Ailton Villanova

5 de maio de 2017

Velhinhos solidários

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      Casados havia 75 anos, os velhinhos Aldegundes e Esclerilda viviam uma vida tranquila, no subúrbio mais discreto da capital. Com quase 90 anos de idade, a anciã era bastante ativa. O marido, entrando para os 94 janeiros, possuía uma memória de elefante e lia, sem o auxílio de óculos, aquelas letras miúdas das bulas de remédio.

      Uma ou duas vezes por mês, o motorista chamado Perônio buscava o casal para um passeio de taxi pela cidade. Culminava com um lanchinho em qualquer das lanchonetes do centro comercial.

       Certa tarde, depois de um desses habituais passeios, dona Esclerilda pediu ao marido:

      – Meu velho, vamos comer um sanduíche num daqueles barzinhos da praia?

      – Vamos! – concordou seu Aldegundes.

      Foram. Escolheram o mais perto do mar, ocuparam uma mesa, sentaram em torno dela e aí o velho chamou o garçom:

      – Queremos um hambúrguer, batatas fritas, um refrigerante e um copo extra.

      – Só um hambúrguer, senhor?

      – Só, meu filho. Só!

      O pedido baixou rapidinho na mesa dos velhuscos. Seu Aldegundes dividiu cuidadosamente o sanduiche com a mulher, exatamente ao meio. Dividiu as batatas, uma por uma e depois repartiu a bebida irmamente nos dois copos. O ancião começou a comer a sua metade do lanche, enquanto a velhinha ficou espiando, com os cotovelos apoiados no tampo da mesa e o queixo repousando nas palmas das mãos.

       O garçom, que assistia à cena se comoveu e ofereceu ao casal um lanche a mais, pago do seu bolso, para que os velhinhos não tivessem que dividir um lanchinho tão minguado.

       Seu Aldegundes agradeceu e explicou:

       – Estamos casados há 75 anos e a vida toda sempre dividimos tudo meio a meio. De qualquer forma, muito obrigado pela gentileza.

       Emocionado, o garçom dirigiu-se à velhinha:

       – A senhora não vai comer a sua metade?

       E ela, sorridente:

       – Daqui a pouco, meu filho. É que agora está na vez dele usar a dentadura!

 

Ele tinha um detalhe a mais!

      O casal viajava de carro pela rodovia que liga Alagoas a Pernambuco, a 100 km/h. De repente, a mulher resolveu se abrir:

      – Pretérito, eu quero o divórcio!

      O cara nem aí. Apenas, afundou o pé no acelerador do automóvel, aumentando a velocidade para 120 km/h.

      A mulher atacou, novamente:

      – Pretérito, eu quero o divórcio! Estou tendo um caso com o Aglastênio. Eu sei que ele é o seu melhor amigo, mas ele é muito melhor na cama que você!

      Calado, o marido imprimou ainda mais velocidade no carro. O velocímetro pulou para os 140 km/h.

       – E tem mais… – continuou ela. – eu quero a casa da praia, o sítio e a metade do dinheiro que você tem no banco! Tá bom pra você?

      Pretérito permanecia mudo, mas empurrando cada vez mais o pé no acelerador: 160 km/h. A mulher exasperou-se:

      – E você vai permanecer o tempo todo calado? Você não vai ficar com nada?

      Pretérito resolveu falar:

      – Não. Eu estou satisfeito, tendo tudo o que poderia ter. 

      – E o que é?

      – Eu tenho o airbag!  

 

Riu do quê?

      Seu Antupatro veio a Maceió para resolver uns assuntos de seu particular interesse e voltou pra Olivença, pra lá de invocado. Mal entrou em casa, foi logo contando pra sua esposa:

      – Sabe, Risoleta, os pessuá na capitá é munto brincaião! Se um cristão cai do ôimbus, eles logo vai caindo na gaitada!

      – E tu num riu junto, Tupato?

      – Ri nada! Quem caiu foi eu!

 

Um vôo muito louco!

      Vôo turístico programado por certa empresa paulista do ramo, com destino ao Rio de Janeiro, partiria do interior mineiro, com escala na capital bandeirante. A passageirada, ansiosa, aguardava, dentro da aeronave, o piloto e o co-piloto, que estavam atrasadíssimos.

       Daí a pouco, eles chegaram. Cada um dos dois, com óculos escuros escanchados no pau da venta. O piloto, utilizando-se de uma bengala branca, ia na frente, tateando, para encontrar o caminho até a cabine de comando. Atrás dele, o co-piloto era orientado por um cão guia de cego. Os passageiros ficaram apavorados com a cena.

      – Me tirem daqui! – gritou, feito doida, uma madame gordona, pondo-se de pé. – Quero falar com o dono da empresa!

      O nervosismo dos passageiros aumentou assim que eles repararam nos ceguinhos sentados diante do painel de comando da aeronave. Piorou ainda mais quando, logo em seguida, os motores foram acionados e o avião começou a taxiar na pista.

      Ao sentirem que o aparelho havia se posicionado na cabeceira da pista, os passageiros ficaram mais histéricos ainda. A loucura generalizou-se quando o piloto afundou o pé no acelerador e a aeronave disparou pela pista. Um padre que ia a bordo, apelou:

       – Irmãos passageiros! Rezemos ao Senhor! Pai Nosso que estais no céu…

       Ninguém respondeu ao apelo do sacerdote, pois todos estavam em pânico.

       E o avião ganhando mais velocidade.

       – Valei-me, Cristo Redentor! – berrou uma madame baixinha, de rosário na mão.

       Então, como por milagre, o aparelho decolou e ganhou o céu, puxando mil por minuto. Aí, os passageiros se acalmaram.

       Enquanto isso, na cabine de comando, o co-piloto comentava com o piloto:

       – No dia que os passageiros não gritarem, a gente tá ferrado!