Ailton Villanova

11 de Fevereiro de 2017

Putas fracas demais!

  Todo homem que trabalha, tem que ter os seus momentos de descontração e prazer, nada mais justo. De modo que, montados nesse pensamento, ilustres e respeitáveis cidadãos da mais alta sociedade alagoana – entre tais grandes empresários e alguns políticos -, resolveram se dar ao direito de um exagerozinho e alugaram uma ilhota camuflada, no lado de lá da Lagoa Mundaú. Um pequeno paraíso, digamos assim. Lá, instalaram o seu “quartel general” libertinoso. Nos fins de semana, convidavam as mais maravilhosas mulheres de programa da praça, levavam pra lá e mandavam ver. Homéricos bacanais. Tinha noites que eles extrapolavam os limites da sacanagem. Negócio pra humilhar Sodoma e Gomorra.

         Gozado é que nesse grupo de ilustres só havia veteranos. O menos idoso andava pela faixa dos 60 anos. Mas as meninas que os acompanhavam nesse barato não podiam exceder o limite das 25 primaverinhas. Eram ou não eram degenerados, os velhuscos?

         Todas as vezes que esses ilustres retornavam à rotina diária dos seus respectivos escritórios e empresas em Maceió, deixavam o local das orgias aos cuidados do caseiro chamado José Cícero, mais conhecido como “Ciço Caracol”,  caboco rude, porém trabalhador e muito leal. Ciço, (hoje apenas uma saudosa lembrança) era do tipo que costumava dizer o que pensava. Com ele não tinha esse negócio de meias-palavras. Dizia tudo na tábua da venta de quem quer que fosse.

           Belo dia, um dos habituês da ilha do pecado, chegou para a turma e falou:

           – Amigos, a coisa lá em casa está ficando complicada…!

           – Como assim? – quis saber o que se achava mais próximo.

           – É que minha mulher anda desconfiada! Ontem, ela reclamou quando eu disse que viajaria novamente neste final de semana. Chegou a dizer que era “papo furado” e que iria descobrir a minha mutreta!

             – E o que foi que ela disse mais?

             – Bom, ela disse que além de “estranhas” essas minhas viagens têm cheiro de mulher na parada!

             – Lascou!

             Saltou um terceiro e falou:

             – Coincidência ou não, a minha também está com a barba no molho. Quando eu falei também que voltaria a viajar neste final de semana, ela me olhou meio atravessado e disse, cheia de ironia, que eu não me desgastasse tanto, porque todas as vezes eu chegava em casa era “cansado demais”!

              – E o que é que gente vai fazer?

              Aí, o mais calado do grupo sugeriu:

              – Vamos, então, dar um “cala-a-boca” nelas… Uma espécie de colher de chá, entendem?

             – Mas como?

             – A gente inventa um piquenique e leva todas elas para a ilha! Não é uma boa? Que tal na semana que vem?

             – Joia! 

             – Então, está combinado!

              Na semana seguinte os coroas agiram conforme o combinado. Como sempre faziam com as pecinhas que contratavam para os bacanais, eles mandaram as mulheres na frente, com a desculpa de que elas precisavam se familiarizar com o ambiente… e adotando providências no sentido de que todas ficassem bastante à vontade.

               À noite, quando os maridos desembarcaram na ilhota, Ciço Caracol os aguardava na maior expectativa. Então, o líder do grupo, um certo doutor Arnaldo, perguntou:

                – E então, seu Cícero, tudo em ordem?

                – Tudo, doutor!

                – E as mulheres… elas estão bem acomodadas?

                Com a maior cara de decepção, Ciço Caracol olhou para todos e respondeu:

                 – Estão sim, senhor! Mas, doutor, me diga uma coisa…

                 – Digo…

                 – O que foi que aconteceu com as outras putas? Essas que o senhor e seus amigos trouxeram hoje, são fraquinhas demais! Cada uma mais feia e derrubada que a outra!

 

Uma questão de educação

              O Francelino Mota, o proverbial França, sempre foi meio doido. Nascido em Palmeira dos Indios, andou jogando pelada com o Arivaldo Maia que, por sinal, jamais teve a menor intimidade com a pelota, mas é  o maior narrador esportivo do Nordeste, quiçá do Brasil. É também um dos maiores leiloeiros de gado do país.

              Pois bem, quando deixou a tradicionalíssima Palmeira, esse contemporâneo do Ari ingressou no ramo comercial, atuando como vendedor de ações da finada Telasa (Telecomunicações de Alagoas S.A.). Foi aí que ele saiu do anonimato e passou a frequentar meios mais evoluídos. Mas não deixava de ser um sem-vergonha, mulherengo e depravado. Bem dizer passou a residir na finada zona do meretrício do Canaã.

               Belo dia, cansado da vida de solteiro e das degenerações noturnas com as putas, decidiu que deveria se casar.

               Procura daqui, procura dali, encontrou uma jovem finíssima, dona de uma educação literalmente britânica, porque estudou em Londres. Boa pinta, bom papo, foi aceito pela requintada família da garota.

               Casaram. Festaço. Só dava grã-fino na cerimônia casamentífera.

               Durante o ato, França só pensava na lua-de-mel, que iniciaria depois do casório. Mal chegaram em casa, o safado partiu firme pra cima da esposinha – cujo corpo era por demais tentador -, agarrou-a, arrochou-a, jogou-a na cama, arrancou-lhe o sutiã e a calcinha e, quando se preparava para chamar na grande, ela gritou:

               – Para, França! Por favor, comporte-se!

               – Mas, meu amor… Agora estamos casados e sozinhos aqui no quarto!

               E ela, educada, mas muito firme:

               – Exijo que você se comporte na cama como se comporta num restaurante fino!

               – Desculpe. Tudo bem, meu amor.

               Dito isto, o cara fez meia-volta e entrou no banheiro. Tomou um banho caprichado, penteou-se, perfumou o corpo todo, vestiu um robe-de-chambre e deitou-se delicadamente ao lado da mulher. Em seguida, com toda a educação do mundo, falou ao ouvido dela:

                – Por gentileza, minha querida, queira me ceder o seu imaculado órgão genital! Pode ser?