Ailton Villanova

17 de junho de 2017

“Quase” pecado!

De manhã, bem cedinho, mal acabou de abrir as portas da igreja, frei Teóphilo Hofernes se deparou com um sujeito fortão, cuja cara era de preocupação, que foi logo declarando:

      – Tô precisando me confessar, frei…! Será que dá pro senhor me ouvir um instantinho?

      O franciscano franziu a testa, apertou os olhos, soltou um bocejo e respondeu:

      – Tá muito cedo, meu filho! Eu ainda nem tomei café! Volte depois. Só temos missa às cinco da tarde, porque hoje é quarta-feira…    

      O cara insistiu:

      – Eu quase pequei, frei Teóphilo!

      O religioso arregalou os olhos?

      – “Quase”? O que você quer dizer com “quase pequei”?

      O cara respirou fundo:

      – Sou casado, sabe, frei Teóphilo? Gosto muito da minha mulher, mas tem uma empregada lá em casa que é uma tentação…

      Curioso ao extremo, o franciscano Hofernes deu marcha à ré na sua decisão de só ouvir o paroquiano “mais tarde”. Afastou-se para o lado e disse:

       – Entre, meu filho. Vamos ver essa sua história.

       O camarada adentrou ao templo, ajoelhou-se ao lado do frade, e este pediu:

       – Pode falar. Quer dizer que você quase pecou…

       – Foi sim, senhor. Encostei o meu membro na… na… na “peça” da empregada, sabe frei? Mas na hora de enfiar, eu parei. Por isso foi “quase”!

       E frei Teóphilo:

       – Mas encostar é a mesma coisa que enfiar, meu filho! Nesse caso você deverá rezar vinte Ave-Marias e colaborar com 100 cruzeiros para as obras sociais da paróquia. Depois de cumprir a penitência das rezas, vá até a caixa de coletas…

      O cara fez as orações, levantou-se e foi até a caixa. Encostou a cédula de 100 cruzeiros na fenda da caixa, mas recuou, guardando-a de volta no bolso da calça. Frei Teóphilo, que espiava de longe, gritou:

       – Ei! Eu vi, pecador! Você não enfiou o dinheiro na caixa de donativos!

       E o “quase” pecador:

       – Foi o senhor mesmo quem disse que “encostar” é a mesma coisa que “enfiar”!

 

A última das estúpidas!

      O distinto Dinovaldo Crescêncio nunca foi homem de levar desaforo pra casa. Aliás, em casa, nunca foi de deixar uma pergunta, uma exclamação, uma charada, uma ponderação, sem resposta. Dias desses, ao retornar pro lar um pouco mais tarde que de costume, porque esteve biritando com uns “a favor”, foi recebido por dona Mirandolínea, a esposa, com uma bronca:

       – E isso são horas de voltar pra casa, “doutor” Dino? Olha, pra aceitar esse seu comportamento só mesmo uma mulher mais estúpida que eu!

       Dino não perdeu a oportunidade:

       – Bem que eu procurei, mas não achei nenhuma!        

 

Duplicata tipo “atleta”

            Pense num gerente de banco zeloso, altamente responsável e eu lhe aponto o ilustre Claudélio Aldeman de Oliveira.

             Atento a tudo quanto ocorreu no seu estabelecimento de crédito e ligadíssimo na clientela, certo dia ele ligou para um certo Alcidônio Poliano, bastante conhecido pelo seu alheamento das coisas:

             – Alô, seu Alcidônio, aqui é o Claudélio…

             – Claudélio?!

             – Sim! O Claudélio gerente do Banco… se ligou agora?

             – Ah! Me liguei! Quê que manda, doutor Claudélio?

             – Estou lhe telefonando para avisar que a sua duplicata venceu!

             E o cara:

             – Que legal, doutor Claudélio! Eu nem sabia que ela estava jogando!

 

Que nem cachorrinhos

      Desde criança, Inácio Piaçava, nascido e criado no interior, é um baixinho decente e educado. Seus pais, seu Arnulpho e dona Aparecida o criaram com energia, mas com bastante amor. Quando ele se tornou rapazinho, enamorou-se da bonita Maria do Socorro, morena de pernas longas e bem torneadas e traseiro sensual. Quando ela desfilava sua pessoa pelas ruas da cidade, o rebolado era de dar tesão até em estátua.

      Socorrinho também parou na do Inácio. Ambos donzelos, perdidamente apaixonados, não demoraram muito tempo solteiros. Casaram num abrir e fechar de olhos. Os pais dos nubentes se juntaram e deram uma festa de fechar comércio. Maravilhoso era ver como o maridinho e a mulherzinha se tratavam; era um carinho comovente.

      Quando ainda noivavam, Inácio e Socorrinho fizeram cursos sobre casório e, de quebra, ouviram conselhos dos mais experientes, principalmente dos seus respectivos genitores. Supunham que o casal estava realmente preparado para enfrentar a vida a dois. A mãe da moça, dona Veneranda, era quem mais se preocupava em aconselhar os dois.

      Bom.

      Na primeira noite das núpcias, entre carícias e beijos, Inácio deu um abraço arrochado em Socorrinho e, cheio de tesão, cochichou no seu ouvido:

      – Agora que somos marido e mulher, e sem ninguém pra nos atrapalhar, nós vamos mandar brasa… que nem dois cachorrinhos muito carinhosos…

      E Socorrinho, toda ingenuazinha:

      – Mainha me disse que eu fizesse todas as coisas que meu maridinho mandasse…

      – Disse, foi?

      – Disse.

      – E o que mais ela disse?

      – Bom, ela falou que tenho de agir direitinho pra não lhe desgostar. Mas tem uma coisa: escolha uma rua onde ninguém conheça a gente!