Ailton Villanova

8 de agosto de 2017

O poste que dá choque!

       Boquinha da noite, depois de ter participado de uma bruta farra na birosca do Laurindo, em Cruz das almas, o açougueiro Alcátrio Carneiro, mais conhecido como “Capitão”, deu início a “viagem” de regresso ao lar, localizado em Mangabeiras. Ele caminhava pelo calçadão da orla marítima quando, de repente, acometeu-lhe a irrefreável vontade de fazer pipi. Mais que depressa, correu até o trecho mais escuro da avenida, olhou para os lados, escorou-se num poste, arrastou o “instrumental” urinatório para fora.

       Mal Capitão começou a esvaziar a bexiga, teve a impressão que o mundo havia desabado sobre sua cabeça – tebei! A porrada ocorreu tão violenta no pé do ouvido, que ele foi projetado para o outro lado da rua. E ficou lá um tempão, esparramado no chão, tentando entender o que havia acontecido.

      Ocorreu que por detrás do tal poste encontrava-se o negrão Zé Julião, lutador de MBA, que tirava um sarro caprichado com a doméstica intitulada Sarinha.

      Vendo mil estrelinhas e todo molhado de pipi, Alcátrio levantou-se com sacrifício e quando se preparava para seguir em frente, bateu o olho numa pessoa que vinha se aproximando. Era o colega de biritagem conhecido como Júlio Gato Gripado.

      – Es tí, Gripado? – indagou Alcátrio à guisa de cumprimento.

      – Em carne e osso, companheiro! – confirmou o indagado.

      – Tu tá com pressa?

      – Médio!

      – Tá vendo aquele poste alí?

      – Tô!

      – Cuidado com ele, viu? Passe longe dele!

      – Purrr quê?

     – Tá dando um choque da bobônica, meu irmão!

 

Era a idade!

       O garçom Eugaristo encontrou-se com o médico José Dias na rua do Comércio e fez uma alegria danada:

       – Doutor Zé Dias, meu amigão! O senhor é um verdadeiro santo, tá sabendo?

      Meio acanhado, o médico respondeu com aquele vozeirão de antigo locutor da Rádio Palmares:

      – Que exagero, Eugaristo!

      – Verdade, doutor! Olhe, o senhor não sabe a felicidade é o meu lar, hoje em dia! Devo isso ao senhor!

      – Você não me deve nada, rapaz!

      – Devo! Devo sim, doutor!

      – Bondade sua.

      – Já que estamos aqui, me explique direitinho como foi o milagre que o senhor fez para a minha mulher Gerusa acabar com aquelas crises de nervos danadas que estava tendo?

      – Simples, meu caro. Apenas eu disse à ela que o seu nervosismo era consequência do avanço da idade…

 

Uma questão pueril

      Lindomar Ezequias é um cara gozado. Amigo do peito do Fedúlcio, ele se acha o maior sabichão de todos os tempos. Lindomar é o tipo do sujeito que tem resposta pra tudo, na ponta da língua.

      Dia desses, Lindomar se achava visitando uns amigos numa das repartições da prefeitura de Maceió quando parou junto dele o Ercibaldo Belarmino, com aquele ar de preocupação:

      – Ô Lindô, me tire uma dúvida, por favor…

      – Pois não, companheiro! Qual é o problema?

      E o Ercibaldo:

      – O que vem a ser “Puericultura”? Essa palavra eu ouvi no rádio, hoje de manhã.

      Lindomar respirou fundo e mandou, cheio de categoria:

      – Ora, meu caro… “Puericultura” é aquilo que assola o nosso querido Estado de Alagoas: muita poeira e pouca cultura!

 

Fabricando cavalos

      Juninho, filho caçula do amigo Enock Sandoval, outro dia chegou em casa, de volta da escola, na maior vibração. É que, juntamente com coleguinhas de turma da escola, ele tinha ido visitar a cavalariça da Polícia Militar.

      Assim que Juninho entrou em casa, a mãe, Teresa Cristina, foi logo perguntando:

      – O que foi que você viu de interessante na visita desta manhã no quartel da PM, meu anjo?

      E Juninho, com os olhos ainda brilhando de emoção:

      – Ah, mãe, eu vi um soldado fabricando cavalos!

      Cristina achou graça no garoto:

      – O soldado fabricando cavalos? Ninguém fabrica cavalos, meu amor. Você tem muita imaginação, não é?

      E Juninho:

      – Tava fabricando, sim, maínha! Eu vi quando o soldado tinha acabado de colocar os pés do cavalo e batendo na sola com um martelo, pra  grudar bem!

 

E lá se foram todos!

      O professor Ednealdo Azevedo fazia parte de um grupo de naturalistas radicais. Ele, e os demais que constituíam tal grupo, não comiam carne, não bebiam líquido nenhum além da água e só comiam verduras cultivadas sem agrotóxicos. Diariamente, eles faziam caminhadas e corridas pela orla marítima e periferia da cidade. Certo dia, o professor Ednealdo chegou para a turma e escancarou:

      – Rapaziada, ontem à noite lasquei o pau na cerveja!

      – Oooooooohhhh! – fizeram todos.

      – Pois é!

      – Você ficou doido, rapaz? – indagou um.

      – Quer morrer? – falou outro.

      – Onde já se viu uma coisa dessas?! – completou o terceiro.

      Dai a um tempo, todo mundo calou-se e então Ednealdo prosseguiu: 

      – Tava gostosa pra cacete! Gostosíssima!

      Correu todo mundo para a barraca mais próxima. A farra durou o dia todo.

 

Elas por elas

      O ônibus parou naquele ponto que fica em frente ao Cepa, bairro do Farol, e subiu um sujeito biritadíssimo. Cai-mas-não-cai, ele se dirigiu ao cobrador:

     – Estudante!

      E o cobrador:

      – A carteira de estudante, por favor.

      O bebão mostrou-lhe a carteira e o cobrador reclamou:

      – Epa, rapaz! Essa carteira não é sua!

      No que o bêbado respondeu:

      – E por acaso o ônibus é seu?