Ailton Villanova

23 de agosto de 2017

O doido do Passo…

      Noite alta, lua bonita no céu estrelado e límpido, maior calmaria no Passo do Camaragibe. Na delegacia de Polícia, na falta do que fazer, o delegado recém-empossado, doutor Mamão, ou melhor, doutor Antônio Rosalvo Cardoso contava histórias de ETs para os seus auxiliares. De repente, invade o ambiente, sem pedir licença, o popular Ptolomeu Pitombeira, com ar de doido e encara a autoridade:

      – Ô gordinho, cadê o delegado?

      E o gordinho, quer dizer, o Mamão:

      – O delegado sou eu! Qual é bronca?

      – Ôxi e você é o delegado mesmo? Não tem pinta de delegado!

      – Deixe de conversa mole e vá dizendo a que veio!

      Um policial puxa-saco entrou na conversa:

       – Dou um pau nesse folgado, doutor?

       – Precisa não. Vamos ver o que ele quer.

       Ptolomeu disse o que queria:

       – Tô precisando da sua ajuda, gordinho. É que uns malfazejos entraram na casa da minha irmã, trancaram ela lá dentro e… eu acho que estão fazendo algum mal à pobrezinha.

       Mamão levantou-se da cadeira de pinote e ordenou aos policiais em tom de quem não deixa a menor dúvida:

       – Vamos à luta, companheiros! Vamos prender esses bandidos. Peguem as armas!

        Foram. Ao chegar à casa indicada pelo Ptolomeu, o delegado organizou o cerco e, do alto de sua autoridade, disparou:

      – Atenção bandidos! Soltem e a moça e saiam de mãos para o alto! Dou-lhes dois minutos!

      Meia hora depois, Mamão e sua turma ainda permaneciam diante da casa, na maior expectativa, e nada de os supostos bandidos darem o ar de suas respectivas graças.

       E Mamão se esgoelando:

       – Como é que é, seus marginais? Saem ou não saem? Dessa vez vou contar até dez. Se não saírem nos vamos derrubar essa porta!

       Ptolomeu deu a maior força:

       – É isso aí, gordinho! Derruba a porta e manda bala!

       Mamão entusiasmou-se com a força e botou pra quebrar: marcou carreira, meteu o pé na porta e… Vabei! Derrubou a dita cuja. 

        A turma invadiu a casa e não encontrou ninguém dentro dela, além de ratos! A pucumã e as teias de aranha tomavam conta do ambiente. Decepcionado, Mamão virou-se para o Ptolomeu e, cheio de bronca, perguntou:

       – Quem foi que lhe disse que aqui tinha gente, seu porra?

       E o Ptolomeu:

       – Ninguém! É que eu queria ver como estava aí dentro. Como não tinha a chave…

        Imagine o pau que o cara tomou!

 

Um para todos!

      Havia um tempão que os ex-vizinhos José Ezíquio e Manuel Bonfim não se falavam e nem se viam. Encontraram-se, por acaso, na Praça Deodoro. Bonfim foi quem puxou o papo, depois do abraço:

      – Eita, meu irmão! Tu tá novo, hein? E os garotos, como vão?

      E o Ezíquio:

      – Garotos?! Tudo é homem feito, rapaz! Tá tudo formado!

      – Não diga! Tudo doutor?

      – Mais ou menos. O mais velho é médico, o segundo é engenheiro, o terceiro é advogado…!

      – E o caçula, aquele galeguinho danado?

      – Ah, esse foi o único que nunca gostou de estudar. Mas, está bem demais! Tem uma barraca na praia que dá pra sustentar todo mundo!

 

Que mulher não fica braba?

      No bar de sempre, o Algaróbio encontrou o velho amigo Adolfo cheio de hematomas, sentado num canto.

      – Puxa vida! O que foi que aconteceu com você, meu irmão? Atropelamento?

      – Não! Foi a filha da puta da minha mulher!

      – Ôxi! E a Rosita endoideceu? Por que foi que ela o agrediu desse jeito, rapaz?

      – É que eu apertei o peito dela…

      – O quê? Bem que eu pensei que sua mulher ficou doida! Olha, quando eu aperto o peito da minha mulher, ele fica tão excitada que a gente não deixa escapar uma boa trepada…

       – É… Mas você já tentou apertar o peito dela com a porta do carro?

 

Serviço completo?

      Depois de passar um ano desempregado, o torneiro mecânico Aníbal Pacheco finalmente conseguiu arrumar uma colocação. Feliz da vida, chegou ao emprego de manhã, logo cedo, doido para trabalhar. O patrão o pegou pelo braço e saiu explicando como era o funcionamento da máquina que ele deveria operar:

       – É bem simples, Aníbal. Com as mãos, você puxa e empurra as duas alavancas. Com os pés, você movimenta estes dois pedais. O ajuste da operação você faz apertando este botão com o cotovelo e a partida da máquina você dá comprimindo este outro botão com a cabeça. Viu como é fácil?

        Aníbal, então, retrucou cheio de ironia:

        – Fácil demais! O senhor também não tem uma vassoura pra eu enfiar  no cu e sair varrendo a oficina?