Ailton Villanova

5 de Abril de 2017

Um peito caro demais!

      Apesar dos noventa e tantos janeiros, seu Bidionáquio Botelho era um velho bastante treloso. Morreu atropelado, quando completou 99 anos. Por um rabo de saia corria léguas sem se cansar. Aposentado do serviço público federal, ele apreciava paquerar as saudáveis fêmeas que desfilavam nas praias de Pajuçara e Ponta Verde. Belo dia, encontrava-se sentadinho num antigos bancos de ferro e madeira, situados na área onde se erguia o famoso coqueiro Gogó da Ema, em Ponta Verde, quando avistou uma mulher maravilhosa, de seios perfeitíssimos, saltar de um auto-lotação. Ele não pensou duas vezes. Correu até a criatura e mandou o papo, sem delongas:

           – Por acaso a linda criatura me permitiria acariciar seus belíssimos seios? Eu lhe daria 20 mil cruzeiros por essa ousadia…

          A dona injuriou-se:

         – O senhor está maluco, velho nojento?

         A boazuda saiu caminhando e ele atrás:

        – E por 100 mil cruzeiros, toparia? Eu só pretendo dar uma alisadinha.

        – Sai pra lá, velho tarado! Tá pensando que eu sou o quê?

        – Aumento a proposta, meu anjo.

        – Olhe que eu chamo a polícia, hein?

        – Quinhentos mil! Eu lhe dou 500 mil cruzeiros…

        A dona parou, fez meia-volta e encarou o velho:

        – Quinhentos mil???!!!

        – É, 500 mil cruzeiros!

        – Apenas para alisar os meus peitos?!

        – Foi isso o que eu falei.

        Os olhos da mulher brilharam. Ela olhou para os lados, apontou para a praia e disse, toda animada:

        – Vamos ali para detrás daquele coqueiro?

        – Vamos! – concordou, saltitante, Bidionáquio.

        Os dois correram até o coqueiro, a mulher tirou a blusa e saltaram aqueles peitões sensacionais. O velho beijou, passou a língua, encostou a cabeça, chupou os mamilos… e nada de alisar aquelas maravilhas.

         Bidionáquio cafungava, gemia, beijava, lambia…

         Até que a dona perdeu a paciência:

         – Como é, vovô? Vai alisar não, é?

        E ele:

        – Vou não. É muito caro!

 

Prevenido morreu de velho!

      O octogenário Apolinário Tibiriçá acabou de se vestir no quarto e estava tomando aquele “banho” de perfume, quando surgiu na parada dona Damásia, a esposa velha de guerra:

       – Hmmmm…! Posso saber pra onde você está indo todo cheiroso desse jeito?

       – Tô indo ao médico! – informou o ancião.

       – Por que, meu velho? Você está doente?

       – Não. Vou ver se ele me receita esse tal de Viagra…

       Dona Damásia correu até o guardarroupa, tirou de lá um vestido e então ele perguntou:

           – E você, pra onde vai?

           – Vou ver o médico, também!

           – Por quê?

           – Ora, se você vai voltar a usar esse pinto velho e enferrujado, acho melhor eu me prevenir tomando uma injeção antitetânica!

 

Noviça rebelde

      Fim de noite, trabalhos religiosos todos findos, igreja deserta, aí surgiu no cenário, toda espigadinha e com a carinha de santa, a noviça Carminha, que caminhou toda faceira, na pontinha dos pés, até o confessionário do reverendo Anfrísio:

      – Tenho um segredo para revelar ao senhor, padre!

      – Pode falar, filha. Aqui é a casa de Deus!

      – Bem… err… é que… eu nunca uso calcinha debaixo do meu hábito!

      O padre abriu um sorriso:

      – Isso não é tão grave, filha! Nós vivemos num país tropical, com um clima muito quente. É normal que você faça isso. É só você pedir perdão, rezar quatro ave marias, cinco pai-nossos e plantar bananeira alí no altar… Vá! Vá logo!

 

Marido por demais generoso!

      Inserido numa patota de figurões que curtiam uma sauna esperta, o malandrão Euglácio esquentava o lombo escorado num canto da parede. De repente, bem pertinho dele, um celular começou a tocar. Tocou, tocou, até que, perdendo a paciência, ele atendeu:

      – Fala!

      – Do outro lado da linha, indagou uma voz maravilhosa:

      – Mozão?

      – Oi, mozinho. – o sacana respondeu, dando uma de dono do celular.

      – Ainda está na sauna, mozão?

      – Ainda, mozinho… – rebateu o safadão, com uma sacanagem circulando na cachola.

      E a voz feminina, mais sensual ainda:

      – Sabe o que é, mozão? Estou aqui em frente a uma loja de roupas femininas… Cada vestido mais maravilhoso que o outro! Posso comprar um?

      – Compre dois!

      – É mesmo, mozão? Olha, cada um custa seis mil reais!

      – Compre! Pode comprar e mande botar na minha conta!

      – Nem acredito, mozão! Ah, outra coisa: acabei de passar naquela   concessionária de carros importados e vi aquele modelo que acabaram de lançar. É fantástico! Falei com o vendedor e ele disse que pode fazer um preço razoável…

      – E por quanto fica quanto esse “preço razoável”?

      – Uns trezentos e cinquenta mil…

      – Compre! Mas, olhe, exija todos os opcionais, ouviu? Compre no cartão!

      – Pode deixar, mozão. Ai, que felicidade! Você está tão generoso, hoje! Mais uma coisinha só. Eu passei naquela imobiliária e fique sabendo que aquela casa lindona que a gente viu na semana passada, ainda não conseguiram vender!

      – Compre!

      – O quê? Posso comprar, mesmo? Você não disse que está sem dinheiro para investir nesse imóvel?

       – Disse. Mas agora consegui uma grana legal, numa transação financeira. Quanto custa mesmo essa casa?

       – Três milhões e quinhentos mil!

       – Feche negócio imediatamente, com multa pesada para a parte que desistir, certo? Mande faturar para a minha firma!

       – Ai, meu Deus! Acho que vou desmaiar de tanta felicidade!

       – Só desmaie depois de fechar todos os negócios. E, preste atenção! Só volte a falar comigo à noite, com tudo resolvido, tá ok?

       – Tá, mozão! Pode deixar! À noite hoje vai ser encantadora! Mil beijos!

       Euglácio desligou o celular e gritou para a galera:

       – Alguém sabe de quem é este celular?