Ailton Villanova

30 de maio de 2017

Na pressa, trocou as fardas!

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 Esta é do tempo em que o José Luiz Ferreira, o famoso Du, era guarda civil estadual, corporação respeitadíssima pela sua eficiência na rigorosa defesa da lei e da ordem.

 

     Du se aposentou na função de agente de polícia civil, depois de, nas horas vagas, ter pintado as canecas no bairro do Mutange – onde nasceu e viveu -, e adjacências do Bom Parto, Bebedouro e Pinheiro. Mas ainda  arrumava tempo para ter uma namorada em cada canto da Grande Maceió – Pilar, Satuba, Paripueira e Marechal Deodoro, fora  as amantes que tinha em Viçosa, Palmeira dos Índios e Arapiraca. O cara era o cão  chupando manga e outras frutas mais.

 

      Bom, segundo ele próprio confessou e garantiu, só era fogoso pra cima do mulherio desocupado, em compromisso algum. Isso, quando era solteiro. Depois que casou, virou santo!

 

      Numa remota ocasião, num plantão da Deplan, ele me fez a revelação que a seguir vai papeada:

 

      Corria o mês de março, quando Du conheceu na Rua do Comércio, uma linda e curvilínea morena “de sorriso encantador” – conforme diz o versejar de certo musical interpretado pelo finado Nelson Gonçalves. Não demorou muito, olha o Du frequentando a alcova da distinta criatura que, diga-se de passagem, era seriamente comprometida. Bela noite, encontrava-se o nosso “don Juan” bastante à vontade nos braços da morena – ambos aconchegados no leito conjugal da sobredita -, quando pintou na parada o cabo-bombeiro militar chamado Rigoberto, o marido dela. O cara entrou pisando firme, em cima dos coturnos, mal dando tempo do guarda Du pular da cama.

 

       Zé Luiz rolou para debaixo da cama, nu como nasceu, enquanto a mulher, escoladíssima, gritava para o marido:

 

       – Pelamordedeus, Betinho! Não acenda a luz! Eu estou com uma dor de cabeça horrível!

 

       Atendendo ao apelo desesperado da mulher, o bombeiro começou a tirar a roupa, no escuro mesmo. E Zé Luiz segurando a respiração, debaixo da cama.

       A mulher deu sequência à encenação, com um falso pranto:

 

      – Betinho, meu amor, por favor vista a roupa de novo, corra até a farmácia  e me compre um remédio pra dor de cabeça, senão eu enlouqueço! E não acenda a luz!

 

      Às pressas, o bombeiro vestiu novamente a farda e correu à farmácia, que ficava quatro quarteirões de sua casa. Em lá chegando, o farmacista olhou pra ele de modo estranho:

 

       – Ô Rigoberto, você não é mais cabo do Corpo de Bombeiros?!

 

       – Claro que sou! 

       – E então porque você está vestindo essa farda de guarda civil?

 

       Enquanto isso, José Luiz entrava esbaforido no quartel da Guarda Civil, que ficava ao lado do Palácio do Governo. Seu superior hierárquico de plantão, o oficial Manuel Pereira, Manu, se surpreendeu quando reparou na figura do Du:

 

        – Ué, Du, você mudou de corporação e não avisou a ninguém, rapaz! Desde quando você é cabo dos bombeiros?

        – Eeeuuu bombeiro, Manu?! Não estou entendendo nada!

        – Como não está entendendo, se você está usando a farda de bombeiro militar?

 

        Zé Luiz passou um mês tentando se explicar perante os seus superiores hierárquicos.

 

 

Por amor a mãe

      O sonho do Mirandolino era ser juiz de futebol. Um dia, ele saiu de Traipu e veio tentar aperfeiçoar-se no ofício, aqui na capital. Naturalmente que não era um apitador da categoria do nosso Francisco Carlos, o Chicão, mas assoprava direitinho o instrumento, nas partidas de segunda e terceira divisões do interior. Mas, com pouco tempo, desencantou-se e ligou pra casa:

      – Mãe, vou voltar! O povo aqui em Maceió não me respeita! Esculhamba comigo. Nunca estou agradando!

      – Calma, meu filho! – consolou a mãe. – Não ligue para essas bobagens. A vida é assim mesmo!

       – É, mãe, a senhora fala assim porque não sabe o que eles dizem da sua pessoa!

 

Com dobradiça, é covardia!

      O bebedourense Audegálcio Pitanga era um sujeito deprimido por natureza. Tinha medo de mulher, tinha medo de sexo, tinha medo de tudo! Acabou pirando de vez. Aí, o que fizeram os seus parentes mais chegados? Pegaram ele e internaram num hospital psiquiátrico todo cheio de trique-triques incríveis no tratamento de malucos e, como o caso do Audegálcio era de origem sexual, encaixaram ele no pavilhão misto, cheio de pirados de ambos os sexos. Os modernos diretores do manicômio acreditavam que assim agindo, poderiam curar o terror sexual do paciente no convívio com o mulherio. Mas o Audegálcio continuava morrendo de medo de transar. O psiquiatra-chefe continuava otimista:

     – Não tem problema. Convivendo com os outros, aos poucos ele vencerá esse medo.

      De olho no Audegálcio, os especialistas passaram a notar que ele, aos poucos, ia se adaptando ao regime a que foi submetido. A princípio assustado e tímido, um mês depois ele já batia um papinho com um colega, ou cumprimentava uma interna. Estava aos poucos se desarnando.

       Mais um mês e ele já chegava junto das pacientes, com o intuito de saber qual a diferença entre homem e mulher. Uma tarde, encheu-se de coragem e decidiu que, naquele dia tiraria todas as suas dúvidas a respeito: pegou uma doida dando sopa e armou uma estratégia:

        – Aposto que eu levanto a minha perna mais alto do que você.

        Ela topou a aposta. Audegálcio levantou o camisolão até em cima e – vupt! -, botou a perna quase em cima do ombro. A mulher fez um pequeno esforço e levantou mais alto.

        – Levante de novo! – ele ordenou. – Eu quero ver uma coisa!

        – Que coisa?

        – Vai, levanta! Quero ver!

        A mulher levantou, Audegáldio deu uma espiada mais demorada, e bem de perto, exclamando em seguida:

         – Não é vantagem. Com dobradiça arte eu!