Ailton Villanova

26 de abril de 2017

Carnaval fatídico

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 O padeiro Bevenaldo Santana, mais conhecido como Bené Boca de Sandália, desde rapazinho é chegado a uma birita, mas na segunda-feira do carnaval que passou ele foi além da conta na biritagem. Encheu a cara, com uma patota da pesada do Alto do Céu, distrito do bairro Pinheiro. Aí, ficou loucão.

      Quando menos se esperava, eis que ele subiu num poste de iluminação pública e, de lá de cima, danou-se a cantar aquela música famosa de outros carnavais:

      – “Daqui não saio/ Daqui ninguém me tira”…

      O que juntou de gente embaixo do poste, apelando para ele descer, não está em nenhum gibi.

      – Desde daí, Boca! Tu morre, fidapeste! – gritou um dos curiosos.

      E ele, na maior empolgação:

      – “Daqui não saio/ Daqui ninguém me tira, ôôôiii”…

      Não adiantaram os apelos. Boca de Sandália estava mesmo disposto a arriscar a vida, trepado no infeliz do poste. Até que resolveram chamar dona Bertulina, a mulher dele, para fazê-lo descer. A madame chegou ao local enxugando as mãos no avental:

       – Ô Bené, tu malucou, foi? Desce daí, vai!

       Mais determinado do que nunca, ele respondeu:

       – Não desço! Agora é que não desço mesmo, pronto!

       E dona Bertulina, advertindo:

        – Olha, se você despencar daí, não vai ficar um osso inteiro no seu esqueleto! Eu tô avisando!

        – De quem são os ossos? De quem é o esqueleto? Não é tudo meu? Vai cuidar da cozinha, mulher da porra!

        Àquelas alturas já existiam duas torcidas organizadas: uma a favor e outra contra a descida do poste.

        – Fica aí em cima, Boca! – incentivou um torcedor “a favor”.

        – Desce, rapaz! – rebateu um adepto “contra”.

        Em dado momento, Bené Boca de Sandália invocou-se e gritou lá de cima:

         – Atenção, galera! Eu vou pular!

         – Pula! Pula! Pula! – era a torcida a favor.

         – Não! Não! Não! – reagiam os contrários.

         E ele:

         – Eu vou pular! É um… é dois… é trêêêsss…

         Boca de Sandália largou-se lá de cima, estatelando-se no asfalto.     Fraturou até a língua.

 

Uma sogra de muito fôlego!

      O carnaval estava quentíssimo na Ponta Grossa. Num dos botecos instalados na Praça Moleque Namorador, o chamado “QG da Folia da Plebe”, dois foliões, o tal de Carolino Pereira, vulgo “Birita” e um certo Gastão Pinto, o “Gasosa”, conversavam besteira, enquanto maltratavam, no dente, umas canelas de caranguejo e bebiam cerveja. Daí a pouco, o Gasosa, que também é chegado a uma pescaria, saltou com esta:

       – Sabe, mano velho, eu sou capaz de passar dez minutos debaixo d’água, sem respirar nem um tiquinho…

       E o Carolino Birita, cheio de ironia:

       – Grande coisa! Hoje mesmo tá fazendo dois meses que a minha sogra mergulhou na lagoa e continua esse tempo todo lá, sem respirar…

 

Cadê a mulher do véio?

      Terça-feira de carnaval, praia de Pajuçara.

      No meio daquela agitação toda, o velhusco Florentino Paranhos choramingava sentado no meio fio. Aí, aproximou-se um PM, que falou penalizado:

       – O que foi que houve, vovô?

       E seu Floro, com os olhos marejados de lágrimas:

       – Estou com  88 anos, tenho uma mulher de 22 lindíssima e muito da gostosa…

       O militar mudou de tom:

       – Mas isso é ótimo, vovô! É motivo pra rir e não pra chorar! Tem algum problema?

       – É que eu a trouxe pro carnaval, num sabe? Chegamos aqui, ela se agarrou com um garotão e os dois caíram no frevo, acompanhando o Pinto da Madrugada…

       – É natural que a jovem queira se divertir, não é?

       – É. Mas ela tá demorando muito! Disse que era pra eu ficar aqui esperando, e até agora não voltou!

       – Que horas foi isso?

       – Foi no sábado de Zé Pereira!

 

Só outro carro!

      Juca Vieira encostou o seu Chevette derrubadinho na oficina do “Béu Formigão”, na Ponta da Terra, e falou pro mecânico:

      – O carrinho tá danado falhando! Quando para, pra sair é um trabalho danado! Veja aí qual é o galho, meu irmão?

      Enquanto o mecânico se preparava para examinar o carango, o Juca aproveitou o ensejo, para sugerir:

      – Olha, Béu, eu tenho pra mim que o problema dele é bateria…

      Formigão abriu o capô e começou a mexer no motor:

      – Xovê… Huummmm…

      Em seguida, sapecou:

      – Bem… o problema aqui é mais grave do que você pensa.

      – É mesmo? 

      – É. Sua bateria está precisando de um carro novo!