Ailton Villanova

3 de Janeiro de 2017

Um corno tão bonzinho!

      O casal de adúlteros se achava na maior sacanagem, prestes a dar por consolidada a transa quando, de repente, a mulher empurrou o amante para fora da cama e deu o brado:

       – O meu marido!

       Surpreso, o cara rebateu:

       – Que papo é esse? Você não disse que ele estava viajando?

       – Pois é. Ele voltou mais cedo! Depressa, Ronivon, entra aí no guarda-roupa!

       – Me esconder no guarda-roupa?  Que negócio ridículo! Entro não!

       – Entra, sim. Vai logo! Quer que o Aderbaldo nos mate? Já pra dentro do guarda-roupa! Vamos, pegue as suas coisas!

       – Calminha aí!                                                

       – O celular também!

       Mal o Ronivon acabou de entrar no guarda-roupa o marido Aderbaldo pintou no ambiente.

       – Oi, amor!  – era a mulher. – Voltou tão rápido, não foi? Deu certo não, a reunião no Recife?  

       E o corno:

       – Foi transferida para a próxima semana. Morreu a porra da sogra do chefão!

       – Coitadinha.

       – Coitadinha, por quê? Você a conhecia?

       – Não. Mas ela morreu, não morreu? Então, é coitadinha, sim!

       – Deixa pra lá. Quero dormir. Tô cansado!

       – Que ótimo!

       Ao dirigir-se à cama, Aderbaldo parou, arregalou os olhos e aguçou os ouvidos:

       – Você ouviu?

       – O quê? – indagou a mulher.

        – Um celular tocou!

        – Não ouvi nadinha. Vamos deitar, vamos…                             

        – Olhe o celular tocando de novo! Parece que é dentro do guarda-roupa!

        – Dentro do guarda-roupa?! Ah, é o meu celular que eu deixei trancado…

        Tiiimmm… timtimtiiimmm… – era o infeliz do celular

        Aderbaldo encostou o ouvido no guarda-roupa e escutou uma voz dizer lá dentro:

        – “Porra! Liga depois! Tô aqui no maior sufoco!”

        E o corno:

        – Eu não disse?

        Dito isto, ele abriu a porta do guarda-roupa de supetão e flagrou o Ronivon nuzão, encolhido num cantinho, com o celular no ouvido. Aderbaldo então foi firme:

         – Ô rapaz, o que é que você tá fazendo aí dentro? Quer morrer sufocado? Saia daí e venha telefonar daqui de fora, que está mais fresco!

 

Corajosa com o dente alheio

      Final de expediente no consultório do dentista Carlos Alberto Prazeres, que na praia de ponta Verde, eis que, inopinadamente, adentra um casal de turistas. A mulher foi logo falando:

       – Doutor, eu preciso que o senhor arranque um dente. Não faço nem questão de anestesia, porque estou com muita pressa! Não posso interromper as minhas férias por causa da porcaria de um dente!

       E Carlos Prazeres, impressionado:

       – A senhora é muito corajosa! Qual é o dente, por favor?

       A mulher virou-se pro marido e ordenou:

       – Mostre o dente pra ele, querido!

 

Qualé, dona?

      Antônio Carlos Xavier, o Tonho Tubiba saiu do Bar do Galego, no Pontal da Barra, todo se espremendo. É que, diante do sanitário havia uma fila quilométrica de “necessitados”. Aí, ele encostou num poste da esquina e mandou ver aquele pipizão de milhões espumas.

       Nesse momento vai passando uma velhota, que dá o maior esbregue:

       – Ei, sujeito sem-vergonha! Não respeita mais o povo, não? Isso aqui é lugar de se mijar, é, seu safado?

       – É que eu tava muito necessitado, dona…

       E a velhusca:

        – A menos de vinte metros, bem ali na outra esquina, tem um sanitário público!

        E o Tubiba:

        – A senhora tá pensando que o meu pau é mangueira?

 

Igual a um bebê!

      Evangélico desde criancinha, o professor intitulado Luiz Hemetério sempre se houve como um cidadão de conduta exemplar. Muito educado, jamais levantou a voz para alguém, nem mesmo para repreender a rapaziada que adorava perturbar na sala de aula. Por isso e tudo o mais, Lula Hemetério era admirado por todos.

         Quando conheceu a jovem Edelvita, aos 27 anos de idade, ele ainda era donzelo. A moça também era virgem.

         Casaram-se.

          Como todos os evangélicos da denominação, contraíram núpcias na Igreja Pentencostal. Feito isso, montaram num avião e fizeram o vôo de lua-de-mel ao Rio de Janeiro. No meio da viagem, a tímida e linda noiva cochichou no ouvido do amado:

           – Tenho uma coisa para lhe dizer, Lula…

           – Sou todo ouvidos, meu amor.

           E ela, vacilante:

           – Eu sempre quis lhe contar que não tenho seios. O medo de lhe perder…

           – Ora, isso não tem importância, Vitinha. O que importa é a sua pessoa e o nosso amor.

           Edelvita suspirou aliviada e o marido aproveitou a ocasião:

           – Eu também tenho uma confissão a lhe fazer…

           – Diga tudo o que quiser, meu amor.

           O professor apontou para a braguilha e disse, meio chateado:

           – Isto aqui é como um bebê.

           A vez foi da esposinha revelar:

           – Mas que mal há nisso, meu bem? Sexo não é tudo no casamento.

           – Não lhe falei antes porque temi que você rompesse o nosso noivado.

           – Fique tranquilo, meu amor.

           O casal de pombinhos desceu no aeroporto Santos Dumont feliz da   vida. Imediatamente, correu para o hotel, na praia de Copacabana. Primeira coisa que marido e mulher fizeram foi cair na cama.

            Edelvita tirou a roupa e, realmente, não tinha seios. Não vê uma tábua? Era igualzinha.

            O noivo também ficou pelado.

             Naquilo que Edelvita botou os olhos no “instrumental” do marido, revirou os olhos e caiu desmaiada. Quando voltou a si, o rapaz falou:

              – Eu lhe avisei no avião, não avisei?

              – Mas você falou que era como um bebê…

              – Pois é… cinquenta centímetros de tamanho e três quilos e meio de peso.

              Ela desmaiou novamente.