Ailton Villanova

19 de Janeiro de 2017

O troco lusitano

    Embora não deixe transparecer, José Carvalho Sobral é um espertíssimo português que adotou Maceió como sua segunda terra. Baixinho, gordinho, careca, e bigodudo, tem a cara de palerma. Próspero comerciante em terras D’Além Mar, volta e meia ele está curtindo a capital alagoana, porque tem um apartamento na orça marítima. Em assim sendo, é sempre visto exibindo canelas tão brancas quanto velas de missa, chinelo nos pés e boné enfiado na cabeça, passeando pra cima e pra baixo, na praia de Pajuçara. Certa manhã, depois de ter feito o seu costumeiro passeio à beira-mar, ele parou numa daquelas lanchonetes do calçadão pajuçarense e pediu ao balconista:

      – Ó gajo, vê aí um sanduiche misto e um suco de laranja, ora pois!

      – É pra já! – prontificou-se o garçom.

      Não demorou nadinha  e lá estava o lusitano mastigando o tal sanduiche, entre um gole e outro de suco. De repente, surgido do nada, encostou nele um malandrão mastigando chiclete, que, despropositadamente, indagou:

       – Ô do bigode, tu é capaz de comer um sanduiche triplo, inteirinho?

       – Como, até dois ou mais, ora pois. – respondeu Zé Sobral.

        E  o malandro:

        – Lá na Bahia, onde moro, a gente só comemos o miolo. A casca, a gente vamos juntando num contêiner, depois processamos, transformamos em pão doce e vendemos pra Portugal.

         O lusitano manjou na gozação do malandro, mas não deu mancada. Ficou na dele. Não satisfeito, o baiano emendou outra sacanagem:

         – E geléia, mano? Tu também é chegado a uma geléia?

         – Mas é claro!

         – A gente, não. A gente só comemos frutas frescas, principalmente no café da manhã. Depois, jogamos todas as cascas, sementes e bagaços em contêineres. Aí, processamos, transformamos em geléia e vendemos pra Portugal. Rá!

         Nesse ponto o português Zé Sobral emputeceu. Virou-se pro malandro e levantou a voz:

         – Me respondes aí, ó gajo: o que fazem vocês com as camisinhas depois das trepadas?

         E o baiano:

         – Ué, nós jogamos fora, é claro!

         – Nós não. Nós guardamos tudo em contêineres, processamos, transformamos em chicletes e vendemos pros baianos.

 

Surdo-mudo

      Gozador ao extremo, o saudoso radialista Jorge Vilar adorava tirar sarro com a cara dos outros. Vilar era famoso, também, pelo fato de ser um tremendo figa de aço. O colega Reinaldo Cavalcante costumava dizer que o orelhudo não abria a mão nem para dar adeus. Certa feita, ele foi abordado pelo finado sonotécnico Genaldo Ramalho, seu companheiro de trabalho, quando saía da emissora da Rádio Gazeta, depois de ter cumprido escala ao microfone da emissora.

       – “Orelha”, foi bom eu ter te encontrado aqui, rapaz! Tu sois capaz de guardar um secredo? – indagou Ramalho com voz quase sumida.

       – Mas é claro, rapaz! Qual é o babado?

        – É que eu estou precisando de 50 pratas…

        Vilar nem deixou Genaldo Ramalho completar:

        – Ah,  pode ficar tranquilo, baixinho. Vou fazer de conta que nem ouvi!

         E partiu na maior disparada!

 

Pensou errado

      Paulinha e Candinha, duas bichinhas muito amiguinhas e bastante solitariazinhas, resolveram morar juntas havia pelo menos um mês. Candinha andava caidaça, deprimidíssima. Certa manhã, eis que elazinha    foi encontrada morta, com a cabeça dentro do fogão. Havia aspirado uma quantidade enoooorrrme de gás. Paulinha descabelou-se toda quando viu a cena e fez o maior escândalo. A polícia já chegou fazendo perguntas:

        – Ô bonecona, você fica aqui no apartamento o dia todo?

        E Paulinha, lacrimosamente desmunhecadíssima:

        – Às vezes sim, às vezes não. Hoje, por exemplo, eu estava em casa.

        E o tira:

        – Então como é que você vê a amiga com a cabeça ali dentro e não faz nada?

         – Mas delegado, eu pensei que ela estava secando o cabelo!

 

Pior a emenda…

      Dona Cleribalda entrou no consultório do médico Latércio Bezerra na maior aflição:

       – Doutor, o senhor está lembrado do Durval, o meu marido?

       – Claro que estou, dona Cleribalda. O que tem ele?

       – O infeliz danou-se a fumar desbragadamente. Agora está consumindo quatro carteiras  de cigarro por dia. Eu não aguento mais!

       E o médico:

       – Calma. Saiba a senhora que o sujeito que fuma odeia os outros que fumam também. Fume na frente dele o dobro de charutos durante uma semana. Garanto que ele vai morrer de nojo e para com essa mania.

         Uma semana depois, a madame ligou para o médico e ele foi logo indagando: 

          – E aí, dona Cleribalda… ele parou?

          – Parar, parou! Mas quem está viciada agora sou eu!

 

Depressa, que o japinha vem aí!

       Depois que ganhou uma nota preta na Megasena, Batrúcio Braga, o popularíssimo Braguinha, e sua mulher Sandra Helena procuraram determinado centro de cultura onde, além do inglês, do francês, do alemão e do italiano, lecionasse também o japonês e manifestaram o desejo de aprender, com urgência urgentíssima, a língua nipônica.

        – Da pra gente aprender em um mês? – indagou Sandra.

       – Em um mês???!!! – espantou-se do diretor do centro cultural.

       – Sim, senhor.

       – Olha madame, a língua japonesa é muito difícil e complicada. Em um mês não dá pra aprender, não. Por que essa pressa?

        Quem entrou na jogada foi o marido, para explicar a pretensão de aprender o japonês em curto prazo:

         – É o seguinte, professor… a gente adotou um bebê de 11 meses. Daqui a pouco ele vai começar a falar, certo? E como é que vamos entender o que o garoto vai dizer?