Ailton Villanova

6 de junho de 2017

Uma ignomínia de sogra

      Sertaneja sem papas na língua, a octogenária Feliciana Astolfa viveu até os seus últimos dias na cidade de Olivença. O alvo predileto de suas maldades era o genro Ari Taquaritá, agrônomo da Secretaria de Agricultura, e gente fina demais. Na unha da velha, o infeliz sofria.

      Certa feita, ele viajava de Olivença a Maceió pilotando o seu Monza, carro fino da época, com a sogra ao lado e a mulher, Marisa, sentada no banco de trás. É que a velha jararaca só gostava de sentar no banco da frente “para ver melhor as coisas”. Depois de rodar um bocado, o Monza foi parado por um guarda rodoviário invocado, que foi logo pedindo:

      – Documentos, por favor!

      E o Ari:

      – Algum problema, seu guarda?

      – O senhor estava a 130 quilômetros e aqui nesta rodovia a velocidade máxima permitida é 80 quilômetros por hora. Quéde os documentos?

      – Mas eu não estava correndo, seu guarda!

      Aí, a sogra entrou na conversa:

      – Ah, Ari, o que é isso? Você estava mesmo a 150 quilômetros. Pensa que eu não reparei no velocímetro? Eu aqui do lado estou manjando tudo. Quer saber de uma coisa? O guarda está sendo até camarada!

      Taquaritá olhou para a sogra com vontade de esganá-la, mas não disse nada. O guarda continuou:

      – Sua lanterna traseira não está funcionando!

      – Minha lanterna?! Nem sabia disso! Deve ter pifado na estrada…

      E a sogra, se intrometendo, novamente:

      – Deixa de mentira, Ari. Você vem falando há semanas que precisa consertar a lanterna…  

      – Cala essa boca, dona Astolfa!

      O guarda continuou:

      – O senhor está sem o cinto de segurança!

      – Mas eu estava com ele!  Eu só tirei para pegar os documentos no cofre. Não viu, não?

     E olha a sogra de novo:

     – Deixa de conversa fiada, Ari. Você nunca usa cinto…

     O genro não se segurou mais:

     – Cala essa boca, velha filha da puta! Eu não já pedi para a senhora calar essa maldita boca?

     – Ele sempre grita assim com a senhora? – indagou o guarda rodoviário.

     E a sogra, com aquele risinho sádico:

     – Não, seu guarda. Só quando está bêbado!

     Ali mesmo, o Ari matou a sogra a tiros de pistola. Foi preso em flagrante delito, mas feliz da vida!

 

Diabo de sogra imortal!

      Num barzinho encravado no mais longínquo rincão suburbano, os amigos Tenorinho e Gulerbaldo mandavam ver numa “loura suada”, tempo em maltratavam, no dente, algumas canelinhas de caranguejo, à guisa de tira-gosto. Entre um gole da bebida e numa mastigada e outra, papeavam sobre temas diversos. Em dado momento, Tenorinho perguntou pro parceiro:

      – Ô Gulerbaldo, me diz uma coisa… tu acredita em vida eterna?

      E o indagado:

      – Claro! Tenho um exemplo na minha casa!

      – Não diga! Que exemplo é esse?

      – É a minha sogra. A filha da peste não morre nunca!

 

Uma mala de sogra

      Adalardo Lituânio foi flagrado saindo do seu apartamento, alta madrugada, arrastando uma mala pesadíssima.

      – Ô rapaz! Pra onde tu vai com essa mala? – indagou um vizinho curioso. – Vai viajar?

      – Eu, não! Na verdade, eu estou tentando ficar bem longe da minha sogra. Pra você ter uma ideia, hoje ela me xingou de vagabundo, inútil, preguiçoso, cretino e imbecil. Porra, meu! Cansei!

      E o vizinho:

      – Mas que velha folgada, meu irmão! Se eu fosse você, pegava essa filha da puta, cortava em pedacinhos e jogava no mar!

      – E o que você acha que eu estou levando nesta mala?

 

Sacrifício pra não rir     

      Tremendo gozador, o Eunápio Bezerra chegou para trabalhar, numa segunda-feira de manhã, com um lenço imobilizando o queixo, tal qual uma tipoia, amarrado no alto da cabeça. Ao reparar naquilo, o seu chefe perguntou, algo intrigado:

       – O que houve, Bezerra? Está com dor de dente?

       – Não doutor Sampaio…

       – Dor de cabeça, então?

       – Não senhor. É por causa da minha sogra, que morreu ontem!

     – Não entendi! Morreu a sua sogra e você aparece com o queixo amarrado!!!

     E o Bezerra:

     – É pra poder parar de rir!

 

Todo cuidado é pouco!

      Dois sujeitos bebiam e conversavam no Bar do Gordo, localizado no Santo Eduardo:

      – Minha sogra é uma tremenda jararaca, meu! Quando ela morrer, eu vou enterrá-la de bruços!

      – De bruços, Olegário?! Que invenção é essa, cara?

      E o Olegário:

      – Sabe o que é, Tibiriçá? É que não quero correr o risco de ela acordar e tentar sair cavando!

 

A contra-proposta

     Sequestraram a sogra do Agajoel, e foi aquele auê, na casa dela.

     Horas mais tarde, o contato dos bandidos fez a ligação, pediu o resgate e lá foi o Agajoel negociar com o meliante:

     – Como é,? Trouxe o dinheiro do resgate? – perguntou o bandidão.

     – Não, não trouxe! – respondeu Agajoel. – A família é que está querendo 200 mil para receber a velha de volta!