Ailton Villanova

21 de junho de 2017

Teste para o bom observador

   Há ocasiões, com esta, por exemplo, que a gente tem de respeitar as conveniências. Trocando em miúdos: certos casos a gente conta, mas omite a identidade de suas personagens, por decência ou por pura ética. Isto, entretanto, não os deslustra, não tira a sua graça e nem a sua qualidade.

      A história presente é verdadeira, sim. Ocorreu aqui mesmo em Maceió, mas ainda hoje circula pelo Brasil em tom de anedota, pelo seu inusitado.

      Seguinte:

      Viveu em nossa terra um médico famoso, respeitadíssimo pela competência com a qual se desincumbia na profissão. Na faculdade de medicina, onde lecionava, era queridíssimo. Mas esse ilustre mestre também tinha o seu lado humorístico.

      Um dia, na sala de aula repleta de calouros, ele ensinou:

      – O primeiro requisito para se tornar um bom médico é ser muito observador. Vai ajudar bastante na profissão que vocês escolheram. Outro requisito importante é não ter nojo do paciente.

      Acabou de falar foi aplaudido. Ele já estava acostumado com isso.

      Dada por encerrada a primeira parte do programa de recepção à calourada, o ilustre professor anunciou a seguir:

      – Agora, vamos passar para a sala de tanatoscopia.

      O mestre, então, introduziu os novos alunos no anfiteatro em cujo centro havia o cadáver de um homem estirado na mesa de mármore. Aí, ele reuniu a turma em torno do “de cujus” e disse:

      – Vamos fazer o primeiro teste. Todo mundo deve fazer o que eu fizer, entenderam?

      E a rapaziada:

      – Entendemos!

      Então, o professor enfiou o dedo no ânus do defunto e lambeu em seguida.

      Mal estar geral. Os calouros viraram a cara enojados, mas seguiram a orientação do mestre. Todos enfiaram o dedo no “frosquete” do cadáver e lamberam também. Terminado o insólito ritual, o professor manifestou:

      – Vocês têm muito o que aprender sobre o senso de observação. Será que ninguém reparou que eu enfiei um dedo no cu do cadáver e lambi o outro?

 

Bandidas perigosas!

      O Agapaulo Ferreira é um incorrigível farrista. Ainda por cima, mulherengo! Dona Alcidônia, sua esposa, já não aguenta mais as suas travessuras. Sábado desses, voltou pra casa biritadão, quando a madrugada já emendava com a manhã. Abriu a porta, acendeu a luz da sala e deu de cara com a mulher, puta da vida:

      – Bonito, não é, seu Agá?

      E ele, com a cara mais cínica do mundo:

      – Ôi, amor! A violência nesta cidade tá de lascar! Até as mulheres estão assaltando! Duas delas me pegaram na esquina e me deram o maior pau. Acharam pouco, levaram o meu relógio, bateram a minha carteira…

      Agapaulo foi falando e se dirigindo ao quarto. Aí, cometeu a imprudência de tirar as calças. No que tirou, dona Alcidônia aumentou o tom do esbregue:

      – Cadê a cueca, safado?

      – Putaquipariu, minha filha! As bandidas levaram até a minha cueca!

 

Limpeza maneira

      O amigo que não se dá ao trabalho, pelo menos ao prazer de viajar de carro por esse mundão velho de guerra, não sabe o que está perdendo. Por aí a fora a gente vê coisas que até Deus duvida. Pare num birosca de beira de estrada, por exemplo, e fique, na moita, observando o movimento do entra-e-sai. De repente, surge um lance que, se não for trágico, certamente será cômico. Ou as duas coisas juntas.

      Uma das vítimas desse lance é o João Paulo Leitão que, à época do fato abaixo narrado, ttabalhava como propagandista de um importante laboratório farmacêutico. Viajava ele de Penedo a Arapiraca, pilotando a sua Brasília cor anil, lotada de amostras grátis quando, no meio do caminho, bateu-lhe uma irreprimível vontade de arriar um barro, ou melhor, despejar um cocozão caprichado. Então, naquele desespero todo, parou o carro na porta de um barzinho meio derrubado, pinoteou pra dentro dele e gritou para o sujeito da cara sonolenta que se achava escorado no balcão, tirando meleca da venta:

      – Por favor, meu amigo, onde é que fica o sanitário?

      Sem tirar o dedo da venta, o cara fez um gesto com a cabeça e grunhiu:

      – Do lado!

      – Que lado? Direito ou esquerdo? – insistiu Leitão, já vendo mil estrelinhas.

      – Xovê… Hummm… Esquerdo!

      O infeliz disparou pro sanitário, abriu a porta, sentou no vaso e lascou lá uma violenta descarga, dessas de fazer bico no aro anal e até produzir fumaça. Vinte minutos depois, bastante aliviado, dava por encerrada a tarefa fecal. Procurou em redor e não achou o papel higiênico. Apurou direitinho a vista e viu um buraco na parede de frente, com o seguinte cartaz pendurado:

       “Atenção! Enfie aqui o seu dedo para limpar o cocô”.

       João Paulo Leitão não pensou duas vezes. Todo risonho e feliz, passou o dedo no ânus e com ele fez a devida limpeza. Em seguida, enfiou o dedo no tal buraco, acreditando que ali dentro existia alguma novidade em termos de assepsia. Só que, no fundo do orifício tinha um prego com a afiada ponta estrategicamente direcionada para fora.

      Naquilo que introduziu o dedo no buraco, Leitão sentiu a estocada e abriu o bocão:

      – Uuuaaaiii… Pelamor…

      E imediatamente levou o dedo à boca.

      Retirou-o limpinho de fazer gosto!