Ailton Villanova

1 de junho de 2017

Virgindade explosiva

      Rostinho angelical, corpinho escultural, perninhas torneadas… Essa era, em síntese, a Ritinha, filha dileta da viúva Berinalda Raposo, coroa excessivamente conservadora. As pessoas imaginavam que aquele anjinho de candura e da carinha inocente era virgem zerada, face a ortodoxia da mãe. Mas, qual o quê! Ritinha já havia perdido a donzelice numa festa de aniversário da tia chamada Bertilde, que não ficava para trás em boniteza e gostosura.

      Belo dia, a mocinha achou de cair de amores por um certo Anselmo Militão, sacristão licenciado da paróquia do padre Odulpho Coelho. Dadas as suas convicções religiosas, Militão prometera só casaria com uma moça sexualmente zerada.

      – Você me garante que é virgem, Ritinha? – perguntara o mancebo à garota, assim que enfiara na cachola a ideia de levá-la ao altar.

      – Cla… claro, meu amor! – mentiu a mocinha.

      A preocupação de Ritinha só aumentou quando chegou a véspera do casório. Então, ela correu para desabafar com a tia Bertilde:

      – E agora, tia, o que eu faço? O Anselmo vai me abandonar logo na noite de núpcias. Será a maior vergonha, meu Deus!

      E Bertilde, que era bastante escolada no barato horizontal, tranquilizou-a:

      – Fique calma, minha filha. Eu tenho uma ideia maravilhosa!

      – Tem mesmo, tia?

      – Sente aqui, meu amor, e preste bem atenção no que eu vou lhe dizer.

      A garota sentou-se ao lado da balzaca e esta ensinou:

      – Você faz o seguinte: disfarçadamente, pegue uma garrafa de champanhe e agite bem enquanto os dois estiverem se preparando para iniciarem o ato sexual. Na hora propriamente dita, isto é, na hora em que ele for introduzindo o pênis na xerequinha, você rapidamente solta a rolha da garrafa, com o dedo polegar. Quando seu noivo escutar o estouro do champanhe, ele vai pensar que foi o hímen! Mas você vai ter que treinar bem, para não haver falha, entendeu?

       Ritinha treinou até cansar e, na “hora agá”, fez tudo direitinho conforme a tia ensinou. Ocorre que, no movimento para facilitar a “introdução” da peça do marido, ela direcionou a boca do champanhe à parede e a rolha ricocheteou ao colidir com a referida.

       Ao escutar o estouro do champanhe, o noivo perguntou, intrigado:

       – O que foi isso, meu amor?!

       – Foi a minha virgindade que explodiu! – explicou Ritinha, toda feliz e satisfeita.

       E Anselmo, preocupado:

       – Que coisa incrível, meu amor! Ela ficou enganchada no meu fiofó!

 

Improviso perigoso!

      Boa garota, Lucinda convidou umas coleguinhas e meia dúzia de vizinhas para um chazinho de aniversário natalício, em sua residência. A turminha na sala e a mocinha bastante atarefada na cozinha. Entretanto, como estava custando muito, a mãe perguntou lá da sala:

      – Por que você está demorando tanto, minha filha?

      E a mocinha:

      – É que eu estava procurando o coador. Como não consegui achá-lo, estou usando o mata-moscas…

 

Bom “ingrediente” para aquecer

      Naquela região friorenta de Curitiba, a sogra do Eugaristo – há pouco tempo residindo em Maceió -, sofreu um doloroso acidente. Míope e descuidada, ela tropeçou numa franja do tapete da sala e caiu dentro da lareira, que estava fumegando. Desesperada, filha da infeliz correu para o Eugaristo, que se achava noutra dependência da casa:

      – Garistinho, mamãe acabou de cair dentro da lareira!

      E ele, tranquilão:

      – Então vá logo atiçá-la, porque eu vou já pra sala me aquecer. Está fazendo um frio danado!

      Eugaristo foi expulso de casa no mesmo dia do enterro da velha.

 

Caiu no poço? Não tem problema!

      Domingo, finalzinho de tarde, Izidoro Barbosa puxava fumaça do seu charuto, espichado na espreguiçadeira, armada no alpendre de sua casa de campo. De repente, ele escutou um berreiro dos seiscentos diabos, partido do fundo do quintal. Apurou bem os ouvidos, a gritaria provinha da goela da empregada Desidéria:

      – Acuda, doutor Izidoro! Sua sogra, dona Benzidina, caiu dentro do poço!

      E ele, sem se mexer:

      – E pra que esse aperreio todo, Desidéria? Você não sabe que a gente agora usa água encanada?

 

Finalmente, mais alto!

      O baixinho Osclépio Vitênio entrou no Bar do Duda vibrando adoidado:

      – Oi turma! Tudo jóia? Eu hoje estou pagando todas!

      Um amigo que se achava encostado no balcão, tomando uma caninha,     indagou curioso:

      – Quê que aconteceu, Osclépio? Por acaso hoje é o dia do seu aniversário, ou você ganhou na loteria?

      E ele:

      – Nem uma coisa e nem outra. É que eu agora estou mais alto que a minha mulher!

      – Mas o que houve? Será que você comprou sapatos altos?

      – Nada disso. Ela teve que amputar as duas pernas!

 

Homem-cinzeiro

      No meio do jantar com a família, o Climério parou de mastigar, olhou para todos em redor da mesa e falou, em tom soturno:

      – Tenho uma revelação a fazer pra vocês…

      – Pois não, amor, faça a revelação. Espero que seja alguma coisa boa. – disse a esposa.

       No mesmo tom lúgubre, ele prosseguiu:

      – Quando eu morrer, quero  que o meu corpo seja cremado!

      A mulher e os filhos ficaram mudos de espanto, mas quem retrucou foi a sogra,  dona Estrevália:

      – Não é de espantar essa sua decisão, Climério. Você sempre deixa cinzas por toda a casa, quando sai!