Ailton Villanova

27 de abril de 2017

Ué, cadê o Carnaval?!

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      O camelô José Minervino Clarindo, mais conhecido como Minervo, tomou uma cachaça tão aloprada, no último sábado de Zé Pereira, que só veio acordar no segundo horário da quarta-feira de cinzas. Assim que abriu os olhos, pulou da cama no meio do quarto, já de olho no relógio. Ao reparar na hora, tomou o maior susto: faltavam 10 minutos para às 4 da tarde.

      – Eita diabo! Tô atrasado para a folia na Pajuçara!

      Minervo correu pro banheiro e se meteu debaixo do chuveiro, que mais parecia um conta-gotas. A água só pingava. Acabou de tomar banho, foi à geladeira. Estava zerada. As tripas roncavam na barriga em ritmo de frevo. Mas, o importante era o carnaval. De modo que ele se mandou para o ponto de taxi, mastigando um pedaço de pão duro, que achara dando sopa no balcão da cozinha. A comida propriamente dita ficaria para depois.

         Mal entrou no taxi, Minervo falou pro motorista:

         – Meu irmão, se manda pra Pajuçara, que eu tô meio “avexado”!

         Minutos depois, o taxi parou na avenida Antônio Gouveia, em frente a Praça Multieventos, Minervo desceu e ficou perdidão, feito cachorro quando cai do caminhão de mudanças. Olhava para um lado, olhava para o outro, nem um pé de gente na avenida.

          – Ôxi! Cadê o carnaval?! Que diabo está acontecendo por aqui?

          Desolado, Minervo sentou-se no meio-fio, enfiou a cabeça entre as mãos e ficou pensando no que teria havido – ou não teria havido – naquele local. Mil conjecturas. Nesse momento, foi passando um camarada montado numa bicicleta. Minervo o abordou:

           – Ô meu amigo, você poderia me informar se vai haver carnaval hoje? Está tudo tão deserto…

           O ciclista reparou na cara de ressaca do Minervo e respondeu:

            – O carnaval  acabou ontem, meu irmão. Achou pouco, foi?

            Minervo invocou-se:

            – Como é a história? Tá querendo “zonar” comigo, meu? Quem já viu carnaval terminar no domingo?

            – Tu tá maluco mesmo, hein, cara? Hoje é quarta-feira de cinzas…

            – Num brinca!

            – Tô falando sério! Quer tirar a dúvida? Pergunte àquele cidadão que vem vindo ali.

             O transeunte cegou mais perto e o Minervo, com a maior cara de pateta, dirigiu-se a ele:

              – O distinto poderia me dizer que dia é hoje?

              – Quarta-feira!

              Nesse momento, Minervo teve uma ataque de loucura e quis no morrer afogado, atirando-se no mar. Trabalho deu para tirá-lo de lá.

 

Só pode ser masculino!

      Passado dos 70 anos e em vias de aposentar-se, seu Arionauro Pimpo cismou de matricular-se na escola noturna para concluir o segundo grau, justificando:

      – Agora que vou ter um tempinho, que me formar Adêvogado!

      E lascou o pau a estudar. Semana depois, andava às voltas com um dever de casa. Uma dúvida martelava a sua cachola e ele, então, tomou a iniciativa de ligar para o primo Fedúlcio, a quem sempre julgou ser o cara mais inteligente do mundo:

       – Primo véio, me tira aqui uma dúvida…

       – Só se for agora, primo. Diga lá!

       – É o seguinte: paralelepípedo é masculino ou feminino?

       Fedúlcio respondeu de lá:

        – Ô Ari, por acaso você já viu paralelepípedo vestindo saia?

        – Claro que não!

        – Então tá na cara que é masculino!

 

Limpou até demais!

      A simpática e inteligente jornalista Fátima Vasconcellos contratou mais uma empregada. Ô sina, meu Deus! Odete é o nome dela.

      Quinta-feira dessas saiu cedo de casa, com destino ao supermercado e voltou carregada de sacolas de comestíveis. Separou um deles e disse para a criada:

      – Olha, minha filha, eu quero que você limpe bem estes camarões e prepare eles no capricho, entendeu? Amanhã, vou trazer uma colega, a Eliane Aquino, para almoçar aqui conosco. Ela adora camarões!

       Dia seguinte, Fatinha saiu para trabalhar bem cedinho, reforçando a recomendação da noite anterior:

       – Veja lá, hein, Odete? Meio-dia em ponto estarei de volta com a minha amiga. Capriche nos camarões!

       – Pode ir tranquila, doutora. Vou fazer uns camarões caprichadíssimos!

      Fatinha se mandou para o trabalho e na hora prometida estava de voltar ao lar, acompanhada da ilustre convidada.

      Mal Fátinha Vasconcellos e Lily Aquino assentaram os respectivos solados dos pezinhos dentro de casa, a anfitriã foi logo reclamando:

      – Huummpf! Eita! Que camarões mais fedorentos são esses, Odete? Pelo amor de Deus!

      E a doméstica:

      – Do que a senhora tá falando, doutora?

      – Os camarões estão cheirando mal… Que horror!

      – Ah, doutora Fátima, cheirando mal estavam antes. Passei mais de uma hora limpando eles bem direitinho…

      – Não parece!

      – Pois limpei, doutora. Limpei com sabão, alcool e creolina. Depois, quando estavam cozinhando, eu ainda botei água sanitária, detergente… e uma gotinha de óleo de coco!