Ailton Villanova

11 de Janeiro de 2017

Enfim, atletas celestiais!

      Nistatino dos Reis e Dióxido Tibúrcio sempre foram bons amigos. Desde os tempos de criança, no bairro Bebedouro. O sonho de ambos era, cada um, atingir o estrelato no bate bola, mas cadê craqueza pra isso? Bem que insistiram.

       Todos os sábados eles se juntavam a outros companheiros, no campinho de futebol no Flexal de Baixo, próximo a estação da Rede   Ferroviária do Nordeste e tome pernada pra frente!

        Anos mais tarde, ambos chefes de família, a amizade que os unia terminou de maneira trágica. E adeus às emoções dos bons tempos de pelada. É que, vitimado num acidente de carro Nistatino esticou definitivamente as canelas.

        Quando ainda se achava no leito de morte, Nistatino recebeu a visita do velho e leal amigo, que desabafou, entre lágrimas:

         – Tino, vou sentir muita falta das nossas peladas, pode crer!

         – Eu também! – rebateu o amigo, num fio de voz.

         – Escuta… vou lhe fazer um último pedido, e eu quero que você me atenda, mesmo depois de morto…

         – Faça o pedido.

         – Eu preciso saber se tem futebol nessa tal de vida depois da morte…

         Respirando com dificuldade, o moribundo prometeu:

         – Está bem. Assim que eu me certificar direitinho, volto e lhe conto. Pode ficar tranquilo.

         Mês e tanto depois do óbito do amigo, Dióxido foi despertado por uma luz forte e brilhante, no meio da madrugada. Atordoado, ele pulou da cama:

          – Nistatino, é você?!

          – Sou eu, Dió…

          – Tu bem? E aí, tem futebol na vida eterna?

          – Tem.

          – Ôba!

          – A propósito, estou lhe trazendo duas notícias. Uma boa e outra ruim…

          – Manda ver!

          – Lá vai a boa! Domingo próximo, vai haver o maior torneio de futebol  no Paraíso Celestial, e eu vou jogar! Peguei uma vaga de lateral esquerdo…

           – Grande, Dió! E a notícia ruim, qual é?

           – Escalaram você na ponta esquerda do meu time!

 

Sem comprometimento

      Mais de 90 anos de idade, finalmente o macróbio Abrôncio Nascimento estava partindo desta para a melhor. Do lado da sua cama, encontrava-se o padre Aniceto, que lhe fora ministrar a extrema-unção:

       – Caro irmão, para descansar em paz é necessário que renegue o  “Eu renego o demônio!”

        O moribundo só olhar para o reverendo.

         – Vamos, meu amigo…  repita comigo: “Eu  renego o demônio!”

        E Abrôncio, ó, boca fechada.

        – Por que você não quer renegar o diabo? – inquietou-se o padre.

       Então, o vetusto respondeu com voz apagadinha:

        – Enquanto eu não souber pra onde eu vou, não me comprometo com ninguém!

 

Genro prevenido    

      O distinto Cleocrisbaldo Leite não conseguia se concentrar no noticiário da TV, porque sua mulher virava e revirava, febrilmente, a estante. Até que ele perdeu a paciência:

       – Que bubônica tanto você procura, Eunápia?

       – Um livro, claro!

       – Mas que livro?

       – Aquele intitulado  “Como Viver 100 Anos”. Você sabe onde ele está?

       E o marido:

       – Ah, eu guardei na gaveta da cômoda, pra sua mãe não ler! 

 

Como morder?

      Era batata. Todos os dias, entre cinco e cinco e meia da tarde, o ilustre Aeronaldo era visto passeando na orla marítima com o seu cachorrão Otelo, seguro pela corrente. O animal era um rottweiller parrudão, que apreciava muitíssimo triturar, no dente, canelas alheias.

       – Então, lá iam os dois calçadão a fora quando, de repente, surgiu no cenário dona Hipotenusa, madame tida e havia como a maior fofoqueira do pedaço. Ao se aproximar do Aeronaldo e seu cachorro, ela achou de querer tirar uma onda com o cão:

       – Ô Aeronaldo, esse seu vira latas deixa a gente chegar mais pra perto?        

       Puto com a tentativa de depreciação  do seu animal, Aeronaldo respondeu cheio de grossura: 

       – Claro! Do contrário de que jeito ele vai poder morder a senhora?

       Hipotenusa duvidou. Hoje, ela só tem um braço.

 

Tomou todas!

       Finalzinho do carnaval fora de época na capital, intitulado Maceió Fest. A negrada não parava de pular, de uma ponta a outra da praia da Pajuçara. Encostado no balcão de um dos barzinhos da orla, encontrava-se o galã de terceira categoria chamado Leocádio Betânio. Nisso, aproximou-se uma feiosa e pediu ao garçom um refrigerante. Ai, ele aproveitou o embalo e mandou a cantada, só pra tirar uma “chinfra” com ela:

        – Puxa! Sabe que o álcool deixa você mais linda do que nunca?!

        – Sai pra lá, enxerido! Fique sabendo que até agora não bebi uma gota de álcool!

        – Você não. Mas eu já tomei todas!