Ailton Villanova

5 de agosto de 2017

Um japa de muita sorte

      O japa Thoshiro e o irmão Akira vieram a Maceió na condição de turistas. Toshiro gostou tanto das nossas lindas praias que resolveu fixar residência por aqui, enquanto o seu mano preferia voltar para Tóquio. Uma vez aboletado em Maceió, Toshiro decidiu ser comerciante no ramo de hortifrutigranjeiros, optando por instalar a sede dos seus negócios no bairro da Pajuçara. Junto, residia o propagandista de remédios chamado Luiz do Amparo, cuja esposa, Maria do Socorro, era uma morena comparada à tentação de mil demônios. Certamente por essa particularidade Thoshiro ficou tão amigo do casal.

      Meses depois, por iniciativa da mulher de dona Socorro o propagandista resolveu oferecer um jantar ao japa, “para solidificar a amizade”. No meio do jantar, a madame pediu a palavra e, muito melosa e hesitante, se saiu com esta:

      – Lulinha, eu queria lhe perguntar uma coisa, na presença do nosso querido vizinho Thoshiro…

      E o marido, mais meloso ainda:

      – Pergunte, meu benzinho…

      – Tá bom. Mas não leve a mal, não…

      – Ora, minha filha… Imagina eu levar você a mal. Fale!

      – Será que você se importaria se o nosso bebê que vai nascer, tivesse a cara de japonês… assim como a cara do Toshiro?

      – Mas por que essa agora, minha filha?

      – É que eu acho tão lindo um bebezinho de olhinho puxado…!

      Gamadão como era pela apetitosa esposa, é claro que Luiz do Amparo não se importou com esse detalhezinho tolo. Ao cabo de dois meses nasceu o bebê, cuja carinha era igualzinha a do Thoshiro. A falação da vizinhança foi grande, mas para o trio, tudo bem. Na hora da escolha do nomezinho do neném, a família se reuniu e a discussão durou um bom tempo.

      – Eu acho que ele deve se chamar Marcos Antônio! – sugeriu o pai.

      E a mãe:

      – Esse nome tá muito manjado!

      – Que tal Ataulpho? – sugeriu a avó paterna.

      – Não! Ataulpho é nome fora de moda! – contestou a mãe do bebê.

      Uma tia do menino achou de meter o bedelho:

      – Já sei! Luiz Júnior, pronto!

       O pai discordou:

        – Tô de saco cheio desse nome. Nem ver!

        Caladinho no seu canto, Toshiro escutava a discussão. Em dado momento, levantou a mão e começou a falar:

        – Escutem, amigos! Sugiro…

        Ninguém mais deixou o japa prosseguir. O pai da criança deu um pinote no meio da sala, abraçou fortemente o japonês e vibrou:

        – É esse! O nome é esse! Sugiro! Lindo nome! O garoto vai se chamar Sugiro! Bate bem com sua carinha de japonês!

 

A bela “saída” do malandro

      Tremendo malandro, Valdiclépio Tadeu nunca mais tinha dado as caras na residência da namorada Wanderléa, que ficava na Ponta Grossa. No sábado pela manhã, ele foi flagrado pela garota, paquerando o mulherio no calçadão da Rua do Comércio e não teve como escapar do esculacho:

      – Bonito, não é seu canalha? Por que nunca mais apareceu lá em casa?

      E ele, com a cara mais lisa do mundo:

      – Falta de tempo, meu amor. Só isso!

      – E por que não me telefonou? Também não teve tempo pra isso?

      Mais cínico ainda, ele completou:

      – Por incrível que pareça, também me faltou tempo pra ligar…

      Indignada, Wanderléa subiu mais ainda nas tamancas:

      – Você não passa de um cafajeste! Eu não sei como fui me envolver com um cretino como você! Diga que não é cretino e cafajeste, diga!

      Num instantinho formou-se uma plateia em torno do casal. Quando Valdiclépio reparou nos curiosos em volta, deu aquela de vivaldino. Disfarçou, levantou a voz e saiu-se com esta:

      – Mas não diga, minha amiga Wanderléia! E foi assim mesmo que você falou? Puxa vida! E depois dessa esculhambação toda, o que foi que o cara respondeu? Me diz!

 

Sujeito prevenido

      No ponto de ônibus da Praça dos Martírios o ambulante Eutíquio Vespasiano falava pro amigo Fidelgundes Pinto:

      – Pois é, meu chapa, a vida tá dura demais!

      Concordou o outro:

      – É verdade. A fome aumentando, a violência crescendo e o governo dizendo que tá tudo bem!

      – Tá bem pra ele!

      – Eu só tenho pena é do funcionalismo… Viu o aumento que o governador anunciou? Seis por cento! Dá pra que?

      – Não dá nem pra limpar o rabo, meu irmão! Quer saber de uma coisa?

      – Quero.

      – Hoje em dia, botar filho no mundo é não ter coração…

      – Concordo.

      – Eu, por exemplo, tomei a decisão de nunca mais fazer filhos!

      – É mesmo? Evita com camisinha, ou sua mulher toma comprimidos?

      – Nada disso. Parei de dormir com ela.

      – Ôxi! E como é que você faz…pra transar?

      – Eu transo com a minha cunhada. Daí, então, só tenho tido sobrinhos. Não é uma boa?

  

 

A cara era verdadeira!

 

     Além de ser mais feio do que um trem virado, o popular Genolino Agadelson, é chegadão a uma “loura suada”. Convidado para uma festa de aniversário na casa do amigo Pepeu “Cara de Cavalo Legalizada” ele já chegou lá biritado. Mesmo assim, se preparou para dar conta de um botijão de chope que havia reservado para sua pessoa. Lá pelas tantas, o dono da festa, entendeu que era chegada a hora de anunciar uma pequena surpresa. De modo que abriu a boca e mandou:

      – E agora, caríssimos amigos, vamos fazer um concurso de caretas. Aquele que fizer a maior e mais feia careta, ganhará um prêmio especial: um litro de cachaça de cabeça!

      A negrada animou-se toda e a competição teve início. Um dos caras da comissão julgadora, que por sinal estava incrivelmente sóbrio, apontou para o Genolino e gritou:

      – Aqui está o vencedor! A careta dele é sensacional!

      E o Genolino, meio na bronca:

      – Qual é a sua cara? Eu nem tô participando do concurso!