Ailton Villanova

28 de Março de 2017

Patriota muito esperto

Escreve-me o ilustre mineiro Nélio Arruda e me conta que um seu parente, o ex-bancário Hiran Figueira Sobrinho, tremendo malandro e  gozador de primeira, certa feita aprontou uma boa nos Estados Unidos, a qual entrou para o anedotário mundial.

       O papo é o seguinte:

       Acabava-se a década de 60 e o Hiran, na condição de exilado político, participava de um encontro de estrangeiros na cidade de Nova Iorque. Ao final de um dia de muitas discussões, que giravam em torno do assunto “nacionalidade”, um americano, um inglês, um francês e o sobredito Hiran, buscavam a melhor e mais autêntica forma de cada um demonstrar patriotismo pelo seu país. Muitas foram as divagações. Enquanto debatiam, mandavam ver no velho uísque até que, o mais bêbado da turma se saiu com esta:

         – Vamos demonstrar que realmente somos defensores dos nossos respectivos países oferecendo a vida por ele. 

         A sugestão foi aceitam e o francês, mais biritado de todos, entusiasmou-se mais da conta e definiu:

          – Subiremos no alto daquele edifício de 20 andares e, um a um, pularemos lá de cima. Dessa forma, morreremos cada, um pelo seu país, certo?

          Idéia de bêbado e negócio complicado.

          Cabreiro, o brasileiro Hiran acompanhou os três patriotas e iniciaram subida ao alto do edfício indicado. Chegaram ao cume do prédio com a língua na caixa dos peitos e quem primeiro falou foi o americano:

           – Serei o primeiro a pular! Darei a minha vida pela minha querida América, com muito orgulho!

           Dito isto, tomou distância, inflou o peito, marcou carreira e partiu firme para o precipício:

            – Pela Améééééricaaaaa…  – cataplaft!, estabacou-se lá em baixo.

            Em seguida, o inglês tomou posição e repetiu o gesto do colega americano:

             – Peeelaaa Inglateeeeerrraaa…

            Pleft! Também esborrachou-se no asfalto.

            Veio o francês, fez o sinal da cruz, encarou o brasileiro, que a tudo assistia de braços cruzados, e disse:

             – Agora sou eu!

             – Tudo bem. Pode ir. Vá com Deus! – retrucou Hiran.

             – Peeela Fraaaannnçaaa…

             Espatifou-se no chão. Não ficou um osso inteiro.

              E eis que, finalmente, chegou a vez do brasileiro. Uma considerável multidão aguardava lá em baixo a queda do último herói, que não vinha. E todos começaram a gritar:

              – Pula! Pula! Pula!

              Diante de tanta insistência, Hiran tomou posição. Olhou para baixo, observou a distância e finalmente deu o seu grito:

              – Peeelaaa escaaada!

 

As galinhas, nunca!

      Lá pras bandas de Quebrangulo um grupo de pequenos produtores inventou de criar uma cooperativa. O líder da turma, um certo Severino Manuel, mais conhecido como Biu Estrela, procurou o criador Anatólio Ferreira para convencê-lo a participar do empreendimento. Depois de muitas horas de papo, ele finalmente concordou com a ideia e então Biu Estrela quis saber:

       – Bom, amigo Anatólio, aceita a proposta, sua contribuição vai ser razoável. Você pode nos dar um cavalo?

        E Anatólio:

        – Posso, por que não?

        – As suas vacas?

        – Também.

        – Os bezerros e as cabras?

        – Sim.

        – E quanto as galinhas?

        – As galinhas, não!

        – Mas você concordou em nos ceder as vacas, os bezerros e as cabras e por que não as galinhas?

        – Ah, porque as galinhas em tenho!

 

O alvo era outro!      

      O colega Álvaro Cleto desceu do avião em Curitiba, onde fora rever parentes e amigos, no dia de Natal, e logo se viu cercado por um monte de gente: uns lhe puxavam pra cá, outros empurravam pra lá… maior tumulto! Reparando direitinho naquela turma, Cleto constatou que eram fotógrafos. Aí, meteu lá uma pose de galã:

       – Escutem, amigos, como é que vocês querem que eu saia…?

       E todo mundo:

       – Nós queremos que você saia da frente, porra! Estamos tentando fotografar o governador!

 

“… Foi mais embaixo!”

      Confusão dos seiscentos diabos lá pras bandas da Brejal, bairro da Levada. A PM baixou lá com gosto de gás e pegou todos os envolvidos na briga, conduzindo-os, em seguida, a Delegacia de Plantão. No gabinete da autoridade policial, que era o doutor Eduardo Maia, baixinho invocado, acotovelava-se a turma toda. O delegado saiu interrogando a rapaziada e ao final sobrou dona Nazidir, proprietária boteco onde eclodiu o conflito.

        – A senhora, dona “Maria”, tenha a bondade…

        E Nazidir:

        – Pois não, doutor.

        – A senhora também foi atingida na encrenca?

        E ela:

        – Na “encrenca” não, doutor. Foi um pouquinho mais pra baixo!

 

Não eram doidos!

      O diretor do hospício voltou ao trabalho depois de passar a tarde inteira resolvendo problemas externos. Ao passar pelo porteiro, um sujeito parrudão e ignorantão, ele perguntou:

       – Alguém me procurou durante minha ausência, Zé Cícero?

       – Procurou, doutor Reinaldo. Eram dois. Peguei eles e tranquei  em celas separadas.

       – Eram loucos?

       – Se eram? Imagine que um deles disse que era Napoleão e o outro Júlio César. Antes que armassem confusão, mandei trancá-los.

       O diretor bateu com a mão espalmada na testa e disse:

        – Mas você cometeu um grande erro, Zé Cícero! Esses são os novos médicos daqui do hospital. Um é o doutor Napoleão Seixas e o outro doutor Júlio César Barbosa!