Ailton Villanova

18 de maio de 2017

Uma estratégia do “piru”!

uma estrategia do e2809cpirue2809d 600x300 c - Uma estratégia do “piru”!

 Farristas contumazes, os amigos Nipoclésio e Geonitálio, cujo apelido era “Géo Xoxota”, jamais deixaram um fim de semana em branco, desde quando se entenderam por gente. Na sexta-feira, quando saíam da repartição onde trabalhavam, eles se mandavam para a zona boêmia do Jaraguá, onde ofereciam verdadeiro show no consumo de bebidas alcoólicas. Só voltavam pra casa na madrugada do sábado, chamando Jesus de Genésio.

      Num certo final de semana eles passaram da conta nas bebidas e só iniciaram viagem de volta aos seus respectivos lares, na manhã do domingo. Na segunda-feira, ainda ressacado, o Géo Xoxota chamou o colega num canto da sala da repartição, para uma conversa de pé de ouvido:

       – Ô Nipo, tu precisa saber de uma coisa que aconteceu comigo…

       – Que coisa, rapaz?

       – A dureza que encarei quando voltei pra casa, na manhã de ontem, depois daquela nossa farra. E olha que tomei todo cuidado do mundo! Aliviei o pé no acelerador duas quadras antes de chegar na porta de casa. Quando encostei o carro na garagem, fui logo desligando o motor. Abri a porta no maior silêncio e empurrei o carro sem fazer barulho algum. Girei a chave na fechadura devagarinho, tirei os sapatos e entrei pisando macio. Subi as escadas do quarto e fui trocar de roupa no banheiro. Sequer tomei banho para não chamar a atenção com o barulho da água. Pra não acordar a Júlia, entrei no quarto de costas, de fininho… E não é que a filha da mãe da mulher acordou?!

      – Acordou, como?

      – Ora, acordando! Abrindo os olhos, como todo mundo faz! No que ela acordou, foi logo gritando no meu do meu ouvido: “Chegando a esta hora, não é seu safado?”

      E o Nipoclésio:

      – Você fez tudo errado, rapaz!

      – E o que era que eu deveria ter feito?   

      – Olha, eu faço extamente o contrário e nunca tive problema algum com a Nivalda. Ontem de manhã, eu já entrei na esquina de casa cantando os pneus e emboquei na garagem fazendo um barulho da gota serena! Depois, bati a porta com violência e saí tropeçando em tudo o que vi pela frente, mesmo acendendo todas as luzes da casa…

       – Caramba!

       – Aí, abri o bocão: “Que corno fiadaputa que eu sou!”

       – E a Nivalda, tua mulher?

       – Ficou quietinha, na dela, caprichando no ronco!

 

Um assassinato iminente (?)

      O distinto Ciclovinésio andou por este mundão de Deus até cansar. Quando cansou, voltou para a cidade de Maruim, no vizinho estado de Sergipe com uns trocados no bolso e uma grana preta na conta bancária, disposto a contrair núpcias com uma conterrânea que atendesse às suas exigências machescas. Não precisou procurar muito, porque encontrou dando sopa a notória Santina Eucalina, cuja fama era a de se constituir na maior galinha da cidade. A rapaziada maruiense inteira já havia passado Santina nas armas.

      Louco de paixão, Ciclovinésio, ligeirinho, levou a criatura ao altar. Depois da cerimônia eles se mandaram para passar a primeira noite de núpcias num hotel da periferia maruiense, pois o maridão pretendia partir de lá, com a amada, na manhã seguinte, para curtir a lua-de-mel na simpática cidade de Aracaju.

      Assim que os noivos se instalaram no hotelzinho, toda a galera que já havia dormido com Santina correu para debaixo da janela do quarto do casal, só para escutar a sacanagem que certamente rolaria lá dentro. A rapaziada conhecia a Santina de sobra.

      Ouvidos atentos, a turma escutou muito bem quando o Ciclovinésio anunciou:

      – Vou te beijar como nunca, meu amor…

      Do lado de fora, um dos rapazes cochichou:

      – Atenção! Ele vai beijá-la!

      E, no quarto, o noivo prosseguia, romântico:

      – Agora, vou te abraçar como nunca, minha santinha…

      – Ele vai abraça-la! Ele vai abraça-la!

      No lado de dentro, o marido respirava fundo e lascava:

      – Prepare-se, meu amor! Agora, vou fazer com você o que jamais alguém lhe fez antes…

      Nesse momento, ouviu-se o grito desesperado de alguém, embaixo da janela:

      – Pelo amor de Deus, minha gente! Ele vai mata-la! Ele vai mata-la!

      Segundos depois, um grupo de machos desesperados, invadia o quarto dos nubentes, para salvar a noivinha de um suposto iminente assassinato. A lua-de-mel acabou aí. E o casamento, também.

 

Trem da alegria

      Viajavam em um trem um brasiliense, um gaúcho, um mineiro, um carioca e um goiano. Lá pelas tantas, o gaúcho abriu a sacola, pegou um belo pedaço de carne, mordeu uma pequena parte e jogou o restante pela janela. Todos observaram aquilo com um certo espanto, e o gaúcho justificou:

      – Bá, tchê! Isso é o que mais tem na minha terra!

      Passado algum tempo, o mineiro abriu a sacola, pegou um belo queijo e repetiu o ato do gaúcho. Todos os outros olharam para ele espantados. O mineiro explicou:

      – Uai, sô! Isso é o que mais tem na minha terra!

      Mais alguns minutos e foi a vez do carioca: abriu a sacola, pegou um tremendo dum baseado de uns 20 cm, deu uma tragada, prendeu, soltou o resto pela janela. O espanto se repetiu, e o carioca:

      – E aê, mané! Valeu? Isso é o que mais tem na minha terra, tá ligado?

      Passaram-se uns vinte minutos, o silêncio reinava no vagão, quando,  de repente, o brasiliense, sem nada dizer, levantou-se e jogou o goiano pela janela…

 

Um barbeiro nervoso demais

      Um velho barbeiro resolveu ensinar sua profissão ao filho de 15 anos. O velho era muito impaciente, ignorantão. Quando o garoto se preparava para estrear na profissão como aprendiz, o velho avisou:

      – Olha, menino, toma cuidado que a navalha é muito afiada. Não vá ferir o cliente!

      O garoto trêmulo, vigiado pelo pai, por descuido cortou um pouco o rosto do cliente. O velho viu e deu o maior esporro:

      – Seu burro! Eu te avisei que tivesse cuidado! – deu um empurrão no menino, e quando ergueu a mão fechada para lhe aplicar um soco na cara, o garoto desviou o rosto e o soco pegou no cliente. O velho nem se desculpou e ficou gritando com os dois – o filho e o cliente.

      Voltando ao trabalho mais nervoso ainda, o garoto novamente cortou o rosto do cliente. O velho partiu pra ele com mais fúria e a cena se repetiu: o cliente levou outro soco. Mesmo assim, o garoto continuou fazendo a barba do cliente, mas foi infeliz: cortou sua orelha, que caiu no chão. Dessa vez o cliente falou baixinho:

      –  Disfarça, põe o pé em cima da orelha, porque se o seu pai notar, ele mata a gente!