Ailton Villanova

14 de junho de 2017

Haveria melhor razão para um desquite?

haveria melhor razao para um desquite 600x300 c - Haveria melhor razão para um desquite?

 A festa de casamento da donzela Lituânia Maria com o mancebo Zeca Cazuza, na fazenda da mãe viúva, dona Carolina, durou três dias. Começou na tarde de uma sexta-feira e só terminou na segunda-feira seguinte, boquinha da noite. A cidade quase inteira de Boca da Mata esteve presente à cerimônia, que foi celebrada pelo juiz de direito Isaltino Frazão, cidadão austero, que transitava pelas ruas bocamatenses montado num par de sapatos lustrosíssimos, duas cores. Exibia com orgulho uma basta cabeleira branca, barba e bigode idem.

      Na terça-feira imediata ao casório, eis que a bela Lituânia esbarrou no gabinete do magistrado, bastante ansiosa:

      – Doutor Isaltino, vim lhe pedir que providencie o meu desquite!

      O velho magistrado assustou-se:

      – Que brincadeira é essa, minha filha? Não tem nem quatro dias que você se casou!

      – Mas eu quero o meu desquite, doutor! – insistiu a moça.

      – Qual a causa legal, minha filha?

      Lituânia respirou fundo:

      – O senhor conheceu o meu noivo Cazuza, mas não o conheceu direito. Ele chegou aqui na cidade usando camisa de colarinho alto, manga comprida e gravata o dia inteiro. Pensei que fosse elegância. Não era, doutor!

      – Não era?

      – Não.

      – Conte-me esse negócio direitinho, minha. Deselegância não é razão para se acabar um casamento, bem dizer no dia seguinte.

      – Pois doutor, mal a nossa festa de casamento acabou, ele entrou no quarto e tirou a camisa… Imagine o senhor que Clementino tinha cabelo do pescoço até o relógio. Tirou as calças, tinha cabelo desde o pé até a barriga! Igualzinho a um macaco!

      – Mas o que tem isso, minha filha? Homem é assim mesmo. Tem muito cabelo no corpo.

      – Mas o senhor precisa ouvir o resto, doutor.

      – Pois não. Continue.

      – Aí, ele tirou a cueca, doutor Isaltino. Ah, doutor, nem lhe conto…

      – Conte! Já que começou, tem que terminar. Prossiga!

      – O Clementino era aquele gorila enorme, todo cabeludo, com três pernas!

      – Três pernas???!!!

      – Sim, doutor Isaltino. Três pernas. E ficou em pé, na minha frente, todo cabeludão, a terceira perna dele parecendo um guindaste, e ele me chamando com o dedo: “Vem cá, meu amor. Vem cá!” Agora me diga uma coisa, doutor, o senhor ia?

      O desquite saiu na hora!

 

Pergunta cretina, resposta estúpida

      Criador de animais domésticos, padre Zicláudio Constantino inventou de acrescentar mais um exemplar à sua coleção. De modo que foi até a loja especializada a fim de adquirir um penoso:

      – Eu gostaria de possuir um papagaio! – disse ao vendedor. – Mas tem que ser um papagaio educado, que não fale palavrões.

      – Claro, claro, reverendo. – respondeu o vendedor, já mostrando um louro. – Este aqui, inclusive, é um papagaio religioso. Dá certinho pro senhor. Está vendo essas correntinhas presas nas patinhas dele?

      – Estou.

      – Pois é, se o senhor puxar a correntinha da pata direita, ele reza a Ave Maria; se puxar a esquerda ele reza o Pai Nosso.

      Padre Zicláudio animou-se:

      – Que bom, meu filho! E se eu puxar as duas?

      Quem respondeu foi o louro:

      – Aí eu caio, né porra?!

 

O “quadro” do Machadão

      Mecânico de autos, o negrão Tonho Machadão era um bompartense animadão. Trabalhava na oficina da Prefeitura de Maceió, que ficava no antigo distrito (hoje bairro) da Cambona, para onde se deslocava montado numa velha bicicleta Monark. Na folga dos sábados, quando ele baixava na zona do meretrício do saudosamente finado “Duque de Caxias”, no Jaraguá, as putas do pedaço se agitavam todas, por um detalhe safado: o cara possuía um pênis descomunal e bermuda ele não usava, por causa do tamanho da peça, que descia até o joelho. Um dia, ele armou o maior reboliço em plena missa na paróquia que frequentava, ao tentar ajoelhar-se. É que, por descuido, imprensou a “cabeça” da infeliz entre o joelho e o assoalho. O grito que deu foi tão terrível que três velhinhas desmaiaram de susto e o padre teve uma ameaça de infarto.

      Pois bem, num determinado começo de noite, ele pedalava a sua Monark de volta ao lar, quando, nas imediações da falecida Fábrica de Biscoitos Brandim (mais tarde Brandin’s) uma morena cheia de curvas, que se achava no ponto de ônibus, deu com o braço e pediu carona.

      Machadão botou a gostosa no “quadro” da bicicleta e continuou pedalando. No meio do percurso, perguntou:

      – Você quer ir pra onde?

      E ela, toda dengosa, encostando a cabeça no peito do volumoso negrão:      

      – Vou pra Gruta do Padre. Dá pra me deixar lá?

      – Claro que dá!

      O negrão pedalando numa boa e a morena muito à vontade, se apertando ainda mais contra o tórax do cara, e soltando mil suspiros.

      Quando chegaram ao destino, o negrão parou a bicicleta e anunciou:

      – Pronto! Chegamos! Pode saltar!

      Ela saltou, colocou as mãos na cintura e disse cheia de decepção e censura:

       – Puxa, como você é bobo, hein, negão? Eu dou a maior sopa, você me põe no quadro da sua bicicleta e não faz nada!

       E o Machadão, com aquela cara de tarado:

       – Não faço nada, como? Quem te falou que esse troço aqui é o quadro da bicicleta?