Ailton Villanova

11 de Maio de 2017

Um pato maneiro

      Hoje, homenageio uma antiga professora minha, que me pede para contar um “causo”, uma piada, uma anedota, o que for, contanto que o texto seja leve, inocente, algo infantil. Minha ilustre mestra, leitora assídua desta coluna – o que para mim é uma honra -, merece a melhor das minhas atenções.

      E as minhas homenagens, desde que ela é responsável por um tanto do meu saber.

      Pois aí vai, professora.

      Era uma vez um pato. Não um pato comum, mas um pato incrível. Um dia, não por acaso, ele entrou no bar do cidadão Perolânio Pretérito (mais conhecido como Perô), aterrissou no balcão e disse:

       – Quac! Manda uma cerveja aí, meu caro!

       O dono do bar reagiu espantando:

       – Ôxi! Mas você é um pato!

       E o palmípede, cheio de moral:

       – É claro que eu sou um pato, meu caro! Fique certo de que não está tendo nenhum problema de visão.

       Perô, o dono do bar, alisou as penas do pato e respirou aliviado, em que pese incrédulo:

        – Realmente, você é um pato! E como fala!

        – Já conferiu? Agora me traga a cerveja! Pode ser ou está difícil?

        – Claro que pode ser. Mas, antes, me responda uma coisa: o que você faz por aqui, pato?

        – Sou encanador e fui contratado para trabalhar numa obra, aí na frente, por duas semanas, mais ou menos. De modo que você vai me ver mais vezes por aqui, na hora do almoço.

       Dois dias depois, armaram um circo nas proximidades do bar e o gerente desse circo foi até lá, com o intuito de tomar uns birinaites. Nessa ocasião, tomou conhecimento, através do próprio Perô, da existência do palmípede falante.

        – Já que você é gerente de circo, vou lhe dar uma dica sensacional: aqui no pedaço tem um pato que fala! Já pensou no sucesso que ele faria no seu circo? – sugeriu o Perô.

        – E onde posso encontrar esse pato?

        – Aqui mesmo, no bar. Ele vai aparecer amanhã, lá pelo meio-dia…

        – Então, mande ele falar comigo.

        Dia seguinte, o pato apareceu e o Perô disse pra ele:

        – Eu ontem falei de você pro gerente do circo que está armado alí adiante e ele ficou interessado em contratá-lo.

        – Verdade?  

        – Verdade. Você pode até ficar rico, se for trabalhar nesse circo.

        E o pato:

        – Quac! Mas que trabalho pode ter um circo para um encanador?

 

Caso sério de ereção

      Embora não tivesse problema algum com a produção de filhos, até porque não era casado, um certo Eribaldo resolveu submeter-se a uma vasectomia. No meio da cirurgia, o médico se distraiu, espiando para o decote da enfermeira, e deixou cair uma das bolas do infeliz cair no chão. Ele procurou, procurou, mas como não achou a tal da bola, pediu para a enfermeira trazer uma cebola pequena. O doutor, então, implantou a cebola e deu por concluída a operação.

      Duas semanas depois, o Eribaldo voltou ao cirurgião para fazer a avaliação e este perguntou:

      – E aí, tudo bem?

      – Tudo mais-ou-menos, doutor. Na verdade, eu estou com um pequeno problema…

      – Que problema?

      – É que toda vez que passo na frente de uma lanchonete eu tenho uma ereção!

 

O mal das ostras

      Matutão das lonjuras de Pariconha, o distinto Januário Pereira veio à capital com o intuito de conhecer a tão falada ostra. Ao desembarcar na rodoviária, pegou um taxi e disse ao motorista, cheio de entusiasmo:

      – Me leve para o restaurante onde se come a melhor ostra!

      O motorista deixou a personalidade no lugar mais certo: o então famoso e hoje saudoso Bar das Ostras. Mal Januário aboletou-se numa das mesas, ele foi logo pedindo ao garçom:

      – Quero comer muita ostra!

      Horas mais tarde, Januário dava entrada no Pronto Socorro, acometido de terríveis dores no estômago. Antes de examiná-lo, o médico de plantão indagou:

      – O que foi que o senhor comeu?

      – Ostras!

      – Elas não estavam frescas?

      – Bem… não tenho certeza.

         – Mas quando o senhor abriu as conchas, não reparou na cor que elas tinham?

         – Conchas?! Que conchas?! 

         – Conchas são aquelas cascas grossas…

         – Ah, doutor, tinha que abrir as conchas?

 

Tragédia contada aos poucos

      O distinto Severino da Ponte, o popular Pontão, viajou com a esposa Maria Oscarlina à Roma, para curtir as belezas da Cidade Eterna. Sua casa de campo, ele deixou sob os cuidados do amigo Oristânio. Quase um mês depois, ao retornar da viagem, ele ligou pro amigo, para saber se estava tudo bem.

      – E aí, Orí… correu tudo bem durante minha ausência?

      – Foi tudo ótimo, Biu. Só teve um probleminha…

      – Que probleminha?

      – Seu papagaio morreu!

      – O quê?! Meu papagaio…? O meu papagaio que veio da Amazônia?! Que me custou uma fortuna?! Como foi?

      – Olha, Biu ele morreu porque comeu carne de cavalo estragada.

      – Que carne de cavalo estragada, rapaz?

      – Dos seus cavalos. Eles morreram de cansaço, puxando uma carroça de água para casa.

      – Meus cavalos de raça! Meus cavalos premiados! Por que eles estavam puxando uma carroça de água pra casa?

      – Pra apagar o fogo!

      – Que fogo, meu Deus?!

         – Da sua casa! Ela incendiou!

         – A minha belíssima casa de campo? A casa que eu levei anos para construir? Como foi que ela pegou fogo?

         – Bom, uma vela caiu no pé da cortina. Da cortina para a casa toda, o fogo correu ligeirinho!

         – Mas pra quê vela, se a casa tem eletricidade?

         – Ô cara, você há de convir que um velório fica mais bonito com velas.

         – Que velório?

         – Ah, esqueci de lhe dizer. O velório era da sua mãe. Ela chegou lá de madrugada sem avisar, eu achei que era um ladrão e atirei nela.

         – Ah, meu Deus…

         Aquela notícia foi demais para o coração do Severino. Ele caiu durinho no chão.

          E o Oristânio, ao saber que o amigo havia morrido:

          – Porra meu louro! Vai gostar de papagaio assim na puta que o pariu!