Ailton Villanova

18 de julho de 2017

Um tarado muito doido!

Encaminhado por conceituada empresa do ramo de vigilância patrimonial, um certo Dário Pereira compareceu ao gabinete do psicólogo Claudinei Andrade, a fim de submeter-se ao tal de exame psicotécnico, “para admissão imediata.” Ao apresentar-se ao doutor, o candidato entregou-lhe a papeleta requisitória.

      – Sente-se! – disse o psicólogo indicando uma cadeira à sua frente.

      Dário acomodou-se na cadeira e o especialista indagou:

      – Está pronto?

      – Estou! – respondeu o cara.

      Então, o psicólogo pegou a figura de um triângulo, mostrou pro Dário e interrogou:

      – O que é isto?

      – Uma fechadura! Iiihhh! Já imagino que tipo de sacanagem está rolando aí dentro!

      – E isto? – quis saber o psicólogo, mostrando outra ilustração, representando um retângulo.

      – Uma janela de motel! Aí, a sacanagem deve ser maior. Altíssima putaria! 

      Dessa vez o Claudinei mostrou um círculo:

      – E isto aqui, o que é?

      – Um olho mágico. Degeneração total, doutor!

      Depois dessa, o psicólogo não teve ânimo para prosseguir. Suspendeu o teste, respirou fundo e comentou desanimado:

      – Não vai dar pra você, rapaz!

      – Não vai dar por que, doutor?

      – Você esta com problemas sexuais seriíssimos!

      – Eeeuuu, doutor?!

      – Você, sim.

      – Essa não! O senhor fica aí me mostrando todo esse material pornográfico e ainda vem me dizer que eu tenho problemas sexuais! Qualé, doutor?

 

Morto e mal enterrado!

      Depois de tomar todas num boteco perto do cemitério, o pinguço Dedé Boca de Gamela ficou tão bêbado que não teve condições de voltar pra casa. Preferiu dormir no cemitério, cujo portão principal estava apenas encostado. Lá pelas tantas acordou com o berreiro que vinha de uma cova próxima e foi lá ver do que se tratava. Encontrou outro bêbado, que havia caído na referida.

       – Me ajude, me tire daqui, gente boa! – implorou o bêbado de dentro do buraco. – Num tô morto não!

       Boca de Gamela olhou em redor e viu uma pá dando sopa. Apossou-se dela e retrucou, enquanto jogava terra na cova:

      – Tu tá morto, sim, porra! Num tá é bem enterrado!

 

E quem é mais doido?

      Profissional competentíssima da medicina, a psiquiatra Lúcia Santa Rita, antiga e dedicada diretora do Hospital Portugal Ramalho, tem muita história para contar, na sua longa vivência com enfermos mentais. São histórias das mais dramáticas às mais bizarras. Uma delas é a seguinte:

      Encontrava-se ela no seu gabinete de trabalho, no Portugal Ramalho, quando uma de suas assistentes anunciou:

      – Doutora, tem aí um cidadão insistindo muito para falar com a senhora…

      – Mande-o entrar!

      O cara entrou e falou:

       – Doutora Lúcia, eu não estou aguentando mais a minha mulher! Ela está ficando louca!

       E a médica, com a paciência e a doçura que lhes são peculiares:

       – O que de tão grave ela tem feito que o senhor não suporta mais?

       – Ela mantém mais de cinquenta gatos, trancados dentro do nosso apartamento. Pior, doutora, é aquele fedor desgraçado de mijo e de cocô, porque portas e janelas ficam o tempo todo trancadas!

       – Então, abra as janelas!

       – Não posso, doutora. Se eu abrir, os meus duzentos pombos fogem!

 

Não resistiu à mania…

      Terapeuta competente, doutor Algafeu Peroba passou mais de dois anos cuidando de um rapaz chamado Asperivaldo, que tem problemas de cleptomania. Ao cabo desse tempo, entendeu que era chegada a hora de conceder-lhe alta:

      – Olha, Asperivaldo, entendo que é chegada a hora de anunciar a sua cura!

      E o paciente:

      – Também concordo com o senhor, doutor. Faz tempo que já me considero bom! Nunca mais furtem nem um alfinete!

      E o doutor:

      – Pelo seu desempenho nestes dois últimos anos, tenho certeza que você superou mesmo a cleptomania!

      Não havia completado nem uma semana desse último papo, eis que Asperivaldo voltou ao consultório do analista, com um pacotinho na mão. A recepcionista foi ao doutor e avisou:

      – Aquele rapaz, o Asperivaldo, está querendo ver o senhor…

      – Mande-o entrar!

      O cara adentrou ao gabinete do terapeuta feliz da vida, estendeu o pacotinho pra ele e disse:

      – Presente pro senhor!

      O doutor desembrulhou o pacote. Dentro tinha uma agenda eletrônica que era uma lindeza. Aí, ele emocionou-se:

      – Obrigado, rapaz! Nem precisava se dar a esse incômodo. Onde comprou?

      – Bom… Eu ia passando por uma loja, ali no centro, vi a pecinha na vitrine… aí peguei pro senhor!

 

Trepadinhos… nem ver!

      Seu Antônio Cipriano talvez seja o único taxidermista em atividade, atualmente, na capital alagoana. Seu trabalho continua anônimo.

      A taxidermia – arte de empalhar animais -, exige uma técnica apuradíssima e o velho Cipri nessa atividade ele reina.

     Há dias, sem nada mais importante para fazer, seu Cripriano encontrava-se em sua casa consertando a bicicleta de um neto, quando parou na porta um carrão lustroso de onde desceu uma madame com cara de choro:

      – O senhor é o seu Cipriano, empalhador de animais?

      – Sou sim, senhora!

      E ela, exibindo uma caixa contendo um casalzinho de saguís, mortos:

      – Estes meus bichinhos de estimação morreram de repente, hoje cedo, e eu não queria enterrá-los. Gostaria que o senhor me fizesse o favor de… snif!

      – Já sei. A senhora quer que eu os deixe montadinhos, não é?!

      A mulher parou de chorar, arregalou os olhos e respondeu escandalizada:

       – Pelo amor de Deus, não! Montados? Quero não! Eu tenho crianças em casa, entende? Não poderia ser abraçadinhos… ou de mãozinhas dadas?