Ailton Villanova

13 de abril de 2017

Saudade dos velhos tempos

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Depois que abandonou o clima quente do Sertão e se instalou na capital, o delicadíssimo Hércules Henrique, mais precisamente o Henriquinho, decidiu que viraria macho.

       – Can-sei da viadagem! – anunciou cheio de convicção.

       Montado nessa decisão, Henriquinho correu para o consultório de famoso médico e se abriu com ele:

        – Decidi parar de dar marcha-à-ré, doutor. Quero que o senhor me arrume um remédio bastante eficiente pra acabar de vez com essa minha insistente mania de viver soltando o “frosquete”…

        E o esculápio, em tom professoral:

        – Bem, meu jovem,  você vai fazer o seguinte… instale-se num apartamento à beira-mar e, todas as manhãs, vá até o calçadão e fique olhando aquelas mulheres lindas, maravilhosas, que ali desfilam todos os dias. Mas olhe só para as mulheres, entendeu?

        – Entendi, claro!

        – Repare naquelas bundas arrebitadas, gostosas, rebolativas; naqueles peitos durinhos, lindos… Esqueça homem, entendeu? Só se ligue nas mulheres.

        – Tá certo, doutor.

        Terminada a consulta médica, lá se foi Henriquinho saltitante e alegre. Uma semana mais tarde, estava instalado num apartamento novíssimo que seu pai havia lhe presenteado. A partir daí, ele acordava cedo todos os dias, corria pro calçadão e ficava olhando aquelas gostosuras caminhando pra cima e pra baixo, ou fazendo cooper. E assim, foi esquentando os bofes. Certa manhã, ao acordar, sentiu uma dor terrível no saco e não contou conversa: procurou o hospital mais próximo, já que o doutor com quem se consultara antes encontrava-se em viagem de férias. O médico de plantão, um certo doutor Monteiro, avaliou:

      – Próstata! Só pode ser uma crise de próstata! Vamos examiná-la direitinho. Abaixe a calça.

      Doutor Monteiro calçou as luvas, ajeitou o cabra na mesa, em posição ginecológica e determinou:

      – Abra as pernas e relaxe!

      Dito isto, o médico introduziu o dedão no foreba do infeliz, que sentiu um friozinho percorrer-lhe a espinha e… gemeu:

       – Oooooohhhuuummm…

       O dedão do médico foi fundo. Girou pra lá, girou pra cá, um pouco mais pra cima, mais pra baixo, e Henriquinho, revirando os olhos:

       – Ai! Ui! Oooiii, doutorzinho!

       – Tá doendo?

       – Aaahhh… meu coração!

       – O quê? Você é cardíaco?!

       – Nããããooo! É que bateu uma saudade tão grande do meu Sertão…

 

Quem vê bunda…

      Albodelázio e Viribaldo, dois bons apreciadores de bundas, tomavam sua cervejinha gelada num daqueles barzinhos da orla de Cruz das Almas, enquanto apreciavam o desfile do mulherio. Cada fêmea mais gostosa que a outra. Aí, Albodelázio, que é do tipo pragmático, apontou para uma loura de biquíni sumaríssimo e definiu:

      – Nota 3 para aquela!

      – Por que, meu irmão? – quis saber Viribaldo, tido e havido como um grande romântico.

      – Tá vendo não? A bunda dela é mal feita, bicho! Repare só: pouca carne… uma tábua! Pra mim tá reprovada!

      – Calminha aí! Não se precipite! Afinal, quem vê bunda não vê coração!

 

Mas que mundo merda!

      Dele, herdei a veia humorística e o pavio curto. Alfaiate e pilhéria, mestre Olivério Villanova também foi juiz de futebol, boêmio, contador de histórias as mais hilárias, e tomador de todas!  Ele nunca deixou de ter uma resposta pra tudo, na ponta da língua.

       Belo dia, baixou na sua alfaiataria um antigo e exigente freguês, o finório chamado Rosalvo Quirino, que fora levar um corte de linho para fazer um terno.

        – Quero vestir essa roupa daqui a uma semana! – determinou.

        Diante da arrogância do freguês, mestre Olivério quis soltar uma piada, mas segurou-se:

         – Não vai dar, seu Rosalvo. Só posso lhe entregar esse terno, no mais tardar, daqui a um mês…

         – Isso tudo, homem? Olha, o mundo que é mundo, foi feito em apenas uma semana…!

        A resposta de mestre Olivério não demorou um segundo:

        – É. Mas o senhor já reparou na merda como ele está agora?

 

Sucessor bastante infeliz

      Otilibaldo tinha acabado de visitar a sepultura da sogra e quando se dirigia à saída do cemitério, chamou-lhe a a tenção o berreiro de um sujeito debruçado sobre um jazigo. Ele soluçava e socava a lápide violentamente.     

      – Por que você tinha de morrer? Por quê? Por quêêê? Buáááá… snif… – era o cara, no maior desespero.

      Comovido com a cena, Otilibaldo aproximou-se do choroso e tentou consolá-lo:

       – A perda de um ente querido é sempre dolorosa. Tenha fé em Deus, que um dia a dor passará.

       O chorão enxugou as lágrimas, encarou o Otilibaldo e respondeu:

        – Ente querido? Eu nem conhecia esse infeliz!

        – Então por que tanto choro?  

        – É que ele foi o primeiro marido da minha mulher!

 

O cara economizou demais!

      No quarto dia de lua-de-mel, Meirinha, a noivinha de 22 anos de idade, já não aguentava mais a extraordinária performance do marido Adalardo, 86 anos de idade. Para dar um tempo, aproveitou que ele foi ao banheiro e desceu ao bar do hotel.

      A garçonete que atendia ao casal desde que os pombinhos haviam se hospedado, ficou assustada com a aparência da mocinha.

      – Você está horrível, meu bem! Bastante diferente de quando chegou. Afinal, o que está acontecendo?

      E ela:

      – Nada, nada. Apenas um mal entendido. Quando o Dadáu me disse que há 55 anos vinha economizando, eu pensei que estava falando em dinheiro.