1 de Fevereiro de 2017

Jornalismo móvel: um fenômeno que muda o rumo da comunicação

Não fosse a divulgação de um vídeo nas redes sociais, seria difícil acreditar que o caso do empresário que invadiu uma igreja e, em plena cerimônia de casamento, disparou tiros contra os padrinhos dos noivos tenha corrido em Alagoas. Isto porque, a relação da população dos municípios alagoanos com a religião católica é tão afinada que se torna imprevisível a ocorrência de um fato como aquele que ganhou repercussão nacional. As imagens são impactantes como fora também, a cena do atropelamento do servidor do Tribunal de Contas do Estado por um ônibus, na segunda-feira (30) na avenida Fernandes Lima, tragédia que também teve detalhes revelados graças a uma videocâmera, instalada próxima ao local.

As duas filmagens se transformaram em pautas jornalísticas que renderam reportagens nos veículos de comunicação do Estado e integram o chamado “Mobile Journalism” ou Jornalismo Móvel, termo criado nos Estados Unidos no início desta década e que, rapidamente recebeu adeptos na imprensa mundial.

O jornalismo móvel é uma modalidade de prática e de consumo de notícias através de tecnologias móveis (smartphones, tablets, celulares e outros dispositivos similares). São milhares de milhões de imagens compartilhadas pelo mundo e que chegam às redações, diariamente e a cada instante. Uma reportagem de texto associada a um vídeo torna a notícia de um portal mais fidedigna e imediata. A maioria dos portais dos Estados Unidos adotam essa prática.

As redes sociais se tornaram forte aliada do jornalismo móvel por serem abastecedoras de pautas. Tudo isso, graças à facilidade de acesso ao aparelho de celular que dispõe de recursos de gravação de vídeos e, consequentemente de compartilhamento de informações. Uma das imagens que mostram a evolução da aquisição e uso dos aparelhos celulares, em apenas sete anos, foi o momento da aparição pública dos papas Bento XVI em 2005 e Francisco, em 2013. Na primeira, a multidão ocupa a praça São Pedro, mas poucos celulares são visíveis, enquanto que na apresentação do religioso argentino, os equipamentos eletrônicos se misturam aos fiéis.


No mundo atual, há mais pessoas que dispõem de um aparelho celular do que escova de dente. Dos 7 bilhões de habitantes do planeta, 4 bilhões têm acesso ao equipamento eletrônico e ,3,5 bilhões ainda não possuem o item para escovação dentária.

A febre do “Mobile Journalism” começou no início da década e um dos fatores que influenciaram neste tipo de investigação jornalística foi o atentado na Maratona de Boston em 13 de abril de 2013, quando duas bombas causaram a morte de três pessoas e feriram 264.A busca por fotos utilizadas nas redes sociais por pessoas que assistiam à competição foi fundamental para localizar os suspeitos. O FBI solicitou as pessoas presentes à prova que enviassem fotos do evento para que, por análise de sequência de fotografias, se chegasse aos autores dos atentados.

No Brasil, os portais de notícias criaram a secção Você Repórter pela qual, internautas enviariam vídeos para as redações narrando fatos ocorridos. No entanto, o nível de compartilhamento cresceu de tal modo que, independentemente desse tipo de secção, as imagens chegam a qualquer cidadão. A partir daí, cabe ao profissional de comunicação apurar todo o conteúdo como bem fizeram os colegas jornalistas a partir dos dois vídeos citados no início deste texto.

E a prova da importância da apuração do fato, veio da cena do tiroteio no casamento, quando surgiu uma informação nova e tão chocante quanto os disparos no templo religioso: apesar das manchas de sangue espalhadas ao chão, a cerimônia transcorreu normalmente. Estranho, mais é notícia.