Ailton Villanova

7 de Fevereiro de 2017

Fedé, o intelectual

 Para quem não sabe, Federaldo Pimpo, o popularíssimo Fedé, é irmão do bizarro Fedúlcio, amigo do peito do jornalista, radialista e também psicólogo Reinaldo Cavalcante . Federaldo é o cara mais estranho o mundo. Talqualmente o irmão, é meio doido, com o seguinte adendo: é analfabeto, embora saiba ler e escrever. Novidade nenhuma, porque temos aí um monte de festejados “intelectuais” analfabetos, inclusive atuando na mídia.

      Quando quer, o tal de Destino também sabe ser moleque. Numa de suas presepadas, armou um encontro do Fedé com uma bela balzaca, intelectual de verdade. Esse encontro ocorreu numa festa de aniversário, cujo som estava acima de todas as escalas dos decibéis. De modo que os dois não puderam conversar e tiveram que se contentar nos olhares e alisamentos de mãos. Ao repararem naquilo, alguns dos amigos do Fedé manifestaram preocupação, principalmente o Zeferino, seu vizinho e conselheiro:

       –  Se ele cismar de conversar com a coroa, vai ser um desastre!

       – Chama ele aqui diz pra ficar de boca fechada. – sugeriu Joãozinho Bernardo, outro amigo dos mais chegados.

       Zeferino foi até o casal, pediu licença à coroa, puxou Fedé pelo braço e disse ao seu ouvido:

       – Tu não abre essa boca, rapaz! Não fala nada, porra!

       – Hmmmm…

       – Fedé!

       – Quié? Num tô calado?

       – Está. E deve permanecer sempre assim.

       – A vida toda?

        – Não. Com a nossa patota você pode falar à vontade. A gente lhe entende.

        – Mas…

        – Nem “mas” nem meio “mas”. Tudo o que essa sua namorada disse você apenas comentará: “certamente”.  

       – Só isso?      

       – Apenas isso!

       Nesse ponto, Joãozinho Bernardo divergiu:

        – Mas que droga de conselho é esse, meu? Se tudo o que ele falar for a palavra “certamente”, aí irá esnobar! Isso é um tremendo perigo!

        Zeferino concordou:

        – Está certo. Então, Fedé, você não fala nada, pronto!

        – Nem uma palavra? Nem um “ai”!

        Passou-se um tempo, Fedé desapareceu da vista dos velhos amigos e, um dia, deram de cara com ele e a balzaca rodeados de intelectuais, num barzinho de bacanas. Fedé falava pelos cotovelos e a mulher só reparava pra ele com aquele olhar de peixe morto.

        – Mas que diabo o Fedé tanto fala, meu Deus do céu? – agoniou-se Joãozinho Bernardo.

       – Vou lá ouvir o que ele está dizendo. – ofereceu-se um outro amigo chamado Miguel.

         – Não vai, não! – proibiu Joãozinho. – Vamos bolar outra estratégia.

         Bolaram. Na hora, inventaram que naquele dia Joãozinho Bernardo estava aniversariando. Aí, fizeram aquela festa, chamando a atenção de todos. Fedé e a namorada se aproximaram da patota e ele discursou, sob o olhar apaixonado da namorada:

         – Meus amigos, estou assaz encantado com este conspícuo aniversário exterior! Eu nunca vi um aniversário mais infalivelmente!

         – Ninguém entendeu nadinha do que o novel “intelectual” acabara de pronunciar. Aparentemente, só a namorada entendeu, porque só ela aplaudiu entusiasticamente. Ela achou pouco, e complementou o que o namorado acabara de dizer:

          – Fedé tem soberba razão! Realmente, este encontro aniversarialítico está catalipticamente insopitável e tempestivamente caótico.

          Fedé encarou os amigos e indagou com ar vencedor:

          – Viram?

          – Vimos. – confirmou Zeferino, decepcionado. – a partir de agora você está liberado pra falar o que quiser!

 

Um troço de sugestão

     Esta é do tempo em que por aqui existiam os bailes populares à fantasia. Tempo bom, aquele! Não havia essa frescura de baiano rebolando a bunda nos carnavais, trepados em trios elétricos.

      Então, num dos carnavais dessa época, o Sesi programou um baile exclusivamente para a plebe e, folião do jeito que era, o negrão Josias Parísio resolveu brilhar na folia apresentando uma fantasia original. De modo que passou no Mercado da Produção e entrou numa loja especializada em artigos carnavalescos. Chamou uma das balconistas e pediu:

        – Mocinha, eu queria uma fantasia de Adão, tem?

        Bastante solícita, a mocinha levou pro cara uma réplica de folha de parreira. Ele recusou:

         – Sinceramente, moça, essa daí num esconde nem a cabeça da “peça”.

         Ela foi lá dentro e voltou com outra maior. Ele recusou:

         – Olhe só! Num é grande o bastante!”

         – Peraí!

         A balconista pegou uma folha de bananeira e apresentou ao freguês, que voltou a fazer restrições:

         – Ainda vai ficar um pedacinho de fora.

         Aí, a garota perdeu a paciência:

         – Posso lhe fazer uma sugestão, moço?

         – Pode!

         – Por que o senhor não pega esse “troço”, bota em cima do ombro e desfila fantasiado de bomba de gasolina?

 

Mulher enjoativa  

       Vários casais amigos bebiam num barzinho da orla. O encontro marcava o aniversário natalício do distinto Nabucodonozor Pimenta. Lá pelas tantas, bastante embriagado, o distinto Euglutínio, amigo do nataliciante olhou para a esposa e disse:

        – Sabe, Marluce, quando você me fala faz lembrar esse marzão…

        E a mulher, emcionadíssima:

        – Puxa, meu amor… eu não sabia que lhe impressiono tanto!

        E ele, soltando um arroto:

        – Não é que me impressione, entende? É que me enjoa!

 

Uma grande confusão em vista

      Debruçado sobre uma mesa do Bar do Duda, o bebão encontrava-se concentradíssimo na leitura de um grosso catálogo. A proporção que ia lendo, ele anotava febrilmente numa folha de papel um monte de números. Em dado momento, surgiu na sua frente um colega de biritagem:

        – Ô Odorico, quê qui tu tanto escreve aí?

        O bebaço levantou a cabeça e respondeu:

         – Tá vendo não? Estes são números da lista telefônica. Estou somando todos!

         – Pra quê, bicho?

         Odorico respondeu:

         – Pra ver a confusão que vai dar quando eu discar todos eles de uma vez só. Vão tocar todos os telefones ao mesmo tempo! Rá, rá, rááá…