3 de Fevereiro de 2017

Via Expressa ou Vias de fato

 Há quase quatro décadas sendo considerada um “Corredor da Morte”, a rodovia Via Expressa, também denominada Menino Marcelo, a segunda mais movimentada de Maceió, bem que poderia ter outra alcunha agregada essa negativa característica: “Vias de Fato”. Em seus dez quilômetros de extensão, não só os acidentes se tomaram comuns, mais também as discussões acaloradas entre condutores, motociclistas, ciclistas e pedestres. Tudo porque, em todo o trajeto já não há rodovia, mas apenas um curto espaço asfaltado por onde circulam, simultaneamente, veículos, motocicletas, carroças, bicicletas, caminhões, ônibus e pedestres. No sábado passado, um jovem de 18 anos morreu ao perder o controle do carro e se chocar com um caminhão. O motivo foi fútil: um bate-boca com um motociclista que inconformado com as agressões verbais resolveu sacar de um revólver em plena avenida , assustando a vítima que, sob desespero se dirigiu à contramão.

Atire a primeira pedra, aquele condutor ou aquela condutora que, obrigado a circular naquela rodovia, diariamente, não tenha presenciado um acidente de mínima, média ou de grandes proporções. Este blogueiro já presenciou incontáveis colisões em apenas cinco anos de tráfego pela área. O mais grave é que a imprudência mistura-se a total falta de condições de circulação de veículos. Presenciei muitas barbeiragens praticadas por motoristas que resultaram em acidentes, mas, sobretudo, muita irresponsabilidade de uma parcela de motociclistas que convencionou considerar como livre o espaço entre os automóveis o que obriga condutores a terem máxima cautela durante às conversões à esquerda ou direita. É aí que surge o ponto de discórdia que gera bate-bocas e acirramento entre pessoas que sequer sabem de onde partiu seus desafetos.

O poder público se mostra alheio à situação e, não é de hoje. Enquanto isso, as áreas circunvizinhas crescem do ponto de vista comercial e imobiliário, o que significa afirmar que a situação tende a se tornar um caso de calamidade, caso não sejam tomadas providências a tempo. No momento em que escrevia o texto, fui ao Google e consultei a frase “Acidente na Avenida Menino Marcelo”. O leitor pode ver o resultado e chegar à conclusão de que os dois primeiros parágrafos não passam de ilusão da cabeça deste autor.

A chamada Via Expressa é uma antiga extensão da BR-316, sob o domínio do município, desde 2012 e foi inaugurada em 1979 com um único objetivo: ser um elo entre a entrada da cidade e o Porto de Maceió. Por ela deveriam circular caminhões de cargas e, principalmente os de álcool e açúcar vindos do interior, devido ao status de Alagoas ser o terceiro produtor sucroalcooleiro do país naquela ocasião. A estrada foi construída entre os canaviais e o que se podia ver afastados de suas margens, além de plantação de cana, eram sítios. Sem iluminação, poucos condutores se arriscavam a trafegar pela rodovia à noite. No final da década de 1980, conjuntos habitacionais começaram a ser construídos e toda a área verde além do amplo espaço para duplicação foram invadidos por estabelecimentos comerciais.

O trânsito começou a se intensificar e um dos primeiros acidentes que chocou a população maceioense vitimou, fatalmente, a radialista Fátima Oliveira, da Rádio Difusora que ao dirigir, pela primeira vez, um Fusca comprado no dia anterior se chocou com uma carreta. Os choques fatais entre veículos se seguiram porque a via se tornou um ponto de fuga das congestionadas avenidas Durval de Góes Monteiro e Fernandes Lima e assim surgiu o nome corredor da morte. Até o nome da avenida, dizem os comentários, é decorrência de atropelamento de uma criança.

Sem acostamento, sem ciclovia, sem calçadas e com pouco espaço para todos os tipos de veículos, a Via Expressa passou a ser uma questão de intervenção séria de mobilidade urbana e que já devia merecer a atenção do Ministério Público Estado e Poder Judiciário.