Ailton Villanova

14 de Abril de 2017

O ladrão biritado

      Começo da madrugada, o telefone tocou na Delegacia de Plantão da 1ª Regional da Polícia, e o agente da portaria atendeu, meio sonolento:

       – Ôlô! Aqui é da Polícia!

       Do outro lado da linha uma voz feminina falou bem baixinho:

       – Moço… tem um ladrão aqui em casa! Mande os guardas, por favor!

       – Quem tá falando aí, pô? – o policial era um primor de educação.

       A dona da voz identificou-se, passou o endereço de sua casa e, não demorou muito, bateu lá um monte de tiras e militares montados em dois camburões barulhentos e velhos. Naquele tempo era assim.

       Os moradores da residência invadida encontravam-se do lado de fora, aguardando a chegada da polícia. Vizinhos dando o maior apoio.

       – O bandido está lá na cozinha! – antecipou-se a dona da casa.

       – Pode deixar com a gente, senhora.

       Os policiais entraram na residência com toda cautela do mundo. Quando chegaram ao corredor, escutaram aquele barulho terrível – rrrooonnc… rrroaaarrr… – partido da cozinha.

        – Valei-me meu Santo Antônio! – apelou um dos policiais, tremendo na base. – Que diabo é isso?

        Era o ladrão que, aquelas alturas, encontrava-se encolhido no chão, ao lado da geladeira, que tinha a porta escancaradab. O infeliz puxava um ronco violento. Dormia a sono solto. Despertado pelos policiais, ele não gostou:

         – Mas que diabo…?! Será que a gente não pode dormir sossegado nesta casa?

         No que retrucou o chefe da equipe:

        – Que boca dura é essa, ladrão safado? Levanta daí, que você tá preso!

        – Preso puuurrr quê?

        – Vai, levanta!

        O larápio se levantou na marra e foi levado nos braços dos policiais até um dos camburões. Mal se pondo de pé, o cara foi apresentado ao delegado de plantão, coronel PM Alcântara, que interrogou:

         – Mas que ladrão folgado é você, hein, rapaz? Invade a residência alheia, toma todas as bebidas que encontra pela frente e ainda tem o desplante de querer dormir onde não é chamado!

         E o larápio:

         – O problema é o seguinte, chefia… Realmente eu entrei na casa para fazer uns afanos mas, quando abri a geladeira e vi aquele monte de bebidas, não resisti! Bebi todas! Aqui pra nós: nada melhor que uns birinaites, é ou não é, chefia?

 

Garoto precoce demais!

        Os baixinhos Tercilinha Cabral e Cabralzinho, tia e sobrinho, andaram tanto no shopping que se cansaram. Então, resolveram botar as canelinhas pra repousar. Sentaram num dos bancos do passeio e ficaram reparando na movimentação das pessoas. Daí a pouco, o sobrinho se virou para a tia e disse:

         – Tô com uma vontade danada de fazer xixi!

         A baixinha respondeu:

         – Fica quieto, menino!

         Passa um pouco de tempo e Cabralzinho:

         – Quero fazer xixi, tia!

         E Tercilinha, sem nenhuma paciência com o sobrinho:

         – Não vai fazer xixi porra nenhuma!

         A cena se repetiu várias vezes, até que a moça que sentava no banco em frente dos dois, se ofereceu para levar Cabralzinho ao toalete. Demoraram lá meia hora ou mais. Quando voltaram, a moça desabafou com a Tercilinha:

          – Puxa, como é desenvolvido esse garoto, hein? Quantos aninhos ele tem?

          – Vinte e três! – respondeu a tia.     

 

Mal comparando…

      Todo cabreiro, o Ariolênio Carneiro entrou no consultório do médico Apolinário Bezerra e pediu a sua secretária para falar com o sobredito, com urgência. Minutos depois, introduzido na sala do esculápio, este perguntou:

       – O que está lhe afligindo, meu jovem?

       – É o meu pênis, doutor! – respondeu o cara. – Estou para me casar e…

       Aí, o médico entendeu:

       – Sei, sei, meu filho, Você tem um problema lá, não é?

       – Exato, doutor.

       – Qual exatamente o problema, meu filho?

       – E o cara:

       – É o seguinte… é que… é do tamanho de uma criança de cinco anos…

       – Destamanhinho? – perguntou o médico, fazendo gesto com o indicador e o polegar.

        – Não, senhor. Ele mede entre 90 centímetros e um metro, o que corresponde o tamanho de um menino de cinco anos.

 

O apostador infalível

      Trigerídio Sortinaldo era um apostador desenfreado. Vivia apostando e ganhando dinheiro de todo mundo. Até que, um dia, o prefeito de sua cidade ligou para o colega edilidade vizinha, que também tinha fama de grande apostador, e revelou que estava com vontade de deportar o sujeito pra bem longe. No que o colega Deonésio sugeriu:

       – Manda ele pra cá, Odibaldo! Manda, que eu quero mostrar a esse cara com quantos paus se faz uma jangada!

       – Olha que ele nunca perdeu uma aposta, Deonésio!

      – Tem problema não. Manda o cara. Vou desmoralizá-lo!

      E o prefeito Odibaldo Castanheira despachou Trigerídio. Assim que ele assentou o solado dos pés na outra cidade, ele foi logo procurando o alcaide, que o recebeu em tom de peitada:

       – Então é você o sujeito que nunca perde uma aposta, não é?

       – Conversa, excelência. É só um pouquinho de sorte, nada mais.

       – Quer fazer uma aposta comigo, rapaz?

       – Se o senhor quiser, né?

       – Pode escolher…

       Trigerídio lascou lá:

        – Aposto como o senhor tem hemorroidas!

        – Rá, rá! Já perdeu, rapaz! Não tenho hemorroidas, nunca tive e jamais terei! Posso provar!

         E o apostador perdeu para o prefeito Deonésio, que ligou imediatamente pro colega, na maior euforia:

          – Alô companheiro Odibaldo! Esse seu apostador é um merda! Acabei de desmoralizá-lo. Ganhei 100 mirréis dele!

          – Não diga! O que você apostou com ele?

          – Apostei que não tinha hemorroidas.

          – E você não tem?

          – É claro que não!

          – E ele viu que você não tem?

          – Viu, sim.

          – Ele examinou bem pra ver?

          – Mas é claro! Aposta é aposta!

         – Ele passou a mão na sua bunda e enfiou o dedo no seu cu?

         – Lógico!

         – Filho da égua! Me ganhou uma aposta de 1 conto de réis!