Gerônimo Vicente

29 de Abril de 2017

Seriedade na informação? A gente vê na imprensa estrangeira

Quer obter uma informação isenta e  séria  sobre política e economia no Brasil? Vá a um site da imprensa internacional. A afirmação não  é exagero de minha parte e  foi confirmada durante a cobertura da greve geral desta sexta-feira (28), bem diferente do comportamento da grande mídia brasileira  que resumiu  a grande mobilização  popular e que parou os meios de transportes, escolas, agências bancárias, portos, unidades de saúde e boa parte do comércio na maioria e nas mais importantes capitais e cidades do país em duas palavras; baderna e fracasso.

Para os principais veículos de comunicação como, as Organizações Globo, a Folha de São Paulo, revista Veja,  Valor Econômico e outros bem alinhados com o governo Temer, as manifestações não passaram de ações tumultuosas,  uma clara associaççao  à declaração do ministro da Justiça Osmar Serraglio, o mesmo citado pela Polícia Federal de envolvimento em fraude na operação Carne Fraca e  se confirmad a a acusação,  um dos responsáveis por colocar em risco a saúde da população.

A questão é que esses veículos rasgaram um instrumento de compromisso com a sociedade chamado Manual de Redação, instituído depois da restauração da democracia, em 1985 e tão comemorado por pesquisadores de comunicação social como, José Marques de Mello e  Carlos Eduardo Lins e Silva. A conduta ética, o pluralismo e veracidade dos fatos desceram ladeira abaixo, desde  a fase pré-impeachment de Dilma Rousseff e, hoje os grupos de comunicação se transformaram, de forma evidente, em  porta-vozes de governo ilegítimo e sem credibilidade.

Logo ao fim das paralisações, na noite de sexta-feira  consultei alguns portais estrangeiros sobre as impressões desses veículos sobre a greve no Brasil. Aliás, o acesso  a esses portais não é tão difícil como se imagina. Não lida com o inglês, francês ou espanhol? Basta clicar no botão direito do mouse e  traduzir ou recorrer ao google tradutor e outros aplicativos tradutores.

O site  do Wall Street  Journal, vinculado a Dow Jones Company, ou seja,  ao mercado financeiro norte-americano,  “mancheteou” que  a “Greve Geral paralisa os transportes no Brasil”. O site ainda explica  quais os motivos: as reformas da previdência e trabalhistas. O Al Jazeera, o mais importante veículo  de comunicação do Oriente Médio e que ganhou proporção mundial nos últimos anos, também apresenta a manchete de que  “Protestos anti-Temer paralisa as grande cidades  no Brasil” e cita medidas de austeridades do governo como a causa principal. A agência Reuters cita a indignação dos brasileiros com as reformas de Temer e lista  os setores paralisados. No Twitter, o assunto Brasil em Greve teve mais de 250 mil menções e foi um dos mais comentados no mundo. O Yahoo News destaca a ação violenta da Polícia Militar em  capitais como São Paulo, Rio e Goiânia. O Los Angeles Times,  se refere  na manchete à greve geral  que esvazia escolas e interrompe os negócios no Brasil, segundo o veículo. O francês Le Monde faz referência  à greve histórica e aponta que os sindicalistas esperavam que o movimento alcançasse  40 milhões de pessoas e pelos cálculos deles  5 milhões  não aderiram e,  por  fim, o New York Times  acrescenta que o Brasil foi ocupado pela greve geral contra as medidas  austeras do governo.

Quem testemunhou as duas últimas greves gerais (1988-1989) como eu e muitos outros brasileiros,  sabe da importância da paralisação desta sexta-feira para o  nosso futuro, pois  foram a partir  dos movimentos dos anos de 1980 que o país definiu um rumo e consolidou a  sua democracia, a partir do diálogo entre patrões e empregados, bem ao contrário da arrogância do governo, do mercado financeiro e econômico e da descompostura da mídia  conservadora.

Abaixo separei todos os links das mídias internacionais para  que  fique evidenciado a vergonha que nos faz, enquanto profissional de jornalismo,  essa grande mídia nacional.

Al Jazeera

Wall Street Journal

Reuters

Yahoo News

Le Monde

New York Times