Ailton Villanova

9 de Março de 2017

Aos pedaços, nem no céu!

      Perguntem ao gordo Oberaldo Cardoso por que, repentinamente, ele largou a mania de montanhismo que tinha. Hoje em dia, ele não quer nem mais ouvir falar nesse barato.

      Segundo sua esposa Vanilda, a última incursão do Oberaldo se deu na serra Cherneca, município de Água Branca, 700 metros e um pouco mais, acima do nível do mar. Acompanhava-o, nessa incursão, o negrinho José Maria, o Zezito, recém contratado pelo gordo para ajuda-lo no carregamento das bagagens.

        Depois de quase um dia inteiro de subida, para aqui, para acolá, eis que finalmente a dupla chegou ao pico da serra. Oberaldo desabou, morto de cansado, com a língua atingindo a cintura. O auxiliar nem aí. Descansadão e fagueiro.

         À noite, em torno da fogueira, os dois conversavam quando, em dado momento, o Oberaldo revelou:

        – Sabe, Zezito, você é um rapaz que me inspirou confiança. Mas fico pensando numa coisa: se por acaso eu sofresse algum acidente ou ficasse doente, como você faria para me levar de volta à cidade, eu com estes meus mais de 150 quilos?

        Os olhos do negrinho giraram nas órbitas:

         – Pobrêma nenhum, patrão. No ano passado, desci sozinho essa serra levando nas costas um zebu de mais de 200 quilos…

         – Duzentos quilos???!!!

         – Sim, sinhô!

         – Sozinho?

      – Sozinho sim, sinhô!

      – Como você conseguiu fazer isso?

      – Numas déis viagem, patrão. É uma tática qui nóis adota, nesses causos.

      A partir desse dia, Oberaldo nunca mais subiu, sequer, num degrau, quanto mais numa montanha. Ficou traumatizado só em pensar na possibilidade de descê-la esquartejado.

 

Cartão vermelho

      Linda, maravilhosa, visual modificado, madame Dalmúzia dava as caras no shopping, com aquele ar de felicidade. Na medida em que desfilava sua pessoa, distribuía cumprimentos e jogava beijinhos, feito artista de televisão. Aí, topou com a amiga de velhos tempos, chamada Neubalda. Esta não segurou a curiosidade:

       – Puxa, mulher, como você está lindona! É verdade que o seu marido fugiu com a empregada?

      – Fugiu, mulher!

      – Mas que cachorro! Logo com a empregada! Como você está se sentindo, minha amiga?

      – Estou me sentindo ótima! Na verdade, eu não estou nem um pouco me incomodando com a fuga do Eufrásio, sabe? Eu já ia manda-lo embora mesmo…!

      – Ah, é?

      – É. Arrumei o maior gato! Chama-se Schwarzeneagger!

 

Coisa de louco!          

      As três garotas, coincidentemente, todas louras, bebiam chopinho num barzinho praiano, tempo em que tagarelavam. De repente, o tema do papo girou em torno do amor. Daí, foram fundo e uma delas, pegou firme:

       – Olha, meninas, vou dizer uma coisa… pra mim, o melhor lugar do mundo pra gente fazer amor é a suíte de um motel!

       Outra delas discordou:

       – Eu não acho! Na minha opinião, o melhor lugar é uma banheira cheia de espuma…

       – Já eu gosto de um manicômio – interferiu a terceira.

       – Manicômio???!!! – reagiram as duas primeiras.

       – É porque na hora agá, eu adoro gritar que nem uma louca!

 

Antes e depois

      Boêmio, gomeirão e boçal, o tal de Audenólio viajou a São Paulo, sob a alegação de que estava cansado das garotas de Maceió.

      – Vou lá, curtir uma bacanagem mais avançada. Aqui num tá com nada! – anunciou para uma pequena galera, cheio de empáfia, antes de montar num avião rumo a paulicéa. – Morram de inveja!

       Depois de acomodar-se num hotelzinho xerife (uma estrela) na 25 de Março, o imbecil arrumou-se todo e partiu para o Largo do Arouche (quem conhece São Paulo sabe como é o barato por lá), entrou num barzinho, pediu um uísque e ficou manjando nas pecinhas femininas que circulavam pelo local, até que uma delas lhe chamou a atenção. Era uma lourona, que se achava sentada num canto. Para sua surpresa, ela aceitou o drinque e o convite para sentar-se à mesa.

         Enquanto conversava com a criatura, Audenólio tinha em conta que aquela já estava no papo. Minutos depois, os dois tomavam um taxi e se mandavam para o “apê” da loura. Assim que lá chegaram,  correram  para a cama, onde passaram a noite toda naquele “sacrifício” – ela, toda arrochada, só queria transar pela parte traseira. Pela manhã, Audenólio reparou numa foto de outro cara no criado mudo e, preocupado, perguntou:

       – É seu marido?

       – Não, seu bobinho.

       – Seu namorado ou seu noivo?

       – Nem um e nem outro, seu tolinho.

       E Audenólio, mais aliviado:

       – Ufa! E quem é, então?

       – Ah, querido, sou eu… antes da cirurgia!