção policial, mas porque ela igualmente atuava na área social do estado, dado o fato de que também é psicóloga formada. Doutora Carminha fôra à casa de Endorfínia propor a ela que procurasse o médico clínico da cidade o qual, certamente, teria uma solução para o seu caso. De modo que a jovem senhora foi ter com o facultativo e este a orientou a prevenir o excesso de gravidez e recomendou-lhe utilizar sempre um preventivo, “para evitar mais e mais filhos”.

      – Você vai ter que usar camisinha, minha filha! – recomendou o médico.

       – Camisinha?!

       – Sim, camisinha.

       O médico, então, entregou-lhe uma caixinha contendo vários exemplares e para orientar melhor como elas deveriam ser utilizadas, o médico pegou um cabo de vassoura e disse:

       – Faça de conta que isto aqui é um pênis, ou melhor, o pinto do seu marido, tá me compreendendo?

       – Tô, sim senhor.

       – Aí, você pega a camisinha e veste assim no pênis, ó… entendeu?

       – Entendi. Mas será que isso resolverá o problema?

       – Claro que resolverá! Não existe coisa mais eficiente neste mundo. Vá em paz e volte daqui a um mês pra me dizer como andam as coisas…

       Ao cabo de trinta dias Endorfínia voltou ao doutor, com a cara mais triste do mundo:

        – Aquelas camisinhas não prestaram, doutor.

       – Como não prestaram? – indagou o médico.

       – Estou buchuda de novo! Tá vendo?

       – Não é possível! Será que elas todas estavam furadas?

       – Se estavam furadas, não sei. Só sei que a “simpatia” que o senhor me mandou fazer, não deu certo. A tal de camisinha ainda tá lá na ponta do cabo de vassoura!