Ailton Villanova

4 de Janeiro de 2017

Agente secretíssimo

      Nascido no pé da Serra do Padre, município de Água Branca, o distinto José Bernardo Algaroba decidiu que venceria na capital. De modo que, numa manhã ensolarada de novembro arribou de lá com a cara e a coragem. Tão logo assentou o solado dos pés em território maceioense, ele foi logo ganhando um emprego de serviçal num armazém de secos e molhados, no bairro da Levada. Trabalhador incansável, em pouco tempo caiu nas graças do patrão Josinébrio Lucindo, que possuía, também, um monte de lojas espalhadas pelo interior do estado.

       Antes de completar um ano no emprego, olha o Algaroba galgando o posto de gerente do armazém! Tudo o que o velho Josinébrio Lucindo queria, era com ele. As tarefas mais importantes da empresa passaram a ser executadas por Algaroba.

       Um dia, seu Lucindo o chamou num canto e disse:

       – Vou lhe designar para uma missão importantíssima, meu filho!

       – Pois tá bom, seu Lucindo. Pode designar.

       – A missão é sigilosa, vou logo avisando!

       – Não tem problema. Pode contar comigo, patrão. Diga logo qual é a  missão, porque já tô morrendo de curiosidade!    

       – Bom… ham… ham… Estou desconfiando que estão me passando pra trás!

       – Quem, patrão?

       – Um dos gerentes do interior…

       – Hummmm…

       – Como meu homem de confiança, quero que você vá até… (e disse o nome da cidade) e verifique qual a razão dos prejuízos da loja de lá. Mas preste bem atenção: essa viagem deve ser feita em segredo! Não quero que conte nem pra sua mulher!

        De modo que o fidelíssimo Algaroba preparou a maleta e apenas disse à esposa que iria viajar.

        – Mas você vai pra onde, homem de Deus? – quis saber a madame.

        – É segredo! Missão secreta! – respondeu ele, com ar misterioso. 

        José Bernardo Algaroba pegou um taxi e se mandou pra rodoviária. Chegou lá, dirigiu-se ao guichê e, todo empolgado, anunciou:

        – Uma passagem!

        – Pra onde, senhor? – indagou o bilheteiro.

        – Por acaso lhe interessa pra onde eu vou? Deixe de ser abelhudo, rapaz! Me dê logo essa passagem, que eu estou “avexado”!

        – Só se o senhor disser pra onde quer viajar! – insistiu o bilheteiro.

        – Ora mas que petulância, essa sua, rapaz! Se nem pra minha mulher eu disse pra onde estou indo, imagina se vou contar pra você.  Estou em missão secreta!

 

Namorado inteligentíssimo     

       Bobinha de dar dó, a lindinha Maria Rita, 17 aninhos, conforme fazia sempre aos domingos, foi à missa acompanhada dos pais. Em dado momento da celebração, ela necessitou ir ao toalete e, muito distraída, ao invés de entrar na parte destinada às mulheres, ela embocou no banheiro dos homens. E tomou aquele susto!

        Mais tarde, impressionada com o que vira, ele perguntou à mãe:

        – Por que é que os homens têm aqueles “negócios” de tamanhos diferentes?

        A mãe pensou um pouco e enrolou:

       – Bom, minha querida, varia de acordo com a inteligência do homem,  entende? Os mais bobos, têm o pênis pequeno e os mais inteligentes têm maiores!

       Ritinha guardou aquilo na memória e, dias depois, entrou em casa eufórica:

        – Maínha! Arrumei um namorado inteligentíssimo!

 

Ladrão infeliz!

      No barzinho de sempre, a patota do Gumercindo Bezerra o

aguardava, havia um tempão, e nada do infeliz aparecer!

       – Mas onde o Guma se meteu, galera? Ele nunca falta! – observou o amigo Zé Patrício.

       – Falou do mal… olha ele aí! – animou-se Zezito da Béu – apontando para a porta de entrada.

       Lépido e fagueiro, Guma entrou no bar e foi logo contando pros amigos, a grande novidade:

        – Fui salvo por um ladrão, galera!

        – Não é possível!!! – espantou-se Bia Batista.

        – Palavra! Vocês não imaginam o que aconteceu lá em casa, enquanto a gente estava biritando aqui, ontem à noite!

        – Quê que aconteceu?

        – Entrou um ladrão!

        – Porra meu louro! E tua mulher, coitadinha? Deve ter passado o maior sufoco, hein?

        – Que nada! Ela quebrou o ladrão de pau, pensando que era eu chegando!

 

Oooh! Tá pegando fogo!

        Cansada da vidinha modorrenta interiorana, a bicha antigona intitulada “Gardênia Monique” – Gagá, na intimidade -, arrumou os seus paninhos de bunda e arribou pra capital.

        Mal baixou por aqui, correu lépida e fagueira para uma pensãozinha localizada na Praça Senhor do Bonfim, no Poço, que havia sido indicada pela mona “Dóris Day Novak”, e lá aboletou-se.

         Na capital, duas coisas lhe chamaram a atenção: o canal do Salgadinho, com aqueles seus simpáticos e fedorentos lixões escorrendo a céu aberto, e a poluidíssima praia da Avenida da Paz. Todas as noites haja Gagá a passear pra cima e pra baixo, felicíssima da vida, entre os dois pontos acima citados. De vez em quando pintava um bofe na parada.

          Certa tarde de sábado, eis que foi surpreendida por um cortejo religioso, que passava ao largo da Praça Bonfim. À frente deste, a imagem do padroeiro instalada num andor bastante florido. Constituindo a procissão, um monte de fiéis entoado o tradicionalíssimo “Queremos Deus”.

           E Gagá, embevecida, emocionada, reparando naquela manifestação  da mais autêntica religiosidade. De repente, bateu o olho num grupo de pessoas que se vestiam de modo diferente das demais. Uma dessas era o padre, que puxava cânticos e orações. Ao seu lado, um coroinha trajando uma túnica de linho, ornamentada com rendas e babados. O cara carregava um turíbulo, do qual emanava aquela fumacinha cheirosa de incenso. Aí, Gagá não se conteve: deu um pinote na frente do cortejo e dirigiu-se ao coroinha:

             –  Que-ri-di-nha, sua roupa é um luxo! Seu chapéu, oh!, é uma graça! Você está ma-ra-vi-lho-sa! Mas, cuidado que a sua bolsinha tá pegando fogo!